Docentes em greve decidem não deliberar sobre “suspensão do calendário letivo da UFSM”

Um número presente de 79 professores e debates altamente polêmicos. Essa foi a síntese da assembléia ocorrida na tarde desta terça-feira, dia 27, no Auditório Loi Trindade Berneira (no prédio da Química, no Campus). O ponto que mais exigiu discussões e colocou posições conflitivas em análise foi o que abordava a possibilidade de deliberar pela “suspensão do calendário da UFSM”.

Após o confronto de argumentos que durou mais de uma hora, a ampla maioria dos participantes da plenária definiu por não votar se era a favor ou contra a suspensão do calendário.

Do lado de quem era contra votar a suspensão do calendário destacou-se o professor do departamento de História, Joel Abilio Pinto dos Santos. Para ele, se a idéia fosse aprovada seria a decretação da “falência da greve”. Orlando Fonseca, professor do departamento de Letras Vernáculas, também contrário à idéia, considerou que a questão do calendário seria para uma negociação pós-greve e, que, aprovar a suspensão seria “institucionalizar a paralisação”. Para o professor Diorge Konrad, do departamento de História e integrante do Comando de Greve, apesar de achar que a questão do calendário seria para a negociação após o fim do movimento, se disse convencido do contrário pelo fato de existirem muitos professores dando aula em condições precárias.

Carlos Pires, presidente da SEDUFSM, enfatizou que o Comando de Greve não estava impondo que a assembléia deveria votar a suspensão do calendário, mas, teve o entendimento de que a idéia, até por ser polêmica, tinha que ser trazida para a discussão. Clovis Guterres, professor do Centro de Educação, achou importante debater o tema em função de que no âmbito da UFSM cresceram “os discursos legitimadores da não-greve”.

CONCURSOS – Uma outra preocupação discutida se refere ao prazo para homologação de concursos que visam ao preenchimento de vagas para professores. Conforme informação da Reitoria, o prazo se encerra no dia 12 de outubro e o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) precisa se posicionar a respeito do assunto. Após um debate mais curto, a decisão da assembléia foi de divulgar uma nota pública se posicionando favoravelmente a que o CEPE se reúna e permita a homologação dos concursos. Conforme o professor Diorge Konrad, a decisão da assembléia foi de “reiterar que a realização de concurso público para preenchimento do quadro de professores faz parte da pauta de reivindicação dos grevistas, sendo, portanto, de interesse da categoria que se efetive.”

Em relação ao tema orçamentário, a assembléia deliberou por não discutir naquele momento esse ponto. Os professores da UFSM se mantêm em assembléia permanente, podendo ser chamados a se reunir a qualquer momento.

OBSERVAÇÃO: o material acima publicado é o enviado pela assessoria de imprensa da SEDUFSM, através do jornalista Fritz Nunes

COMENTÁRIO MEU: a grande questão do movimento paredista dos docentes na UFSM passa ao largo da suspensão do calendârio. Antes, na verdade, é preciso que se diga que, como se suspeitava antes mesmo do início da greve, torna-se cada dia mais evidente a falta de mobilização da categoria para uma paralisação massiva – que seja efetivamente percebida pela sociedade e, portanto, em melhores condições de provocar a negociação real de uma proposta do governo. A própria presença de menos de 80 professores na reunião desta terça (quase metade dos que deflagraram a greve) é sinal eloquente da desarregimentação.
De outro lado, há a questão dos concursos (e dele trata reportagem do jornal A Razão desta quarta-feira, que reproduzirei em nota posterior) – esta sim, como disse um professor na assembléia, constante da pauta de reivindicações dos grevistas.
A tendência, percebe-se pelo material enviado pela AI/SEDUFSM, é acabar com o boicote às reuniões do CEPE. Não apenas (o que já seria relevante) porque se trata de pleito dos docentes, mas, também, porque a continuidade da postura implicaria obviamente numa reação ruim da comunidade. Esta, até agora indiferente ao movimento docente, poderia se manifestar – e de forma contrária. O que não é desejado por ninguém, especialmente pelos paredistas.



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