Ariberto Sendtko, adolescentes e valores. E limites

A propósito de reportagem publicada pelo jornal Diário de Santa Maria, em que é relatada a dificuldade de um conselheiro tutelar conseguir, no centro da cidade, recolher um garoto com sinais claros de que estava drogado, inclusive para que ele recebesse a devida atenção, recebi o seguinte texto, do colaborador Ariberto Sendtko, no que, ele chama a atenção, trata-se de uma opinião pessoal.

Adolescentes

Li, no final de semana, matéria em jornal local, a respeito de menor drogado no centro de Santa Maria, onde foi necessária a ação do Conselho Tutelar.
Lendo a matéria, recordei de situação presenciada no dia anterior, em frente ao COMEN, na Rua Euclides da Cunha. Em um determinado período da manhã, saíram do interior do prédio, acho que em torno de 8 a 10 adolescentes, foram para a parte frontal do prédio, sentaram no muro, na calçada, se empurravam etc. E a grande maioria pegou seu cigarrinho, acendeu-o e fumou-o despreocupadamente.
Como cidadão, aquela cena chamou-me atenção, pois provavelmente eles estariam no seu horário de intervalo de alguma “oficina” no COMEN.
Fiquei imaginando qual a imagem e conceito da Instituição que tem como alguns dos objetivos, a educação, promoção da saúde e recuperação da auto-estima de nossos jovens?
A cena constava de alguns adolescentes, em baixo da placa da instituição, demonstrando o contrário.
Parece-me, palpite meu, que não estavam entendendo a mensagem que lhes era repassada. Sei também, que muitas vezes o entendimento da mensagem passada demora a ser assimilado. Sei também das dificuldades de tais Conselhos, no sentido estrutural e educacional. Sei também das boas intenções impregnadas em seus integrantes.
Vieram-me à mente também, outras cenas diárias no centro de Santa Maria, no calçadão, nas praças, onde o uso e efeitos de substâncias entorpecentes são visíveis a todos os transeuntes.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, “veio” para cobrir algumas lacunas na legislação, mas será que uma das facetas deste não foi a perda da autoridade? E a conseqüente amarra às pessoas de boa índole (e disso temos certeza, pois conhecemos muitas pessoas conscientes e atuantes), que se preocupam com o crescimento físico, mental e espiritual dos adolescentes, dificultando a execução de tão digna tarefa.
Qualquer atitude fora do tal “regulamento” certamente será cobrada, como abusiva, por determinados pais. Justamente por aqueles pais que não teriam o direito de cobrar nada, pois não são exemplos de nada. Talvez o direito fosse o vale-família, o vale-escola, o vale-isso, o vale-aquilo, etc.
Sei que a tolerância deve ser exercitada, (principalmente porque observamos que no dicionário, Adolescente que dizer, no inicío), mas tudo tem limite.
Precisamos achar uma maneira de mostrarmos aos nossos jovens os verdadeiros valores, aqueles valores que farão a diferença frente à vida.
Não desistam, a vida vale a pena.
Ariberto Sendtko Filho



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