Para Josias, PMDB pode acabar no colo de Alckmin. Precavidamente, fala em jogo zerado

O jornalista Josias de Souza publicou o texto abaixo, em seu site (http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/) exatamente às 18h55 desta quarta-feira. Confira:


“Decisão do TSE empurra lulista Renan para Alckmin

Nenhum outro político simboliza melhor a hecatombe que se abateu sobre o Congresso depois que o TSE decidiu, na noite passada, endurecer as regras da verticalização partidária do que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A reviravolta pode impor a Renan, um fervoroso defensor dos interesses de Lula dentro do PMDB, um entendimento compulsório com Geraldo Alckmin.

O lulista Renan associou-se em Alagoas à candidatura do tucano Teotônio Villela Filho. A prevalecer a nova ordem do TSE, a junção só será possível se o PMDB de Renan coligar-se nacionalmente com o PSDB de Teotônio. Isso porque o tribunal pôs fim à festa que permitia aos partidos sem candidato à presidência, como o PMDB, fazer nos Estados as coligações que bem entendessem.

O mesmo fenômeno atormenta outro lugar-tenente de Lula dentro do PMDB: o senador José Sarney. Na disputa pelo governo do Maranhão, Sarney defende a candiatura de sua filha, Roseana Sarney, que é do PFL. Ele tramava a adesão do PMDB maranhense à chapa da filha. Agora, o acerto só será possível se o PMDB se coligar nacionalmente com Alckmin, a quem o PFL de Roseana está associado.

Ao decidir que partidos solteiros na eleição presidencial não podem mais se amasiar livremente nas eleições regionais, o TSE implodiu inúmeros palanques nos Estados, eis o resumo da encrenca. Há uma atmosfera de luto e perplexidade no Congresso. Vários partidos planejam protocolar no Tribunal Eleitoral pedidos de explicação. Acham que as novas determinações precisam ser mais bem explicadas.

Ninguém se entende em meio à algaravia. Quem não tinha candidato à presidência, como o PMDB, passou a cogitar a hipótese de ter. Quem se alinhou à candidatura presidencial de outra legenda, como o PFL, começou a considerar a alternativa de se desalinhar. Em suma, o jogo foi como que zerado.

A julgar pelo caráter suprapartidário da contrariedade, a confusão gerada pelo TSE não serve, em princípio, aos interesses de nenhum partido. Há prejuízos para as duas candidaturas presidenciais mais bem-postas nas pesquisas, a de Lula e a de Geraldo Alckmin.

Foi cancelado o jantar que Lula teria nesta quarta-feira com a ala governista do PMDB. Sem rumo, os peemedebistas não teriam o que dizer ao presidente, que pretendia costurar alianças do PT com o PMDB nos Estados. Em reunião de sua Executiva nacional, o PMDB decidiu ouvir os governadores do partido na próxima segunda-feira.

Ainda às voltas com a candidatura presidencial de Pedro Simon (RS), o PMDB deve concorrer aos governos de pelo menos 18 Estados. Em cerca de 13 deles, os candidatos do partido costuram entendimentos com o PSDB ou com o PFL. Ou seja, com as mudanças impostas pelo TSE, o partido estaria mais bem servido, pela lógica, se formalizasse uma aliança com Alckmin.

No PFL, a tendência é de manutenção da aliança nacional com o PSDB de Alckmin. Mas o preço a ser cobrado vai aumentar. Nos próximos dias, a pefelândia vai encostar a faca na garganta do tucanato. O partido quer definições rápidas e claras em relação à reprodução da aliança em vários Estados onde o acerto permanece em aberto.”



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *