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Forrobodó (2). O vai-e-vem e o sai-não-sai do governo. O PP perde o rumo. E espera por Yeda

A governadora Yeda Crusius, se dependesse de seu temperamento (é uma avaliação claudemiriana muito particular e, portanto, suscetível a equívoco), já demonstrado em várias manifestações públicas, muito provavelmente despacharia o PP imediatamente para o ostracismo dos sem-governo. Aliás, ela utilizou, ainda na quinta-feira passada, a expressão “traição”, em entrevista algumas horas após a supergoleada (34 x 0) que sofreu na Assembléia Legislativa, que rejeitou, com apoio inaudito e expresso dos progressistas, o Plano de Recuperação Econômica.

 

No entanto, veja só, partiu da Chefe do Executivo o pedido de “calma”, nessa hora. O que não faz um final de semana prolongado, diria aquele experimentado analista. Não há dúvida: Yeda quer o PP pelas costas. Pelo menos o PP presidido por Jerônimo Goergen. E adoraria ter o PDT de volta ao ninho governista. Mas, mas… como prescindir de quadros importantes dos progressistas? De que adianta ter figurões ao seu lado e perder de vez os votos (sim, a maioria dos nove deputados, ou boa parte deles, ainda se afina com o Palácio Piratini), como já aconteceu com o DEM do vice-governador Paulo Feijó? Ainda mais que o PDT jamais iria inteiro para o governo. Rossano Gonçalves, suas manifestações indicam, iria correndo. Mais um ou outro, caminhando. E só. E Enio Bacci voltaria à ativa, girando sua metralhadora, ainda não tendo esquecido que foi banido da secretaria de Segurança.

 

Então, o jeito é mastigar a raiva, engolir os desaforos (se foi o caso) e buscar outra alternativa. Afinal, embora tenha pedido para sair, como se desfazer da competência de Otomar Vivian à frente do IPE? E é só um exemplo. Por isso o pedido de calma. Com certeza, algum tipo de depuração virá, com o respaldo não mais da direção oficial do PP, mas de seus “pró-homens”. Celso Bernardi, secretário de Relações Institucionais, e Francisco Turra, diretor do BRDE, seriam as pontes em direção a Jerônimo Goergen.

 

Além do que, o caldo está fervendo internamente no PP, de forma que não precisa ajuda alguma de fora para acelerar o bafafá. O jornalista Políbio Braga, normalmente bem informado, jura, em sua página na internet, que a situação não ficará assim. Mas…

Em todo caso, até uma reunião meio secreta (“informal”) entre parlamentares e figurões do PP aconteceu, segundo o blog da colunista Rosane de  Oliveira, de Zero Hora. No encontro, do meio para o fim da tarde desta segunda, optou-se pela permanência, por enquanto, no governo. Até quando? Ora, simples, até quando Yeda quiser. O resto é só discurso.

Como, aliás, o que se percebe na Nota Progressista, divulgada pela Executiva do partido e assinada pelo seu presidente, como você lê a partir de agora. Confira:

 

“NOTA PROGRESSISTA

“Crise entre aliados exige espírito público e grandeza política”.

O episódio da votação do plano de recuperação do Estado, na quarta-feira da semana passada, acabou gerando dificuldades nas relações entre o PP e o Governo do Estado. A proporção dos acontecimentos, entretanto, gerou conflitos desnecessários e menores do que o papel que os gaúchos esperam de seus agentes políticos, responsáveis que são pela geração de serviços públicos essenciais à sociedade.

O Governo do Estado tem um desafio imensamente maior a enfrentar em nome da verdadeira “base aliada”, que são todos os gaúchos. É por isso que interesses e vaidades pessoais precisam ser deixadas de lado. O mesmo se refere a transferência de responsabilidades.

 O momento exige que cada um avalie seus atos e assuma sua parcela de culpa no episódio do dia 14 de novembro. A governadora Yeda Crusius, num ato de grandeza, sinaliza que a hora é de prudência e calma, o que reforça ainda mais nosso compromisso com o Estado. É por isso que, em nome do Rio Grande, faço um apelo pela unidade.

A superação das dificuldades do Rio Grande do Sul exige um esforço de todos. O PP, com humildade, irá retirar lições positivas do episódio para levar adiante aquela que é a razão de ser da política: construir democraticamente uma sociedade justa e harmônica. É preciso que todos, governo, poderes estaduais e federal, partidos aliados e de oposição façam o mesmo…

OPINIÃO CLAUDEMIRIANA: o PP, se não se definir internamente, deixando claro quem é quem, entre “nova” e “velha” gerações, corre o sério risco de se transformar num neo-PSDB, aquele, que preferia ficar em cima do muro. Ou, o que seria politicamente ainda mais desagradável para uma sigla com história como a dos progressistas, ficar dos dois lados do muro.

SUGESTÃO DE LEITURA – Confira a íntegra da nota oficial divulgada por Jerônimo Goergen, Presidente Estadual do Partido Progressista.

Leia também a notícia “PP discutirá com Executivo permanência no governo”, publicada por ZH.Com, com informações da Rádio Gaúcha.

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