Aniversário de deputado é outra coisa

Para quem não sabe, fiz aniversário faz quase nada de dias. Sou leonino do primeiro decanato – para quem acha que a astrologia pode determinar a vida de um sujeito. Festa não houve. Uma singela confraternização familiar. E ponto. Pouca coisa? Não, na medida certa, penso eu. Que, claro, não sou deputado.
      Sim, porque parlamentar é oooooutra coisa. Veja o caso de Fabiano Pereira, um dos líderes da Ação Democrática, tendência petista que, fracionada, conseguiu a proeza de ter dois candidatos à presidência do Partido, no pleito de daqui a mês e meio.
      Pois o deputado, que talvez seja parente do jornalista (a família Pereira, como se sabe, é compridííííssima), faz “niver” daqui a alguns dias. E tem festa. Será dia 6, no salão do Santuário à Medianeira. Com direito a jantar e animação da banda Búfalo. O dia do aniversário, meeeesmo, não sei. Talvez seja dia 6. Talvez. O certo é que o balacobaco será no primeiro sábado, claro, de agosto.
      Fui – eu e muitos jornalistas – comunicado por e-mail. E, se quiser ir, tenho que conseguir um “convite” de R$ 7, “no escritório político do deputado, rua Dr. Bozzano, 1266, sala 37, telefone 30272918.”
      Ah, se quisermos mais informações temos que falar com o senhor Natal Pedroso Alves, “coordenador do escritório político do deputado Fabiano Pereira, telefone 51-9999-4225”.
      Gente! Vamos combinar que Fabiano Pereira não é exatamente original. Vários políticos, dos mais diversos calibres, poderes eeeee partidos, fazem o mesmo. Mas que é engraçado, é. No meu singelo festerê particular, paguei a conta, junto com amigos e familiares, os pouquíssimos convidados. Já, se eu quiser ir abraçar o deputado, terei que pagar R$ 7.
      Se bem que, desconfio, a comemoração deste Pereira mais famoso vai ser o grande acontecimento social de 6 de agosto. O Salão de Festas estará certamente lotado. E lá comparecerão os muitos amigos do parlamentar. E seus assessores, e assessores dos assessores, e assessores dos assessores de gabinetes de outros parlamentares, secretários, etc, etc. Se duvidar, até fiéis (ou nem tanto) eleitores comparecerão – desde que, claro, dispuserem de R$ 7. Uma bagatela, convenhamos.
     
      EM TEMPO: é bom repetir. Não é a primeira, nem a última, confraternização de políticos paga pelos outros. Fabiano Pereira segue apenas a regra vigente desde muuuito tempo. Não tem esta nota outra conotação, que não a de chamar a atenção que esse tipo de festerê é tudo, menos confraternização apenas de amigos. Estes, tenho certeza, farão uma festa privada (como a que este simples mortal, supra-assinado fez) ao parlamentar.



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