O artigo de Blattes rejeitado pelos vereadores

Como prometi ontem à noite, aqui vai o artigo de Sérgio Blattes, publicado em 10 de março de 2005, no Diário de Santa Maria e que, em fato inédito, teve a inserção nos anais do Legislativo rejeitada pelos vereadores.
      Onde está Bisol?
      Sérgio Blattes
      Estou incluído dentre aqueles que foram implacáveis nas críticas a Paulo Bisol, enquanto ele esteve à testa da Secretaria de Segurança do estado. Cada ato da bandidagem gerava uma saraivada de críticas a Bisol . Era a forma da sociedade e os meios de comunicação, explicar a insegurança; tudo era culpa do secretário.
      Assim foi por quatro anos, a avalanche de crimes foi vista e tratada como resultado da incapacidade do então Secretário de Segurança Pública. Aliás, este assunto de combate à criminalidade, tem sido o cavalo de batalha de todas as eleições. Germano Rigotto prometia maior segurança e menos impostos, enquanto candidato. Eleito governador a carga tributária aumentou e a criminalidade continua igual ou maior.
      O atual Secretário de Segurança Pública, Deputado Federal José Otávio Germano, está submerso. Não se vislumbra sua imagem, nem se ouve sua voz. Não sei se de onde está, submerso, disponha de algum periscópio para dar uma rápida olhada no que acontece na superfície.
      Mas isto não é de estranhar. Diante da agitação do mar e das constantes tempestades é razoável que o melhor é ficar submerso.
      A imprensa, entretanto, tão vigilante até pouco mais de dois anos em apontar responsáveis pela crise de segurança que se vive, emudeceu. Não se encontra mais quem esteja disposto a responsabilizar quem quer que seja pelos problemas vividos.
      Por isto, confesso, estou com saudades do Bisol, porque, quando ele estava secretário, servia de bode expiatório para aplacar a insegurança que sentíamos. É mais confortável ter um culpado do que sentir-se assim, como estamos, sem saber o que fazer. Não resolvia nada, mas colocar a culpa em alguém, de certa forma, nos deixava com a sensação de que a coisa poderia melhorar, bastaria trocar o responsável.
      Dois anos foram suficientes para que tivéssemos a percepção de que a crise da segurança pública não é de responsabilidade exclusiva do secretário. A crise é mais profunda, merece maior reflexão e depende de uma visão política mais abrangente do que a simples repressão.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *