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It’s All Over Now, Baby Blue – por Márcio Grings

Quarta-feira passada eu fui a Porto Alegre assistir ao show da cantora norte-americana Joan Baez.  Essa artista invejável e produtiva que, do alto dos seus 73 anos, continua bonita num corpinho de uma mulher que aparenta no mínimo vinte menos, encantou o público gaúcho com sua vitalidade, talento, cordialidade, carisma e o mais importante: uma voz e um repertório composto sob medida para arrebatar a plateia de quase três mil pessoas.

Para os desavisados, Joan já tem mais de cinquenta anos de carreira, foi uma das vozes mais importantes do ativismo dos anos 1960, e sempre será lembrada como uma das eternas ex-namoradas de Bob Dylan. É muito pouco, ela é muito maior que isso.

Leia a resenha sobre o espetáculo no Blog do Grings http://zip.net/bpmQ8J

Pra quem precisa viajar quatrocentos quilômetros, nunca é fácil assistir a um show bem no meio da semana. No caso de Porto Alegre, todos bem sabem que são quatro horas de viagem (ida e volta são oito), quase sempre tendo que fazer o velho bate e volta, ou seja, haja fôlego para aguentar o tranco no dia seguinte.

Em suma: No retorno, peguei o ônibus uma e meia da matina de quinta, cheguei à cidade em torno das cinco e meia, consegui pegar no sono lá pelas seis, acordei próximo as nove da manhã. Mas vale a pena, posso garantir. Sempre achei que ouvir música é uma experiência muito mais complexa do que imaginamos. Quem me conhece sabe que tenho um discurso alinhado sobre o tema. Assistir um show desse calibre então, putz, é algo que fica ecoando na memória durante um bom tempo.

Quando saí do Araújo Vianna, depois de findo o espetáculo, eu mais alguns amigos pegamos um taxi e o motorista perguntou de quem era o show. O camarada que estava sentado no banco de frente disse: “Joan Baez”. O taxista perguntou franzindo a testa: “João o quê¿”. Todos riram baixinho.

Lembro que lá pelo final da década de 1980, tinha um amigo que possuía em casa uma cópia em VHS do documentário de “Woodstock”, uma dos maiores eventos musicais de todos os tempos que aconteceu em West Sugarties, região de Nova York, nos Estados Unidos. Pois esse vídeo ficava rolando direto na sala da casa desse brother, e sempre que chegava na parte do filme que mostrava a Joan Baez, toda a rapaziada presente pedia pra dar um fast foward no filme.

E eu era o único que protestava. Todos queriam Who, Ten Years After, Jimi Hendrix, que particularmente também me fazia a cabeça, no entanto, sempre simpatizei com o trabalho de Joan. O LP “Gracias a La Vida”, disco de canções latinas dela, por exemplo, faz tempo é sucesso no meu toca-discos.

Voltando ao show, teve um momento mágico que vou guardar pra sempre. Quando ela começou a cantar “It’s All Over Now, Baby Blue”, saí de onde eu estava mais ao fundo do auditório, e lentamente fui caminhando até o mais próximo do palco possível, e sentei no chão entre as primeiras poltronas da audiência. Só quando a música acabou retornei para o meu lugar. Tive meu momento com ela.

Da capital gaúcha, Joan parte para shows no Rio, São Paulo e Recife. Os ingressos já estão esgotados. Agora eu posso dizer: eu vi a musa do folk em um grande momento, e minha lembrança nunca irá evanescer dessa última noite do verão de 2014.

Que venha outono…

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