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As greves e a economia da cidade – por Carlos Costabeber

carlinhosLembro que quando criança, Santa Maria “parava”, sempre que os ferroviários faziam greves. E aí já se vão quase cem anos, desde que as locomotivas começaram a transformar uma pequena cidade interiorana no maior centro ferroviário do Estado. Desde então a economia começou a crescer e a se modernizar, com muitas indústrias e um comércio forte e organizado. O trem acabou com as distâncias, trazendo e levando pessoas e cargas. Foi nossa primeira revolução, mas que trouxe junto com o progresso, as tradicionais paralisações dos ferroviários (tive um grande vendedor no inicio da Superauto, o Baltazar, que adorava contar as suas histórias como líder grevista, e que tinha ido até para a União Soviética para aprender a comandar manifestações operárias).

Mas, como se sabe, toda a moeda tem duas faces, e o mesmo pode se dizer da dependência de Santa Maria em relação ao setor público; principalmente da UFSM e dos militares. A cidade seria muito diferente, bem menor e menos expressiva nacionalmente. Só que essa situação está mudando velozmente, com a redução no tamanho do Estado.

Como todo e qualquer investimento público no Brasil, “essa bolha” acabou. Por isso, será cada vez menor o ingresso de recursos governamentais, tanto em investimentos como na forma de salários. Vale citar o que se observa no Campus em Santa Maria, com uma grande quantidade de obras paralisadas ou em ritmo muito lento de conclusão. Acabou o dinheiro, e a economia local vai gradativamente sentir o impacto dessa nova e definitiva realidade.

Mas os últimos anos foram marcados por pesados investimentos na infraestrutura e ampliação do quadro de professores e funcionários, para atender a expansão na oferta de vagas. E foi graças à adesão ao Programa Reuni, que a UFSM praticamente dobrou de tamanho (só que em dezembro de 2007, o Vilson Serro e eu, através da Cacism, tivemos de mobilizar as forças vivas de Santa Maria, para que a Universidade não perdesse a adesão ao Programa. O apoio de toda a comunidade foi decisivo naquele momento, e pouca gente sabe disso).

Mas voltando ao outro lado da moeda, eventualmente acontecem greves, que acabam trazendo prejuízos econômicos para a cidade; notadamente na UFSM e nas escolas estaduais. O comércio e a prestação de serviços, que já sofrem com a recessão, tem mais um impacto negativo com as paralisações. Os alunos voltam para casa, e o efeito psicológico sobre os professores e funcionários, se reflete diretamente em queda nas vendas. Quem está em casa, “não tem clima” para comprar.

Portanto, as greves são mais uma variável incontrolável na economia, assim como são os desejos dos consumidores, as leis, o clima, e a concorrência nos negócios. E a única alternativa para sobreviver  aos fatores “extracampo”, é administrar muito bem o outro lado da moeda, que são as variáveis controláveis. Não nos cabe, pois, questionar as paralisações, apesar dos prejuízos eventuais que causam na população e nas empresas. É do jogo democrático, numa economia capitalista !

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: a imagem que ilustra este artigo é uma reprodução de foto do arquivo da Seção Sindical dos Docentes da UFSM.

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