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COVID. O drama que começa a ficar mais comum: quem tem prioridade para ocupar um leito de UTI?

História contada na reportagem é da capital gaúcha. Mas não é exclusiva de lá

Equipe atua na sede da SMS, dividindo-se em turnos ao longo das 24 horas do dia (Foto Cristine Rochol/Prefeitura de Porto Alegre)

Reproduzido do jornal eletrônico SUL21 / Reportagem de Luís Eduardo Gomes

 “Uma escolha de Sofia”. É assim que Jorge Luiz Silveira Osório define o trabalho dos médicos que diariamente precisam decidir quais pacientes são encaminhados de forma prioritária para leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em Porto Alegre e quais precisam permanecer aguardando na lista de espera. É um trabalho feito pela Central de Regulação de Leitos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), uma equipe composta por médicos, enfermeiros e técnicos-administrativos que estão 24 horas por dia recebendo informações sobre a disponibilidade de leitos de UTI na cidade e sendo obrigados a decidir quem será priorizado.

A expressão “escolha de Sofia” é oriunda do livro de mesmo nome escrito por William Styron, em 1979, e que viraria um famoso filme estrelado por Meryl Streep, cuja história apresenta uma personagem presa com seus dois filhos em um campo de concentração durante a Segunda Guerra e que se vê obrigada por um oficial nazista a escolher qual deles salvar da execução. No imaginário popular, ela é usada para se referir a escolhas muito difíceis. A obra também é usada na Filosofia para discussão de dilemas éticos e morais.

No momento atual, em que as UTIs de hospitais de Porto Alegre estão superlotadas, essa escolha “muito difícil” consiste em definir quais são os casos prioritários para ocupar os leitos que vão abrindo no sistema, o que incluiu os pacientes de covid-19 e de todas as outras doenças que necessitam de internação em UTIs.

“É a escolha de Sofia, porque tu tens essa necessidade realmente, mas nos hospitais, pela grande demanda covid, praticamente a maioria da oferta está sendo dada para os casos de covid. Então, certamente tu diminui o percentual de acessos para outras doenças e certamente algumas cirurgias e tratamentos estão sendo postergados”, diz Osório, que é o Diretor Geral da Regulação da SMS.

De acordo com o painel de monitoramento das UTIs da Prefeitura, os hospitais de Porto Alegre chegaram, nesta quinta-feira (11), à marca de 800 pacientes confirmados com covid-19 internados simultaneamente em leitos de UTI. Às 18h de quinta, a taxa de ocupação era de 111,08%, pois 1.103 pacientes — entre covid e não covid — estavam internados quando a capacidade operacional dos hospitais era de 998 naquele momento. Além disso, 187 pessoas aguardavam em emergências pela liberação de leitos de UTI.

A explosão de internações em leitos de UTI ocorreu a partir da segunda quinzena de fevereiro. Durante as duas primeiras semanas do mês, o número de pacientes internados em unidades de terapia intensiva de Porto Alegre oscilou entre 271 e 292. No dia 15, chegou a 301. Comparado com o número alcançado nesta quinta, o crescimento desde então foi de 165% em 24 dias.

Jorge Osório afirma que a situação atual de ocupação de leitos não pode ser comparada com nenhum momento anterior pelo qual tenha passado como membro da Central de Regulação de Leitos. “Antes, mesmo com alguns casos demorando mais tempo, a gente tinha uma certa garantia de que o paciente ia ter o acesso. Hoje, com tamanha demanda, essa garantia se perde, porque tu tem muito mais demanda do que a capacidade dos hospitais de absorver. Tu tem esse estresse no dia a dia justamente por isso, porque tu tem que ver a prioridade e o melhor prognóstico daquele caso para que tu encaminhe assertivamente”, diz…”

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