O outro lado. Que tal dar uma chance a quem, afinal de contas, defende Renan Calheiros?
Não se trata de ter pena. Não é o caso. Inclusive porque ele é bem grandinho, e tem todas as condições de se defender. Mas vamos combinar que, na mídia, não falta espaço para quem se coloca contra o rapaz das Alagoas que fornicou com a colega jornalista, com ela teve uma filha, supostamente (argh, odeio esta palavra) pagou com troco recebido de lobista de empreiteira e agora está mais do que encrencado.
Dito isto, reproduzo a seguir entrevista concedida com o senador Almeida Lima (PMDB-SE). O homem é um dos três relatores do processo contra Renan Calheiros no Conselho de Ética do Senado. E, até as pedras sabem, só ele mesmo vai produzir um relatório favorável ao Presidente do Congresso. Não custa nada (já que os outros dois relatores, Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-GO) tem tido todo o espaço possível, inclusive aqui, deixar o Lima falar. Confira o que ele disse ao repórter Lucas Ferraz, do site especializado Congresso em Foco:
Congresso em Foco – O que leva o senhor a defender Renan Calheiros de maneira tão enfática?
Almeida Lima – Há um equívoco na afirmativa de que eu faço a defesa do senador Renan Calheiros. A defesa do Renan é feita por seus advogados. Faço a defesa, como membro do Senado Federal e do Conselho de Ética, ao respeito do devido processo legal. Não posso admitir que um senador seja processado como se estivesse vivendo num Estado tirânico, e não num Estado de Direito, onde as normas legais existem e precisam ser respeitadas.
O senhor acha respeitoso à imagem do Congresso o presidente do Senado, acusado de várias irregularidades, continuar no cargo?
Acho desrespeitosa é a imprensa, como a revista Veja, que publica uma matéria nacional intitulada como denúncia e nela não consta uma prova. Desrespeito é uma atitude como essa, que não leva em consideração os aspectos políticos e constitucionais do país, e joga uma matéria dessa na rua de forma irresponsável, criando um clima de instabilidade por conta de fatos que a própria revista não provou.
Mas o senhor não respondeu: é respeitoso ao Congresso e ao Senado um presidente acusado de tantas irregularidades continuar no cargo?
Acho que o presidente do Senado deveria, já a partir de agora, instaurar processos criminais e cíveis quantos forem os atos praticados por uma imprensa que não se respeita. Ou seja, não há atitude desrespeitosa por parte do Congresso Nacional. O presidente do Senado está sendo atingido por sua honra de forma desrespeitosa, ele não está desrespeitando. Ao contrário.
Mas o senhor não acredita que o fato de ele continuar presidindo o Congresso com tantas denúncias não fere a instituição?
Falar em irregularidades neste momento é prejulgamento. Nós não podemos prejulgar, estamos apurando. Por incrível que possa parecer à imprensa, até o presente momento não há uma única prova de falta de decoro do presidente Renan Calheiros.
Usar um lobista, por mais que eles sejam amigos, para pagar contas pessoais não é quebrar o decoro parlamentar?
Classificar o Cláudio Gontijo de lobista é uma excrescência. O fato de ele ser funcionário de uma construtora não dá a ninguém esse direito. Não posso me referir a um jornalista como lobista da empresa onde ele trabalha. Lobista tem um sentido pejorativo. O uso da intermediação de um amigo, e o que está provado até o presente momento é apenas isso, e não o uso do dinheiro do amigo ou da empresa na qual o amigo trabalha, não importa em falta de decoro. O que há na verdade é uma precipitação. Querem pôr a corda no pescoço do presidente Renan Calheiros a todo custo, sem provas.
Muitos parlamentares prevêem que é uma questão de tempo a queda de Renan Calheiros. O presidente Lula, em declaração recente, no México, se referiu ao presidente do Senado ao dizer que uma pessoa não pode atrapalhar a votação de projetos no Congresso. Até quando vai se empurrar esse caso, com todo o desgaste do Congresso?
Nunca ouvi o presidente Renan falar em se licenciar, se afastar. Se nós não temos ainda a conclusão da investigação, dizer que é uma questão de tempo a queda, a cassação de Renan, é precipitação. É prejulgamento. E todo prejulgamento é uma imoralidade. Eu não me presto a cometer a uma imoralidade dessa antes de conhecer provas. Antes de se fazer a apuração, você já está condenando.
Assim como Renan Calheiros, o senhor acha a imprensa opressora?
Não, aí seria generalizar. Mas o ato de uma revista que faz publicar uma sociedade secreta, como ela mesma diz, contando toda uma história sem apresentar um único documento da lavra ou subscrito pelo senador, sem apresentar nenhuma declaração atribuindo a quem quer que seja o envolvimento do senador Renan Calheiros, é uma hipocrisia. Então, eu não generalizo na questão da condenação que eu faço da imprensa, mas, neste caso da Veja, ela comete um absurdo, leva a revista para a lata do lixo.
E qual a avaliação da imprensa de forma geral?
No caso Renan Calheiros teve precipitação na medida que faz publicações sem sequer tomar conhecimento dos fatos. Por exemplo, no dia 10 de julho, Renan Calheiros fez um ofício à Procuradoria Geral da República pedindo ao procurador, se entregando de corpo e alma, para que ele, Renan, fosse investigado. O procurador recebeu a petição, Renan Calheiros comunicou isso ao Brasil, e a imprensa não publicou uma única linha de que ele tenha feito esse pedido à Procuradoria. Trinta dias depois, por conta desse pedido, o procurador…





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