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A origem. De onde saiu o dinheiro que bancou as campanhas presidenciais de Lula e Alckmin

Banqueiros e empreiteiras. E seus similares. E algumas pessoas físicas endinheiradas. O grosso das contribuições que bancaram as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin saiu exatamente do bolso dessas criaturas muito especiais.

Os jornalões paulistas, especialmente O Estado de São Paulo chamaram corretamente (não há o que contestar) a atenção para o fato de pouco mais de um quarto da campanha de Lula ter sido bancado por banqueiros e empreiteiras. Só esqueceu de dizer que percentual semelhante (menos em valores absolutos, tanto quanto o gasto total do tucano, aliás) foi empregado na tentativa de eleger Alckmin. Mas isso já faz parte da história recente da mídia, que ninguém (que tem três neurônios) dá muita bola.

É significativo, porém, que os principais candidatos ao posto máximo do executivo brasileiro tenham que contar com apoios deste porte (quando é mesmo que vem o financiamento público, que baratearia as disputas eleitorais?) para viabilizar suas pretensões. E que isso gera, obviamente, no mínimo uma expectativa do doador, também não há dúvida. Se bem que os tubarões não são bobos: apóiam todos os que têm alguma chance. E, aí, o jogo acaba (mais ou menos) zerado.

Em todo caso, pra você ter uma idéia de como a imprensa paulista tratou o caso, reproduzo o texto assinado pelo repórter Sérgio Gobetti (com a colaboração de Sônia Filgueiras), da Agência Estado, o braço de internet do jornalão O Estado de São Paulo. Dê uma lida:

”Empreiteiras e bancos foram maiores doadores a Lula
Setor privado colaborou com R$ 11,9 milhões – pouco mais do que doado a Alckmin

As empreiteiras e os bancos foram os principais doadores da campanha pela reeleição do presidente Lula, contribuindo juntos com R$ 24,4 milhões para os cofres do PT, 27,5% do recurso financeiro declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As empreiteiras, lideradas pelo Grupo Camargo Correa, segundo maior doador individual, ao lado do Itaú, injetaram R$ 12,5 milhões nos cofres petistas, enquanto o setor financeiro colaborou com R$ 11,9 milhões – pouco mais do que o doado ao tucano Geraldo Alckmin. Os números revelam ainda que as empresas que prestam serviços ao governo e às estatais estão entre as que mais ajudaram financeiramente o petista a conquistar o segundo mandato. No ramo de petroquímica, por exemplo, inúmeras empresas que fornecem equipamento ou fazem obras para a Petrobras estão no topo da lista de doadores. É o caso da Acrinor, Conduto, Unigel e UTC Engenharia. Juntas, as quatro contribuíram com R$ 4,2 milhões. No total, o setor petroquímico desembolsou R$ 6,65 milhões.

Apesar das queixas contra a valorização do câmbio, o setor de agrobusiness – com destaque para o sucroalcooleiro – também foi bastante generoso com o presidente Lula, despejando R$ 10,9 milhões na campanha pela reeleição. É neste ramo, justamente, que está o principal doador individual do PT: a Cutrale, a maior exportadora de sucos do País. A empresa deu R$ 4 milhões para Lula e apenas R$ 1 milhão para Alckminn.

Ainda no agrobusiness, a holding JBS, controlador do frigorífico Friboi, aparece como o sexto maior doador individual do PT, com R$ 2.504.00 – apenas R$ 2 mil a menos que o Bradesco. No ano passado, o grupo Friboi se envolveu em uma polêmica com a União Democrática Ruralista (UD) por receber um financiamento de US$ 80 milhões do BNDES para adquirir um frigorífico argentino.

Outra empresa beneficiada pelo governo que contribuiu para a campanha petista é a Cast Informática, que recentemente assinou um contrato de R$ 22,4 milhões com o Serpro para fornecer softwares de apoio. Ela também presta serviços e disputa licitações em muitos outros órgãos da administração federal e contribuiu com R$ 500 mil para os cofres do PT. Outro setor de peso na economia e no financiamento da campanha de Lula foi o da mineração e siderurgia.

Juntos, os dois contribuíram com R$ 12,9 milhões. Individualmente, o Grupo Gerdau foi o maior doador do segmento, com R$ 3,1 milhões – quarta maior…”


SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página da Agência Estado na internet, no endereço http://www.estadao.com.br/ultimas/nacional/noticias/2006/nov/28/401.htm.

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