Professores municipais boicotarão desfile de 7 de Setembro. E as crianças? Ora, as crianças!

Está decidido: docentes do município vão continuar com sua política de boicote à Administração, se recusando a participar do desfile de 7 de setembro. Acabarão retaliando, na verdade, é as crianças – elas, sim, interessadas nos festejos do aniversário da Independência.
      Resultado, os professores ficarão em casa. E os pequenos alunos também. Exatamente como já aconteceu na Feira do Livro. Atitude antipática, sob todos os aspectos. E, aliás, como reconhecem, imagino, os próprios líderes docentes – é o que se pode deduzir do comunicado oficial enviado pelo Sindicato dos Professores à Imprensa, após a assembléia realizada no início da noite desta terça-feira.
      O texto mistura gregos com cidadania, numa espécie de constrangido pedido de desculpas (é o que penso, paciência se não gostarem) por uma medida que, convenhamos, mais que complicar a vida do governo da cidade, estraga é o prazer das crianças.
      Que estranho protesto é esse que, afora não trazer qualquer lucro político, ainda impede que os pequenos realizem o que todos, ou a maioria, gostariam de fazer: desfilar. Ou acham que esqueci do meu tempo de criança? Bem, talvez os docentes do município sejam desmemoriados.
      Leia, a seguir, o informe oficial do sindicato e a sua salada greco-cidadã, que tenta, sem conseguir, misturando uma série de temas não necessariamente conexos, disfarçar o constrangimento dos líderes da categoria e que, convenhamos, já foram mais criativos:
      “Para os gregos, ser cidadão era apenas ser habitante da cidade, porém, com a evolução das sociedades, também a cidadania ganhou novas definições, assim, hoje, ser cidadão é poder conviver democraticamente em uma sociedade que garanta as melhores condições para cada um e para todos, de realização pessoal e coletiva com base nas conquistas alcançadas pela humanidade, ter acesso à educação, à saúde, ao lazer, aos bens culturais, ao convívio equilibrado com o meio ambiente, respeitar o outro, suas escolhas, seu credo, sua condição e opção sexual, política e filosófica.
      Por isso, os professores municipais decidiram, em assembléia geral da categoria, boicotar os desfiles alusivos ao sete de setembro, considerando que mostrar a comunidade que todos estão muito satisfeitos com a atual conjuntura municipal seria faltar com a verdade e descumprir com o papel de cidadãos.
      Os motivos para esse boicote são inúmeros e repetem aqueles que levaram o magistério municipal a não participar da Feira do Livro 2005. Entre eles está a desvalorização salarial, comprovada por uma proposta de reposição de 1% oferecido a categoria e encaminhado à Câmara, mesmo depois de ser rejeitada pelo magistério.
      Mas, não é só a proposta indecente de reajuste oferecido aos professores que está ocasionando o boicote. Ele também ocorre pela falta de incentivo às escolas e, principalmente aos professores. Para comprovar o fato, basta dizer que, desde que o novo secretário de Finanças, Werner Rempel, assumiu o cargo, o Sinprosm, legítimo representante dos professores, vem buscando reiteradas vezes se reunir como vice-prefeito sem sequer ser recebido por ele ou mesmo pelo prefeito municipal.
      Soma-se a isso a crise divulgada na imprensa durante a última semana, quando inúmeros estagiários protestaram devido a ruptura de seus contratos e até mesmo quanto a inexistência deles. Além de colocarem estagiários para substituírem professores, atividade que não lhes cabe, a Prefeitura estava simplesmente ignorando a sua necessidade de remuneração.
      É por todos esses motivos que, nesse sete de setembro os professores municipais decidiram mostrar que a cidadania também significa respeito.”



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