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Andar de cima. PF mostra muito serviço. E já incomoda inclusive setores até agora livres

As acusações, ou no mínimo insinuações, são evidentes. A Polícia Federal estaria sendo utilizada politicamente pelo governo, para trazer boas notícias. O que, obviamente, traria benefícios ao governo e ao projeto de reeleição do presidente Lula.

Isso é uma bobagem rematada. Ainda que com um fundo de verdade – no que toca aos efeitos. E também uma grossa injustiça para com uma instituição que, desde a redemocratização, é extremamente profissional.

A bobagem é acreditar que uma determinada ação seria retardada (afinal, algumas investigações começaram há mais de dois anos) apenas para beneficiar A ou B, e permitindo que eventuais bandidos fugissem.

A verdade, no que toca aos efeitos, é que, sim, a exposição de resultados das investigações neste momento tende a beneficiar quem comanda a Polícia Federal. No caso, o Governo, através do Ministério da Justiça que, por sua vez, é chefiado pelo Presidente da República.

A grossa injustiça é para com os profissionais da Polícia Federal que, a despeito de inúmeras dificuldades técnicas, conseguem levar a cabo o seu trabalho, com a eficiência além do possível.

Por fim, há um dado a acrescentar-se: o clamor eventual de parte da mídia e de, mesmo, certos candidatos, se deve a uma singela razão: os presos pelos federais, nos últimos tempos, não são negros, pobres ou favelados. Mas grã-finos, até bem pouco tempo atrás agraciados com a impunidade. Essa, sim, é a grande novidade: o crime do andar de cima começa a ser punido. Isso precisa ser devidamente comemorado – não importa a quem vai beneficiar eleitoralmente, numa circunstância – pela sociedade.

A propósito das ações da PF, e inclusive sobre as insinuações bem diretas que têm sido feitas, convém, talvez, ler reportagem de Vannildo Mendes, que o jornal O Estado de São Paulo está publicando em sua edição deste domingo:

”Polícia Federal aumenta número de operações em ano eleitoral
São 74 ações em menos de 8 meses, quatro vezes mais do que o registrado em todo o primeiro ano de Lula

Embora negue qualquer viés político em sua atuação, a Polícia Federal intensificou as operações de combate à corrupção neste ano eleitoral. De 1º de janeiro a 18 de agosto, foram realizadas nada menos que 74 operações, contra 61 ao longo de todo o ano passado. O número é quase quatro vezes maior que o registrado no primeiro ano do governo Lula – 16 operações – e 80% maior que o total de 2004, quando houve 42 ofensivas da Polícia Federal.

O balanço da PF, usado como trunfo na campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mostra que as operações deste ano levaram à prisão de 1.050 pessoas – 523 delas por corrupção, das quais 220 servidores públicos. De 2003 até agora, foram presas 3.342 pessoas de todo o País nessas operações, das mais diferentes camadas econômicas, condição social e militância política. Desse total, quase 2.000 respondem a processo por corrupção – ativa e passiva – e 670 são servidores públicos.

O levantamento das operações mostra que o combate à corrupção, uma das bandeiras da gestão Lula, seguiu trilha de crescimento constante. O uso dessa bandeira tem levado a oposição a acusar o governo de politizar a ação da PF, colocando a instituição a serviço da reeleição.

A média alcançada pela Polícia Federal neste ano atingiu a marca de mais de dez operações por mês. À medida que o calendário eleitoral avança, o ritmo tem se intensificado. De 1º de julho para cá, a PF realizou 20 operações, 12 das quais só nos primeiros 18 dias de agosto. Na última semana, houve quase uma operação por dia. Para se ter uma idéia da amplitude desses números, a soma de prisões por corrupção apenas deste ano supera a dos quatro anos do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (1998-2002), quando foram presas 490 pessoas.

O governo alega que todas as ofensivas policiais são fruto de investigações que começaram há dois anos ou mais e passaram por um longo processo de maturação, com escutas e ações de inteligência antes de serem desencadeadas. “Operações como essa não podem ser apressadas nem retardadas. Elas amadurecem com escutas, investigações, inteligência e construção de conexões”, disse o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em entrevista concedida na quinta-feira, logo após a Operação Dilúvio, na qual 118 pessoas tiveram a prisão decretada, acusadas de envolvimento no maior esquema de fraudes em importações desmantelado no País até agora. “Não há nenhum tipo de intencionalidade em fazer operação por causa da eleição”, afirmou.

Desde a eleição passada, o governo Lula elegeu o combate à corrupção como uma de suas principais bandeiras…”


SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornal O Estado de São Paulo na internet, no endereço http://www.estado.com.br/editorias/2006/.

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