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Olho do furacão. Peão de boiadeiro, profissão reconhecida; controlador de vôo, não. Mas…

Desde que aconteceu a maior acidente da aviação brasileira, no final de setembro, na antevéspera da eleição presidencial em primeiro turno, os controladores de vôo estão no olho do furacão. E a operação-padrão, ainda em andamento, que atrasa vôos em todo o território nacional, ajuda a expor a situação desses profissionais que sequer são reconhecidos como tal.

A frase que dá título a esta nota, fazendo a relação com outras profissões, como a de peão, é apenas um dos motivos de mágoa desses homens sem os quais nenhum avião voaria em segurança. E ela foi dita, sob o sigilo de que não fosse divulgada, numa entrevista muito especial, e que vale a pena ler, por um controlador ouvido com exclusividade por A Razão.

Com revelações extraordinárias, o texto é publicado na edição desta segunda-feira do jornal. Vale a pena ler. Confira, aqui, um trecho:

”Há mais coisas no ar que aviões de carreira

Com relação aos recentes acontecimentos envolvendo o tráfego aéreo nacional, A Razão entrevistou esta semana um controlador de vôo com 30 anos de experiência e atualmente trabalhando em um dos principais aeroportos do país. Em visita a familiares e amigos em Santa Maria, este controlador de tráfego aéreo (CTA), que temendo represálias de seus superiores pede para não ser identificado, concedeu uma entrevista exclusiva visando elucidar os principais problemas que afetam a aviação civil brasileira. Desde o fatídico acidente com o vôo 1907, os usuários do transporte aéreo nacional convivem com atrasos e cancelamentos que vem gerando o caos nos aeroportos nacionais.

A Razão: O acidente do vôo 1907 da Gol foi o estopim para os problemas enfretados na aviação civil brasileira?
Controlador de tráfego aéreo (CTA): -Existia uma tragédia anunciada, pois desde 2001 existiam problemas no sistema de proteção ao vôo semelhantes aos que vêem ocorrendo nos últimos dias como atrasos e cancelamentos. Porém a realidade era outra, existiam mais aeronaves no sistema, já que existiam empresas como a Varig e Vasp. Nada foi feito. O problema é sistêmico, ou seja, os apoios a navegação aérea que são responsabilidade do departamento de controle do espaço aéreo, encontran-se sucateados e por vezes em sistema de canibalização de equipamentos. Na região onde ocorreu o acidente do Legacy e o boeing da Gol, autoridades brasileiras trocaram o projeto inicial de várias bases de radares fixas, que tem um custo muito alto de implantação e manutenção, por 8 aviões dotados de radares. É óbvio que nem sempre todos estão no ar em operação. Com o evento do acidente e seus desdobramentos, foi notado pelos controladores de vôo uma tendência em achar um único culpado: os controladores de vôo.

A Razão: Estão culpando os controladores de vôo pelo acidente do vôo 1907 entre o Legacy norte-americano e o boeing da Gol?
CTA: Extra-oficialmente há um conjunto de culpas que envolvem todo o sistema de proteção ao vôo no Brasil, e os controladores de vôo são o elo mais fraco desta corrente.

A Razão: Quem são os outros elos desta corrente?
CTA: Primeiro, as tripulações envolvidas por estarem voando em uma área na qual a cobertura radar e de comunicação terra-ar tem se mostrado deficiente na rota onde ocorreu o acidente: Toda região norte do Mato Grosso e sul do Pára. Em segundo, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro por não ter efetuado as devidas manutenções e melhoramentos nesta região. Ou seja, a aplicação correta dos meios para consolidação do projeto Sivam – Sistema de Vigilância da Amazônia – que no papel tem a cobertura total por radares e transmissores VHF. Na realidade isto apenas supre parte dos monitoramentos necessários visto que esta cobertura é feita por aviões da FAB dotados de radares. Quando estes aviões estão no solo, a área torna-se sem cobertura-radar. Em síntese, o controle áereo passa a ser convencional, exigindo maior espaçamento entre as aeronaves. Em outras regiões existem deficiências de cobertura-radar que vinham sendo monitoradas por radares adjacentes, o que sobrecarregava o fluxo para os controladores.

A Razão: Nos EUA e na Europa existe uma média de um controlador de vôo para cada aeronave no ar. Está situação é a mesma no Brasil?
CTA: O Brasil esta subordinado ao que preconiza a Organização Internacional de Aviação Civil – ICAO- que estabelece um número de no máximo cinco aeronaves vetoradas por controlador. No entanto, na atualidade, os controladores não mais vetoram, e sim prestam vigilância-radar devido a deficiência de pessoal e equipamentos, como também o excesso de tráfego aéreo. Desta forma podem ter um número maior de aeronaves sobre sua supervição, sobrecarregando o profissional de forma direta, pois em um ou outro serviço, há uma diferenciação muito sutil entre vetoração e vigilância-radar.

A Razão: Qual é a diferença entre vetoração e vigilância-radar de uma aeronave?
CTA: Na vetoração o controlador é responsável pela navegação da aeronave, ou seja, estará determinando altitudes, velocidades e direções. Na vigilância-radar há uma co-participação da tripulação que apenas receberá advertências de tráfegos…”


SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornal na internet, no endereço www.arazao.com.br, ou na versão impressa, nas bancas nas primeiras horas desta segunda-feira.

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