Análise. Apesar do “veneno” da campanha, que ninguém esqueça de respeitar a vontade popular

Como há muito tempo, se é que isso alguma vez aconteceu, desde que a redemocratização do país, no início dos anos 80, não havia tamanha radicalização numa campanha eleitoral. Militantes, alguns dos grandões inclusive, estão perdendo a noção do que é política e o que é apenas querer a destruição do oponente.

Isso não é exatamente uma coisa boa para a Nação. Há que se ter claro que, como no futebol, por exemplo, temos um vencedor do campeonato. E um perdedor. E não se pode avançar além da conta o sinal, do contrário, quem sai derrotado é o esporte. Ou, no caso da política, a democracia – onde, sobretudo, deve ser respeitada a vontade popular.

Isso, e a preocupação com o pós-eleição, é tema de artigo publicado pelo jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo, em sua página na internet. Vale a pena ler:

”Veneno pós-eleitoral

É natural que candidatos e partidos em campanha tentem pintar os adversários com as piores cores. É normal também que se empenhem em embaraçar os movimentos do inimigo. Porém, há na atual cruzada eleitoral algo que foge aos padrões. Arma-se um clima de fim do mundo para depois da disputa presidencial.

Envenenou-se demais a atmosfera. Um lado, o de Alckmin, afirma que um novo governo petista acabaria antes mesmo de começar. O outro lado, o de Lula, confunde o noticiário legítimo sobre corrupção e perversões com uma aliança imaginária da mídia com setores da “direita”, para prejudicar o “pai dos pobres”.

PT e PSDB, as duas legendas que enxergam no horizonte a perspectiva de poder, precisam levar a mão à consciência. O discurso aguerrido, próprio de toda campanha, está a um passo de ultrapassar a fronteira que leva à retórica insana. O país não merece que os dois frutos mais viçosos que sua democracia foi capaz de cultivar entreguem-se agora a um flerte irresponsável com a ruptura institucional.

A liados no combate à ditadura, petistas e tucanos não têm – ou não deveriam ter – o perfil de uma gente que o marechal Castello Branco, há mais de 40 anos, chamava de “vivandeiras alvoroçadas”. Gente que ia “aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar”.

Mas as últimas semanas demonstram que o Brasil, embora já não tenha mais militares dispostos a extravagâncias, ainda não se livrou dos acessos de histeria política. Foram-se as aventuras fardadas, mas remanesce a idéia de “derrubar”, de “inviabilizar” governos legitimamente eleitos.

Considere-se, por mais provável, a hipótese de vitória de Lula. Foi escolhido em 2002 por 52 milhões de brasileiros. Prometera uma prosperidade de 10 milhões de empregos e uma moralidade de mosteiro. Noves fora os êxitos de uma administração por avaliar, entregou a estagnação do PIB e a corrupção.

A despeito disso, um número ainda maior de eleitores parece disposto a confiar-lhe um novo mandato. O que fazer? Respeitar a vontade popular. Permitir que Lula governe. Exatamente como aconteceu em 98, quando FHC foi reeleito. O “príncipe” conduzira um governo que também não foi nem imaculado nem próspero…”


SE DESEJAR ler a íntegra do artigo, pode fazê-lo acessando a página do jornalista na internet, no endereço http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/.



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