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Mídia e sociedade. Na Sedufsm, uma nada acadêmica discussão sobre a comunicação e o poder

Só lamento não ter estado presente. Estava provavelmente à cata de informações, cara professora (e competente colega) Márcia Amaral – que fez uma referência que entendi elogiosa ao trabalho desta (nada) humilde página de internet.

 

Em todo caso, para os que participaram foi interessantíssima a discussão sobre Comunicação e Poder. Além da própria Márcia, da UFSM, esteve no auditório da Sedufsm (a promoção fez parte do festerê de 18 anos da entidade) a professora da Unisinos, Christa Berger.

 

O relato do debate, enviado aos veículos de comunicação, é feito por Fritz Nunes, da Assessoria de Imprensa da organização docente. A foto (de Christa) foi feita por Renato Seerig. A íntegra você tem a seguir. Confira:

 

“Mídia, entre a dominação e a autonomia cidadã

Palestra ocorreu nesta segunda, 26, no auditório da SEDUFSM

 

A relação entre “Comunicação e poder” é complexa, não se resumindo a colocar de um lado uma imprensa manipuladora e de outro, os manipulados. É preciso levar em conta os espaços de disputa de poder, de conflito, e que a imprensa não tem “poder absoluto”. Esse aspecto foi consensual entre as falas da palestrante de segunda, 26, na programação de aniversário da SEDUFSM, professora de jornalismo da Unisinos, Christa Berger, e de sua anfitriã, a professora de jornalismo da UFSM, Márcia Franz Amaral. Para a docente da Unisinos, quando se fala no poder da comunicação deve-se pensar no lugar ocupado por ela na atualidade e, também, quais os fios que fazem parte dessa teia ligando mídia e política.

 

Christa Berger explica que os estudiosos do tema conceituam o momento vivido pela humanidade de diversas formas, mas em todos eles, a questão da comunicação ocupa papel de relevo. Alguns falam em ‘sociedade midiática’, outros em ‘sociedade do conhecimento’, outros em ‘sociedade da informação’, entre outras classificações. O fato principal em tudo isso é que se pode considerar que, assim como ressalta Muniz Sodré, professor da UFRJ, a comunicação seria o novo “bios” da sociedade, fazendo parte da sua genética. “A mídia institui e estrutura o nosso modo de pensar, dando sentido às relações sociais”, destacou a professora.

 

A conseqüência de todo esse processo, que está incluído na chamara era da globalização, é que as pessoas viveriam o que alguns pensadores chamam de a “síndrome do consumismo”, que, se não originada, certamente é acelerada pelas novas tecnologias. “O cidadão bem-sucedido nos dias de hoje é aquele que consegue consumir”, sentencia Christa Berger. Na análise feita por ela, a conjuntura está marcada pelo “descarte”, ou seja, as pessoas almejam algo de forma muito intensa, mas quando conseguem, imediatamente passam a desejar outra coisa e a descartar o que recém obtiveram. A sensação, até certo ponto neurotizante, é de “estar em falta com algo”.

 

POLÍTICA– No que se refere às relações entre mídia e poder propriamente ditas, partindo para o campo da política, a professora, que também atuou durante vários anos como repórter em veículos como Zero Hora e Folha da Tarde (Caldas Júnior), afirma que a imprensa brasileira “tem um vício de origem”.  O nó principal que explicaria uma espécie de comprometimento da mídia com o poder dominante é que, assim como existe no país a concentração econômica, isso também se reflete na concentração dos meios de comunicação na mão de poucas famílias, o que inclui até mesmo políticos, que através de relações de parentesco são donos de grupos de comunicação. Christa vai mais longe e diz que no país não temos uma noção de que a comunicação é um “bem público”.

 

OUTRO OLHAR– Mesmo concordando com a abordagem de Christa Berger, a debatedora da mesa, professora Márcia Franz Amaral, procurou lançar um outro olhar sobre a mídia. Para ele, usando definição do filósofo Pierre Bordieu, “o poder é simbólico” e, dessa forma, o poder da mídia não seria “unitário”. Para a docente e pesquisadora da UFSM, existiriam alguns “mitos do jornalismo” que o transformariam em “quarto poder” ou “poder absoluto”, tese que, segundo ela, está superada.

 

Márcia argumenta que um aspecto a ser levado em conta é que existe na sociedade e dentro dos próprios meios de comunicação uma “disputa de poder”. O dono do jornal ou da TV tem um interesse, o editor pode ter outro, e certamente o repórter não tem o mesmo interesse dos outros. E é nesse conjunto de contradições que deve apostar o profissional, segundo ela, para buscar seu espaço e passar a verdade na qual acredita. “Se eu admitisse que tudo é manipulado e que todos somos manipulados, eu teria que desistir de ser jornalista”, enfatizou a professora, que atuou profissionalmente no jornalismo diário em Santa Maria e também em assessorias de imprensa.

 

Márcia Amaral cita como exemplo episódios como a destituição do presidente Hugo Chávez na Venezuela e, também, a reeleição do presidente Lula, no Brasil. “Se fosse pela vontade da mídia, Chávez não estaria mais no poder e nem o presidente Lula”, o que, demonstra, segundo ela, que a imprensa não tem o poder absoluto e, que, em muitos momentos, a maioria da sociedade sabe perceber esses detalhes e não compra aquilo que a imprensa procura vender. “Para mim, o jornalismo não é um campo fechado, ao contrário, é um campo poroso, um espaço de conflitos no qual precisamos saber qual o nosso papel”.

 

TECNOLOGIA E O SILÊNCIO– As novas tecnologias têm sido uma aliada importante nas atividades promovidas pela SEDUFSM. Enquanto cerca de 30 pessoas estiveram no auditório da entidade para assistir à palestra das professoras de jornalismo, pela Internet, em cuja rede estava sendo veiculado o evento, cerca de 25 pessoas acompanharam as discussões. Um dos internautas, do Amazonas, chegou a fazer um questionamento à Márcia Amaral. Ele perguntou o que ela tinha achado do papel da assessoria de comunicação da UFSM no episódio envolvendo denúncia contra a FATEC (fundação de apoio da instituição).

 

Márcia disse ter se sentido, além de chocada com o escândalo, indignada com a forma como o tema foi “silenciado” pela Administração Central. Pelo fato de ser professora de disciplinas como “assessoria de imprensa”, ela esperava que houvesse um posicionamento transparente e esclarecedor por parte dos veículos de comunicação disponíveis à reitoria da instituição (TV, rádio e página eletrônica). Entretanto, diz ela, só conseguiu obter informações naquele dia sobre o episódio através do blog do professor do curso de Filosofia, Ronai Pires da Rocha e, no sítio do jornalista Claudemir Pereira, que havia buscado elementos noticiosos em Zero Hora.com. A docente também elogiou o que considerou a postura “firma” da SEDUFSM durante o desenrolar do escândalo.

 

O evento promovido nesta segunda-feira, no auditório da SEDUFSM, estava dentro da programação de 18 anos da entidade e chamou-se “Comunicação e poder”. A mesa teve como coordenadora a jornalista, que é assessora de imprensa da ASSUFSM, Maria Luiza Dorneles

 

SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui, se desejar, outras informações oriundas da assessoria de imprensa da Sedufsm.

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