“Guerra Civil”. Pimenta relata CPI que ouve advogada de Marcola, acusada de comprar fita

Não há dúvida. Depois de o peemedebista Cezar Schirmer ter justamente se notabilizado no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, ao relatar processo contra o ex-presidente da Casa, João Paulo Cunha, mais tarde inocentado no plenário, é outro santa-mariense que ganha realce nacional por atuação no Congresso.

O petista Paulo Pimenta é relator da CPI do Tráfico de Armas. E é nessa condição que, junto com outros deputados, questionou (e ainda questiona) a advogada Maria Cristina de Souza Rachado. Advogada de Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), que desencadeou os acontecimentos da última semana, que mataram mais de 160 pessoas em São Paulo, ela é acusada de comprar uma fita de áudio de sessão secreta da mesma CPI, na quarta-feira anterior às rebeliões. Na ocasião, os deputados ficaram sabendo da intenção das autoridades de segurança de transferir centenas de presos, inclusive Marcola.

Sobre a CPI, o depoimento de hoje e a participação de Paulo Pimenta, leia dois textos publicados agora há pouco, na internet. O primeiro distribuído pela agência de notícias da Câmara dos Deputados (www2.camara.gov.br/internet/agenciacamara/), o segundo editado no site de Ricardo Noblat (www.noblat.com.br). Confira:


NOTÍCIA DA CÂMARA

”CPI: Relator aponta contradição em depoimento de advogada

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), acompanhou, a partir de imagens do sistema de segurança da Câmara, toda a movimentação da advogada Maria Cristina de Souza Rachado na Câmara no último dia 10, e apontou diversos momentos do depoimento de hoje em que ela caiu em contradição. Pimenta advertiu que a representante estava correndo risco de incorrer em falso testemunho.

O relator questionou o que a advogada fazia na Câmara, já que, segundo ela, veio para Brasília sem ter reservado o vôo. Maria Cristina insistiu que não ficou com o CD do áudio de uma sessão reservada da CPI. Ela admitiu ter pago pela cópia do CD, mas disse que devolveu o disco para o técnico de som Artur Vinicius Pilastre Silva, que prestava serviço à Câmara por meio de empresa terceirizada. Artur Vinicius teria prometido entregar um outro CD completo e combinou de enviar um e-mail para ela.

Habeas corpus

Ao ser questionada sobre um e-mail que recebeu de Artur Vinicius em 12 de maio, a advogada explicou que, como o técnico de som ganhava pouco, havia combinado com para que ele consultasse o andamento de habeas corpus em tribunais superiores de Brasília. A advogada teria respondido em outro e-mail: “Conforme combinado, segue e-mail sobre andamento do hc em Brasília.”



O TEXTO DE NOBLAT

”Advogada de Marcola vira piada em CPI

Está divertidíssimo o depoimento de Maria Cristina Rachado à CPI do Tráfico de Armas. Ela é advogada de Marcola, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Maria Cristina foi quem comprou por R$ 200 no último dia 10 o áudio de uma sessão secreta da CPI. O material foi vendido por Artur Vinicius da Silva, funcionário responsável pela sonoplastia da CPI.

À CPI, Maria Cristina se atrapalha toda nas respostas. Disse que foi com Artur a um shopping de Brasília tirar cópia do CD com o áudio da sessão. Mas que devolveu o CD ao funcionário. Por que? Ela não respondeu.

O pior: em emails trocados nos dias seguintes com Artur, a advogada pergunta a ele sobre um “HC”. E qual foi a resposta dela à CPI sobre o que seria um “HC”?

Simples: ela contratara o sonoplasta para acompanhar processos de seus clientes no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF).

E afirmou que recebe R$ 2 mil mensais de uma tia de Marcola chamada Maria Aparecida – que, segundo ela, seria ambulante – como pagamento dos honorários do líder do PCC.

– A senhora mente à CPI – disse o relator, Paulo Pimenta (PT-RS).

Virou motivo de piada o depoimento. Logo depois, a CPI quer fazer a acareação entre ela, o funcionário da Câmara e o advogado Sérgio Wesley da Cunha, que também participou da compra do áudio.

A CPI decidiu ainda ouvir Marcola no Fórum da Barra Funda, em São Paulo. Definirá a data com o governo paulista.”


SE DESEJAR ler mais sobre a “guerra civil” paulista, há vários sites acompanhando bem de perto os acontecimentos. Sugiro quatro deles: Terra – http://noticias.terra.com.br/brasil/guerraurbana/, Folha Online – http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/, Ricardo Noblat – www.noblat.com.br e Josias de Souza – http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/. Não são os únicos, por certo, mas, se lê-los, terá informação e opinião de qualidade. Recomendo!



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