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O monstro está de volta – por Bianca Zasso

biancaA minha geração (esta que vos escreve está quase balzaquiana), em especial os que passaram a infância sem TV a cabo, devem ter se divertido muito com as séries japonesas protagonizadas por heróis de armaduras cheias de poderes lutando contra monstros e outros inimigos bem aos gosto oriental.

Os episódios que contavam as aventuras de Jaspion, Changeman, Giban e Jiraya animavam as manhãs e tardes e criaram no imaginário de muitos a ideia de que sempre haveria um mascarado munido de uma espada e alguns golpes de arte marcial para salvar o mundo de criaturas horrendas. Esta mesma geração acabou conhecendo o maior de todos os monstros japoneses de uma maneira decepcionante. Porém, chegou a hora de tirar o atraso.

Godzilla, que estreou nos cinemas brasileiros no dia 15 de maio, está levando muita gente ao cinema para experimentar pela primeira vez a diversão que é um filme de monstro. Porém, o que alguns espectadores não sabem é que Godzilla frequenta há décadas a telona. Em 1954, a produtora japonesa Toho, uma das mais importantes da indústria cinematográfica nipônica, lançou Gojira, dirigido pelo ótimo Ishirô Honda e protagonizado por um monstro que era uma metáfora do rastro de destruição deixado pela bomba atômica no país.

O resultado foi tão avassalador quanto a performance do personagem principal, um sucesso. Dois anos após a chegada do grandalhão às telas, o filme foi exibido nos Estados Unidos e ganhou uma versão dublada em inglês e com novo elenco e roteiro, intitulada Godzilla – O monstro do mar.  Pronto, Godzilla havia conquistado o mundo depois de ser um dos melhores resultados do cinema japonês.

O que se viu nos anos seguintes foi uma série de remakes e releituras da história, com direito a mudanças no visual do monstro e batalhas com outros poderosos do cinema de ficção, como King Kong. Gojira não era mais o mesmo e passou de análise poética de um momento triste da humanidade para um lagarto gigante que destrói tudo que vê pela frente como uma criança mimada. O auge desse Godzilla de quinta aconteceu em 1998, quando o diretor Roland Emmerich dirigiu um remake que passou longe da obra original e fez muitos desacreditarem no poder da obra de Honda. Godzilla virou piada. Uma piada nada engraçada.

A versão de 2014 é um retorno às origens. Godzilla, dirigido por Gareth Edwards contou com a participação da equipe da Toho, o que trouxe para a produção um visão mais atual sem perder a magia da primeira versão. E não foi só o roteiro que mudou, Gojira está de volta com suas formas originais, deixando de ter cara de Tiranossauro Rex. Para o público novo, é a chance de ter a primeira experiência e, quem sabe, buscar o clássico de Honda, hoje disponível em DVD e até na internet. Já para os fãs de Goji, é um exercício de nostalgia dos bons, daqueles de nos fazer voltar a ser criança, sentado no sofá, esperando o monstro do dia do nosso herói aparecer.

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