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Do Rogério Ferraz. Leitor, que é dirigente do Sindiágua, explica porque Corsan tem superlucro

A propósito do superlucro apresentado pela Corsan, conforme relato da própria governadora, e que foi motivo de nota que publiquei na terça-feira, recebi correspondência eletrônica com a manifestação de um habitual colaborador deste (nem sempre) humilde sítio de internet.

 

Trata-se de Rogério Ferraz que, além de leitor, é também integrante da diretoria do Sindiágua, que reúne os funcionários da Companhia Rio-grandense de Saneamento. E é especificamente nesta condição que ele escreve, desta vez. Acompanhe, sempre deixando claro que, se houver contraditório, o espaço está garantido. A seguir:

 

“Escrevo estas linhas aqui de Porto Alegre onde desempenho, durante a semana,  minhas funções no SINDIÁGUA, sindicato que representa os trabalhadores da Corsan.

 

Não opinei antes quanto ao teu texto sobre a Corsan, por pura falta de tempo. O episódio com o presidente da companhia realmente agitou a capital. Mas, vamos começar pelo fim.

 

O presidente desta grande estatal gaúcha foi atacado em seu gabinete por um microempresário que tem a receber da Corsan. Justamente num dia de “Alice no país das maravilhas” da governadora, onde ela anunciou com pompa e circunstância, um estupendo lucro. Este é o fato.

 

A direção da empresa se apressou em tentar demonstrar que o “atentado” ao presidente é um fato isolado. Lastimamos informar aos leitores deste site, que infelizmente, não é.

 

Matérias de jornais de Bento Gonçalves, Panambi, Rio Grande, contatos com empreiteiros de Cachoeira do Sul, de Taquari, Montenegro, nos mostram que a situação é muito mais grave.

Temos casos que pequenos empreiteiros têm faturas ainda de 2007 a receber.

 

Quanto ao “lucro” festejado pelo governo Yeda, de R$ 211,900.000.00 é o maior mentira já contada aqui no Estado. E para isto, realmente precisa ser um “governo com coragem para fazer”.

 

Prezados leitores:

 

Em 2002 a Corsan tinha 561.538,00 ligações com o benefício da tarifa social (para a população de baixa renda). No final do ano passado, este número já havia baixado para 242.925,00 Ou seja, 318.813,00 famílias carentes do Estado foram prejudicadas.

 

Ora, se a cada tarifa que deixa de ser social, a Corsan fatura em torno de R$ 24,00 a mais por mês, isto significa que, mensalmente, a camada mais pobre dos gaúchos está colocando R$ 7.646.000,00 nos cofres da Corsan. O que nos dá, por ano R$ 91.760.000,00.

 

Algum “afoito” poderia dizer: “Mesmo assim, o lucro foi de duzentos e doze milhões, o governo é bom realmente!”

 

O restante deste suposto bom resultado foi construído ao não pagar fornecedores, calotear pequenos empreiteiros, não adquirir materiais básicos para o desempenho das tarefas dos nossos servidores, (em muitos lugares os colegas catam no lixo peças velhas para tentar consertar vazamentos), não comprar veículos, não contratar funcionários.

 

Os próprios da Corsan estão há muito tempo abandonados, sem segurança alguma para os trabalhadores.

 

Chegou-se ao cúmulo de, em Cachoeira do Sul, nossos colegas, ao receberem alguns computadores novos, ficarem com medo de deixar os equipamentos dentro do escritório à noite e levarem todo o aparato para pernoitar em um quarto de hotel. Sim, isto não é brincadeira. É o verdadeiro retrato da Corsan. Não aquela Corsan de faz de conta inventada pelo governo para torná-la mais atrativa aos olhos dos grandes investidores para o momento da sua abertura de capital.

 

É assim que está a nossa empresa que trata de saúde pública, que tem como produto o bem mais precioso à vida que é a água.

 

Yeda diz que a Corsan é uma empresa multipremiada pela sua gestão. Ora, todos sabemos como isto funciona. Dos mais de trezentos locais onde a companhia atua, a direção escolhe uma cidade onde a Corsan será a “laranja de amostra”. Dá um banho de loja no escritório, na hidráulica. Compra móveis novos, manda pintar, enfim faz um photoshop completo. Habilita aquela Unidade a “concorrer” ao prêmio. Ganha. E sai a alardear que a Corsan como um todo, recebeu tal prêmio. E as outras trezentas e tantas Unidades?

 

O que aconteceu com o presidente Mário Freitas é apenas um sinal. A gestão está completamente perdida e sem rumo. E quando os cartazes e outdoors falam em corrupção certamente ser referem também à Corsan. Há um relatório do Tribunal de Contas do Estado que afirma isto. É só averiguar. Penso que uma CPI torna-se indispensável.

 

Em tempo: O verdadeiro lucro de uma empresa estatal deve ser a satisfação do seu usuário. Estamos vendo isto? Ou a insatisfação é geral?

 

Mas estou certo que a empresa Corsan é muito maior que esta desastrosa gestão tucana.

 

(a) Rogério Ferraz”

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