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Cansei! O movimento que morreu na tenra infância. O “vício de origem” era por demais evidente

Alguém aí sabe quando será a nova manifestação pública dos defensores do chamado movimento “Cansei”? Não, não te preocupa. Ou te entusiasme – se for adepto. Os idealizadores oficiais já “cansaram”. O alvo nunca se mexeu a favor, e os líderes escondidos continuaram atrás da porta. E de lá não sairão, até nova chance.

 

Sem entrar no mérito – tenho amigos favoráveis, poucos, e muitos contrários – o fato é que os organizadores visíveis não têm nem talento, muito menos qualidade para liderar o que seja. E os que possuíam alguma razão política (é, você pensou que era o quê?) e ideológica se retraíram. Além de arrependidos com as nulidades que colocaram como fachada da idéia de óbvia intenção, digamos, pouco democrática.

 

Sem falar, claro, no oportunismo. No maior evento (semana passada, em São Paulo), e ao que tudo indica o último, os parentes das vítimas do acidente da TAM (o pretexto para lançar o “Cansei”) ficaram de fora do palanque – ocupado por notórios, embora subalternos, do festerê televisivo nacional.

 

Ok, ok, ok. Não é obrigado a concordar comigo. Nunca é. E esta é a diferença. Admito o contraponto. Eles não. Estão cansados até pra isso. Ah, sugiro (mas também ninguém é obrigado) a leitura do artigo do jornalista e escritor Celso Lungaretti, publicado no site especializado Congresso em Foco. Você não conhece o Lungaretti? Não te preocupa, nem eu. Que também não conhecia um tal de D’Urso e o outro, o Zottolo? Ah, vai dizer que você sabia que um era o presidente da OAB/SP e o outro Diretor Geral da Philips (holandesa) no Brasil? Vamos combinar: estamos empatados na nossa ignorância.

 

Confira, então, o artigo do desconhecido Lungaretti, que ele titulou como “O rescaldo do Cansei”. A seguir:

“Tenham sido 2 mil ou 5 mil os cidadãos presentes ao ato público do Cansei na Praça da Sé, o certo é que, para uma metrópole como São Paulo, isso equivale a uma gota d’água no oceano.

Na verdade, as próprias lideranças do movimento não esperavam grande coisa depois que a OAB Nacional pulou fora, deixando a decisão de apoiá-lo ou ignorá-lo às seccionais. E o que se viu não deu nem para salvar as aparências. Outros enterros já tiveram participação mais expressiva.

O fracasso teve muitas causas.

João Doria Jr. tentou transpor para a política as fórmulas publicitárias que costumam dar certo nas campanhas eleitorais. Então, face à comoção provocada pela tragédia de Congonhas, supôs mecanicamente que se tratasse da gota d’água para a classe média passar dos resmungos virtuais ao protesto aberto. A virulência dos posts na internet deixava exatamente essa impressão.

E foi com visão de publicitário que ele estruturou seu projeto, desde o título mais próximo dos slogans propagandísticos do que das palavras-de-ordem políticas (e que acabou se revelando extremamente inadequado, pois propiciava piadas dos adversários) até o foco demasiadamente difuso: querendo atingir o máximo de consumidores, Doria pretendeu enfeixar num único movimento todas as insatisfações por mazelas de responsabilidade do Executivo, Legislativo e Judiciário, em âmbito federal, estadual e municipal.

Para piorar, a idéia foi prontamente apoiada pela extrema-direita golpista que faz proselitismo na internet e pelas correntes que até hoje não se conformam com o fato de Lula haver escapado do impeachment. Com Brilhante Ustra, Olavo de Carvalho, o Partido Vergonha na Cara e o Fora Lula apoiando o Cansei, ficou fácil para os governistas apontarem-no como uma nova Marcha da Família, com Deus, Pela Liberdade.

Afinal, além de ter essas ligações perigosas, o Cansei se voltava contra muitas iniqüidades e não propunha solução para nenhuma delas. O que resolveria tantos problemas de uma só vez? Fazia sentido supor-se que sua verdadeira meta fosse, como em 1964, um…”

SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a íntegra do artigo “O rescaldo do Cansei”, de Celso Lungaretti, no Congresso em Foco.

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