
Por Maiquel Rosauro
A Câmara Municipal de Santa Maria deu um duro recado ao prefeito Rodrigo Decimo (PSD), nesta terça-feira (18), indicando que não aprovará os projetos da Reforma da Previdência. Por 15 votos a 4, os vereadores aprovaram uma moção de apelo de Alice Carvalho (PSol) para que as matérias sejam retiradas de tramitação. A base governista rachou e diversos parlamentares disseram em alto e bom som que são contra as medidas.
Na defesa da moção, Alice ressaltou a ausência de um debate mais amplo com a sociedade. Segundo ela, a retirada das propostas ampliará a discussão entre vereadores e as categorias de servidores envolvidas no processo.
“A proposta foi elaborada sem o devido diálogo com todas partes interessadas neste processo. A própria base do governo não tinha acesso às discussões e agora está sendo obrigada a digerir e ainda estão pressionados a defender o que é indefensável”, disse Alice.
Na sequência, diversos vereadores de oposição se revezaram na tribuna usando espaços de lideranças de suas siglas para defender a moção. Após alguns discursos acalorados dos oposicionistas, o vereador Tony Oliveira (Podemos) surpreendeu ao liderar a fila de governistas contrários aos projetos.
“Eu já falei para o governo municipal e para os colegas da base que, este projeto, da forma como está, tem meu voto contrário”, disse Tony, o qual também afirmou que todos os vereadores da base são contrários às matérias.
Na sequência, o vice-presidente da Casa, Rudinei Rodrigues (MDB), também disse ser contra. Ele fez um discurso incisivo e não poupou críticas à condução do processo pela gestão municipal.
“Não é porque eu sou da base do governo que tenho de votar a cabresto de qualquer forma”, disse Rodrigues, o qual pontuou que a proposta retira direito dos servidores e que está sendo imposta pelo governo Decimo. Além disso, finalizou seu discurso ressaltando que não se vende por cargos na Prefeitura.
Nenhum vereador defendeu o voto contrário à moção. Os quatro que votaram a favor (confira abaixo) não justificaram seu voto. Alexandre Vargas (Republicanos) e Sergio Cechin (PP), que são da base do governo, votaram a favor da moção e justificaram sua escolha.
“São quatro projetos de lei – um que muda a Lei Orgânica, dois projetos de lei complementar e um projeto de lei ordinária – eu li todos os artigos, incisos e parágrafos. E tem coisas aqui que não tem como passar”, disse Vargas.
“Essa questão da previdência é muito séria. Não podemos dizer simplesmente ‘retira’, ‘terminou’. Vamos ter problemas no presente e logo logo no futuro. Temos que agir com a razão e não com o coração”, disse Cechin.
Como os vereadores votaram
A favor da moção
Rudinei Rodrigues (MDB)
Werner Rempel (PCdoB)
Lorenzo Pichinin (PSDB)
Luiz Fernando Lemos (PDT)
Helen Cabral (PT)
Marina Callegaro (PT)
Sidinei Cardoso (PT)
Valdir Oliveira (PT)
João Ricardo Vargas (PL)
Tubias Callil (PL)
Alice Carvalho (PSol)
Tony Oliveira (Podemos)
Luiz Carlos Fort (PP)
Sérgio Cechin (PP)
Alexandre Vargas (Republicanos)
Contrários à moção
Admar Pozzobom (PSDB)
Adelar Vargas (MDB)
Givago Ribeiro (PSDB)
Luiz Roberto Meneghetti (Novo)
Ausentes (em viagem autorizada)
Guilherme Badke (Republicanos)
Marcelo Bisogno (UB)





Pergunta que não quer calar: o problema existe ou não existe? Se admitirmos que ele existe, a opção escolhida é fazer nada? Empurrar com a barriga para ver no que dá? Alguém acha que não vai dar m.?
A justificativa de voto deveria ser para os vereadores que foram contrários à moção. Quem vota contra uma manifestação institucional precisa explicar os motivos, esclarecer seus critérios e assumir publicamente a posição, até porque é isso que se espera de qualquer agente político comprometido com transparência. No fim das contas, a ausência dessa justificativa fala mais alto do que qualquer discurso.