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Os pré-candidatos e suas ideias – por Maiquel Rosauro

maiquelA TV Santa Maria realizou uma série de entrevistas com os pré-candidatos a prefeito municipal, veiculadas entre os dias 9 e 20 de maio. Na prática, foi uma forma de apresentação dos postulantes ao Executivo, onde cada um pode mostrar um pouco de suas ideias.

No início de cada programa era exibido um breve currículo do entrevistado. Durante os dez minutos seguintes, os políticos tinham que responder três perguntas. A primeira era sobre o motivo ao qual deseja ser prefeito e na sequência deveriam falar sobre o perfil do vice. A terceira questão era diferente para cada candidato. No final, havia um espaço para considerações finais.

A ordem das entrevistas foi definida por sorteio e apenas o pré-candidato Jaderson Toledo Maretoli (Solidariedade) não compareceu à gravação.

Gostei da postura dos pré-candidatos, todos interessados em passar uma boa impressão e abertos a discussões sobre projetos para o futuro da cidade.

Werner Rempel (PPL) foi o primeiro entrevistado e precisou de apenas 33 segundos para responder a primeira questão, afirmando estar apto para assumir o cargo e para dar a Santa Maria tudo o que a cidade lhe proporcionou. A TV Santa Maria perguntou “Que peso o número de filiados do PPL tem na busca por coligações?”, e ele respondeu que prefere um crescimento mais lento em número de filiados, mas com mais qualidade. Disse ter noção de que a “figura Werner” é maior que o partido na cidade e que possui a menor rejeição entre os pré-candidatos. Werner não gerenciou com eficiência o tempo de suas respostas. Enquanto que os vídeos com o tempo total das entrevistas dos outros pré-candidatos girou em torno de 12 minutos, o de Werner teve apenas 9min57s.

Marcelo Zappe Bisogno (PDT) foi o pré-candidato que teve o melhor desempenho nesta série inicial de entrevistas. Ele tirou proveito do fato de já ter um vice definido em sua chapa e cutucou os concorrentes por ainda não terem formado alianças, “algumas espúrias”, segundo ele. Mas o ponto alto veio quando teve que responder “Se incomoda quando atribuem a você uma imagem de político tradicional?”. A questão parecia importuna, mas ele inverteu a situação afirmando que construiu um perfil popular e autêntico. Também disse que deseja ser um prefeito próximo das pessoas e que a cidade cansou de um prefeito que entra numa sala e depois ninguém mais enxerga. Por fim, disse que Caxias do Sul serve como exemplo para Santa Maria.

Valdeci Oliveira (PT) deu sinal de que os próximos meses serão bem desgastantes, sobretudo, quando tiver que defender o seu partido. Ao ser questionado se a atual conjuntura do PT e da política nacional podem influenciar sua pré-candidatura, reconheceu o desgaste do partido, mas salientou que os envolvidos (em escândalos de corrupção) estão sendo julgados e punidos. Também afirmou que está tranquilo e que vai fazer comparativo de sua caminhada com os demais pré-candidatos se for necessário. Valdeci disse que quer tirar Santa Maria do marasmo e que não será um prefeito omisso. Afirmou que a saúde está um caos e que não há projetos de busca de recursos. Disse ainda que tem entre quatro e seis nomes para definir qual será seu vice.

Jorge Pozzobom (PSDB) está afiadíssimo, como sempre. As críticas à atual administração municipal começaram logo na primeira pergunta da entrevista, afirmando que não há um modelo de gestão e nem organização interna na Prefeitura. Disse ainda que o atual governo está completamente reprovado e que faltou com a verdade inúmeras vezes, além de dizer que hoje Santa Maria também pode ser reconhecida como Cidade Queijo, pois nunca esteve tão esburacada. Afirmou que está procurando um vice com perfil trabalhador e que não irá fazer alianças espúrias. A TV Santa Maria perguntou “Na votação da redução de RPVs você se declarou impedido e depois assumiu, em nota, que foi um erro. Por quê?” e a sua resposta foi bem confusa.

Alcir Martins (PSOL) deixou claro que pretende apresentar uma proposta coletiva para o município. Afirmou que Santa Maria é uma cidade para poucos, que privatiza e segrega os espaços públicos, e, no seu projeto, irá apontar todos os espaços que precisam ser valorizados e colocados como prioridade. Também comentou que a maioria das pessoas hoje sente repulsa da velha politicagem, ressaltando que a política deve ser um projeto de vida. Disse que a escolha do vice se dará através de acordos ideológicos e políticos com a frente de esquerda. A questão “Como pretende abordar as pautas de esquerda?”, não trouxe um tema novo para a entrevista. Por fim, disse que se assusta com a forma conservadora que determinados temas polêmicos são tratados.

Paulo Ceccim (PR) foge do padrão tradicional dos candidatos e concedeu uma entrevista surpreendente. Disse que seu objetivo é discutir as questões macros de Santa Maria e que não se importaria em ganhar apenas 50 votos na eleição. Destacou que ao se pré-candidatar está saindo de sua zona de conforto enquanto cidadão e eleitor, mas destacou a relação promiscua como são fechadas as alianças partidárias. Em vários momentos deu um puxão de orelha no eleitor, que segundo ele não sabe o seu papel. Pena que a TV Santa Maria pegou leve na questão específica a Ceccim. Para um candidato que pretende encarar o sistema vigente, “Nunca ter participado de eleições municipais pode ser um fator desfavorável?” não é uma questão relevante.

Sergio Cechin (PP) deve enfrentar o mesmo problema do pré-candidato petista, tendo a sina de ter que defender-se de ataques ao seu partido. Todavia, quando questionado “O conservadorismo e as denúncias na Operação Lava Jato prejudicam a imagem do partido?”, surpreendeu ao dizer que o PP de Santa Maria e do Estado não é o mesmo do restante do país. Argumentou que todos conhecem o PP municipal, por isso todas as siglas, sem exceção, gostariam de compor uma chapa com o partido. Disse que muito foi feito no município, mas ainda há muito a fazer, como incentivar o turismo religioso, ecológico e de eventos. Também afirmou que é preciso incentivar a industrialização e o encaminhamento de abertura de empresas.

Fabiano Pereira (PSB) está em um clima paz e amor. Afirmou que conhece o potencial da cidade e que Santa Maria tem um povo honesto e trabalhador, sendo referência mundial em diversas áreas. Disse que é preciso reconhecer o que foi feito até então, mas que algumas coisas necessitam ser corrigidas. Ao ser questionado “Qual é a sua posição em relação ao atual governo de Santa Maria?”, não respondeu a pergunta. Limitou-se a dizer é preciso olhar para frente e que de nada vai adiantar fazer uma campanha em cima de críticas. Também fez elogios ao setor de Finanças e ao de Desenvolvimento Rural da Prefeitura, mas destacou que é preciso melhorar nas áreas de infraestrutura, saúde e segurança pública.

Todas as entrevistas estão on-line e podem ser acessadas na fanpage www.facebook.com/tvsantamaria.

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Um Comentário

  1. “Sessão dos Horrores” na tevê local.

    Para que perdermos tempo (e muito dinheiro) com mais essa eleição?

    Qualquer um que ganhasse, daria na mesma.

    Poderíamos fazer diferente dessa vez, convocar o bispo para fazer um sorteio com moedinha,

    Haveria “fases eliminatórias”, pois uma moeda é só “cara x coroa” (dois competem a cada sorteio).

    Seria muito mais divertido.

    E nossos cérebros seriam poupados das famosas campanhas surreais que se avizinham.

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