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A greve deflagrada. Quorum só foi atingido 80 minutos após iniciada a assembléia, na UFSM

Este site esteve presente à Assembléia Geral dos professores da UFSM que, na tarde de hoje, decidiram (leia as notícias imediatamente abaixo desta) aderir ao movimento nacional de paralisação. Acompanhamos toda a movimentação que precedeu o encontro, o que ocorreu e foi dito durante e a decisão, que aqui foi anunciada pouco depois das 5 da tarde.

Leia, agora, o relato do nosso enviado ao Campus, Leonardo Foletto:

Depois de passadas quase duas horas do horário previsto para a primeira chamada, os professores da UFSM decidiram acatar a decisão da ANDES e deflagraram greve.

Quem passasse pelo auditório C da Química e chegasse perto para ver e, principalmente, ouvir as pessoas que ali se encontravam, já poderia prever, com enormes chances de acertar, que a proposta de greve seria vitoriosa. Os professores iam chegando aos poucos, sozinhos, em grupos, com seus guarda-chuvas e casacões. Alguns paravam para um cigarro na frente do auditório, outros conversavam entre si, uns tensos, mas a maioria animada.

O quorum necessário para a votação era de 120 professores, 10% de todos da UFSM. As 15h30, horário da segunda chamada, eram quase 70 as assinaturas na lista de presença.

As 15h45, sem poder esperar mais, a assembléia começa. O presidente da Sedufsm, Carlos Pires, introduz as pautas e os informes e passa a palavra para Luis Henrique Schuch, diretor da regional do ANDES, professor da Universidade Federal de Pelotas.

Falando da falta de recursos previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias, das recentes reuniões com o Ministério da Educação, o professor da UFPEL, gasta o tempo na espera de que mais professores cheguem e se atinja o quorum. Encerra dizendo que “só incomodando o governo para obtermos algo”.

As 16h, 102 assinaturas. Abre-se o microfone para a platéia, alguns professores tomam a palavra, falam sobre a situação nacional, citam o exemplo dos recentes aumentos do judiciário e dos funcionários da Câmara e do Senado. Quase que implicitamente, afirmam: “se eles têm, por que nós também não temos?”.

De um professor bem no fundo do auditório, conversando com um ao seu lado, sai essa:

– Aumento retroativo a janeiro, tu vê, e tem professor aqui que ainda vai votar no Lula, votar contra greve!

A palavra passa para o representante da Associação dos Funcionários, que convoca os “companheiros” (companheiro não!, diz uma professora no fundo do auditório), a entrar junto na luta. Cita o próprio exemplo (os servidores da UFSM estão em greve há 16 dias) e solta: “ou nos valorizam ou vamos parar esse país!”.

16h10 e o número de assinaturas é 112.

16h15, 117. Haverá quorum, todos se animam, haverá votação.

Nem cinco minutos depois, 80 além do horário previsto para a primeira chamada, Carlos Pires diz que há quorum. Continuam as palavras dos professores, todas simpáticas à greve. Quando o microfone está nas mãos do professor do curso de História, Diorge Konrad, que critica os superávits primários com certa aspereza, ouve-se um certo burburinho em volta, e claramente se escuta uma professora comentando para outra a seu lado:

– Há 20 anos é esse mesmo discurso…

Alguns querem falar, mas os professores querem votar.

Pelas 16h45, Pires finalmente encaminha a votação. São três as opções: favoráveis à greve, contra e abstenções. O voto vai ser na base das mãos levantadas mesmo.

– Quem é favor?

Um pouco mais da metade levanta as duas mãos.

– Quem é contra?

Alguns tímidos braços são levantados. Quatro pessoas, para ser exato; uns ainda levantam e baixam rapidamente, com medo de serem os únicos.

Abstenções: cinco pessoas votam. Tumulto, os professores se levantam das cadeiras , gritos de comemoração ecoam pelo auditório vindo até dos poucos alunos que acompanham a sessão. Está deflagrado.

Greve dos professores da UFSM a partir de segunda-feira.

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