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Quem acredita? Coronel Ustra garante que não torturou ninguém, durante o regime militar

Ouvido pelo repórter Roney Rodrigues, do portal “G-1”, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra declarou, textualmente: “a lei é bem clara a esse respeito, ela diz que se um agente de Estado comete um crime no exercício de sua função, quem é responsabilizado é a Nação, é o Estado. No meu caso, se crime eu tivesse praticado, e eu não pratiquei, eu não poderia estar sentado no banco dos réus. Quem tinha de estar sentado no banco dos réus era o Estado e não eu.”

Figurinha carimbada em tudo quanto é documento elaborado por fontes isentas ou não como um dos grandes torturadores do regime militar, Ustra está sendo julgado por crimes cometidos ao tempo em que era comandante do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), um dos mais sanguinários organismos repressivos do tempo da ditadura.

E somente deixou funções importantes nas Forças Armadas no início dos anos 80 quando foi reconhecido por uma de suas vítimas, a atriz Beth Mendes, quando o coronel estava como adido militar em Montevidéo. E, agora, é o primeiro caso de militar processado por tortura.

Para entender mais o caso, saber da posição do coronel e de suas vítimas, leia a íntegra da reportagem do portal de notícias das Organizações Globo:

”JULGAMENTO MOSTRA QUE FERIDA DO REGIME MILITAR AINDA NÃO SAROU
Pela primeira vez, um militar de alta patente, o coronel Brilhante Ustra, responde por tortura; o G1 ouviu acusado e acusadores

A Justiça paulista começou a julgar nesta semana o coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, 74 anos, ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão de repressão durante a ditadura (1964-1985). É a primeira vez que um militar responde a um processo por tortura por suas ações durante o período de exceção.

Na ação, os ex-presos políticos César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida Teles, Janaína de Almeida Teles, Edson Luis de Almeida Teles e Criméia Alice Schmidt de Almeida acusam o coronel Ustra de exercitar violência e crueldade contra prisioneiros, ao longo da década de 70. A defesa do coronel afirma que ele não tem responsabilidade direta sobre os fatos relatados e que, seja qual for o juízo sobre esses fatos, os crimes cometidos durante o período foram anulados pela Lei da Anistia, de 1979.

O G1 ouviu os dois lados. Brilhante Ustra negou abusos contra a família Teles e levantou inclusive a possibilidade de processar os autores da ação quando o atual processo terminar. Amélia Teles e outros dois ex-presos políticos afirmam que não só foram vítimas, mas também presenciaram a ação direta do coronel em atos de tortura na prisão.

“Eu nunca torturei ninguém”, afirma Ustra. “Está nos jornais escrito que eu sou acusado de 502 acusações de tortura. Ora, no meu órgão (DOI-Codi) passaram milhares de presos. Acho que uns 4 mil presos passaram por lá. Praticamente todos eles diziam: ‘não cometi, eu falei sob tortura’. Então não são 500 acusações, são mais de 4 mil”, disse o coronel ao G1. “Excessos em toda guerra existem, podem ter existido, mas a prática de tortura como eles falam não ocorreu. Eu efetivamente não cometi excesso contra ninguém. A minha missão como comandante não era de estar ali junto, interrogando preso. Eu não torturei ninguém.”

Acusado de ter mantido duas crianças, Janaína e Edson Luis, filhos do casal Teles, irregularmente dentro das dependências do DOI-Codi, o coronel afirma que hoje paga pelo erro de ter tentado ajudar. “Estou sendo execrado publicamente”, reclama. Na versão dele, as crianças ficaram sob cuidados de uma policial militar e visitavam os pais presos entre uma e duas horas por dia até que os tios, que moravam em Belo Horizonte, vieram buscá-las. “Estão me processando por algo que eu não fiz.”

A mãe das crianças, Maria Amélia, não quis comentar as declarações do coronel. “O que afirmo é que meus filhos foram seqüestrados. Ficaram dentro da Operação Bandeirantes (núcleo de repressão) e nos viram, tanto a mim quanto ao pai, sendo torturados. Eu estava sentada na cadeira do dragão (usada para choques elétricos) quando minha filha entrou na sala. O pai tinha entrado em estado de coma e estava se recuperando. Tanto é que meu filho perguntou ‘por que o pai é verde?’ e minha filha perguntou por que eu estava azul.”

Maria Amélia afirma que levou um “safanão” de Ustra ao chegar à prisão, em agosto de 1972, simplesmente porque havia pedido tratamento mais digno para seu marido, César Teles, e para outro preso, integrante do Partido Comunista, assassinado dentro da prisão. “Ele me deu um safanão no rosto dizendo ‘dane-se, sua terrorista’. Eu caí no chão e todos os outros me pegaram e…”


SE DESEJAR ler a íntegra da notícia, pode fazê-lo acessando a página do “G-l”, o portal de notícias das Organizações Globo, no endereço http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,AA1346783-5601-3911,00.html.

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