Claudemir PereiraInternet

DO FEICEBUQUI. Resposta do Canellas aos pequenos alunos da Escola Sérgio Lopes e a carta para o prefeito

O editor tem publicado observações curtas (ou nem tanto) no seu perfil do Feicebuqui que, nem sempre, são objeto de notas aqui no sítio. Então, eventualmente as reproduzirá, como também a de amigos, também para o público daqui. Como é o caso desses texto, postado na rede social nesta quinta-feira, pelo amigo jornalista Marcelo Canellas:

O GAMBÁ, O PREFEITO E O ESSENCIAL

Sujeito perguntador, quase todo repórter se sente estranho ao ter de responder. Falo por mim: acho dar entrevista uma inversão. Menos essa aí da foto. Essa, com câmera de isopor e microfone de papelão, é muito mais do que uma entrevista. Os jornalistas mirins que me interpelam não botam só a mim contra a parede, mas toda uma cidade que os ignora. São alunos da Escola Municipal Sérgio Lopes, na Renascença, uma vila com 190 casas, 5 ruas e 8 bocas de fumo, na periferia de Santa Maria.

São sobreviventes da omissão e do abandono, refugiados da violência e da falta de oportunidades, resgatados por um grupo de professores abnegados que receberam, da administração passada, um prédio vazio e o transformaram num oásis de cidadania. Embora as instalações continuem precárias, com salas de lata funcionando em contâineres sem ar condicionado, pude testemunhar como a força transformadora da educação recupera a autoestima de uma comunidade pisoteada pela miséria.

Eles não se fazem de rogados: em fevereiro, convidaram o prefeito pra visitar a escola. Em vez do prefeito Pozzobom ir lá, um gambá é que foi. Então a Luize, aluna da Sergio Lopes, escreveu ao chefe do executivo sobre a visita inusitada. A boa política é arte do essencial. Depois que o prefeito ler a cartinha abaixo, talvez seja o caso de cancelar todos os compromissos oficiais e visitar a escola hoje mesmo. Pois é lá que ele vai encontrar o que é realmente essencial.

Santa Maria, 20 de abril de 2017

Senhor prefeito,

Eu sou a Luize e estudo na escola EMEF Sérgio Lopes. Nós precisamos de ar-condicionado, janelas e teto na sala. Roubaram as câmeras.
Em nossa escola apareceu um gambá, estava atrás do pavilhão, era insuportável o cheiro e os alunos acharam que o cheiro era da sala. Dois alunos do 9º ano e do 6º ano tiraram o animal dali.
E peço também muro no lado do beco, porque aparecem cobras no berçário.

Luize Gabrielle Nunes Pinheiro
Estudante da EMEF Sérgio Lopes.”

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