1/4 do total. Aumenta em 36% o número de parlamentares federais encrencados com a Justiça
Duas preliminares são necessárias e fazem parte da norma pessoal e profissional deste (nem sempre) humilde repórter:
1) o fato de ser processado e investigado significa, em primeiro lugar, apenas isso. Nada indica que haverá condenação. Ou, pelo menos, boa parte dos processados será inocentada pelos tribunais; e
2) nenhum parlamentar chega de pára-quedas no Congresso Nacional. Alguém o colocou lá, seja na Câmara dos Deputados ou do Senado. E não foi um ET. Assim, se alguém é eleito é porque outro alguém o elegeu. E, assim, não dá para ficar aí acusando sem antes lembrar que a sociedade – e seria quem? está representada no Parlamento, na exata medida em que foi ela a que escolheu os ocupantes de uma cadeira de deputado federal ou senador (e dos demais cargos eletivos, também).
Dito isto, também não devemos pecar pela ingenuidade. Ninguém é acusado de graça. Isso não. E os casos estão no Supremo Tribunal Federal exatamente pelo privilégio constitucional concedido aos parlamentares. Ok? Tudo entendido?
Então podemos começar a lamentar. Menos pelos parlamentares, mais pela coletividade. Que, também é da democracia, aos poucos começará a selecionar melhor aqueles que a representam e defendem. Agora, um quarto (ou quase isso) de parlamentares encrencados com a Justiça não é um pouco demais?
A propósito, são 143, entre os 594 deputados e senadores, que ainda estão se explicando no Judiciário. E quem conta melhor essa história, inclusive dando a oportunidade a que todos se defendam, é o sítio especializado Congresso em Foco. Confira a reportagem assinada por Lúcio Lambranho e Edson Sardinha. Também é do CS a imagem que ilustra esta nota. Lá no final, mais informações e o meu comentário. Acompanhe:
Um quarto do Congresso sob investigação
Ao todo, 143 parlamentares respondem a inquérito ou ação penal no STF. Número de processos cresceu 44% nos últimos nove meses
Nos últimos nove meses, o Supremo Tribunal Federal (STF) promoveu a gestação de 86 novos processos contra deputados e senadores. Nesse período, o número de investigações saltou de 195 para 281, um aumento de 44%. Já a relação dos parlamentares investigados passou de 105 para 143, crescimento de 36,1%, conforme levantamento exclusivo do Congresso em Foco.
A metade deles, 63 deputados e oito senadores, estava sem mandato até o início da atual legislatura. Isso explica em parte o aumento no número de processos e congressistas acusados, já que muitas dessas denúncias “subiram” para o Supremo só ao final do primeiro ano de mandato dos novatos. Por conta do foro privilegiado, acusações contra parlamentares devem ser julgadas apenas no STF, mesmo que tenham se originado nos estados.
Os dados acima fazem parte do levantamento do Congresso em Foco feito até o último dia 30 de maio, em comparação com pesquisa publicada pelo site no dia 4 de setembro de 2007.
Ao todo, 123 deputados e 20 senadores são alvo de algum tipo de investigação na mais alta corte do país. Em 90 casos, o Supremo e a Procuradoria Geral da República encontraram indícios para transformar 48 congressistas (42 deputados e seis senadores) em réus.
Os números mostram que um em cada quatro parlamentares está sob suspeita no STF. Oito deles estão licenciados do mandato, mas gozando do foro privilegiado, ou seja, da prerrogativa de ser investigado apenas com a autorização do STF e de ser julgado somente pelos ministros do Supremo.
Fazem parte da lista 29 deputados que pretendem disputar as eleições municipais em outubro, como já…
COMENTÁRIO CLAUDEMIRIANO: é verdade que a Operação Detran tem ajudado a derrubar alguns mitos. Um deles é que somos, os gaúchos, diferentes (e melhores) dos que os outros. Também em terras de São Pedro há pecados. No entanto, alguma coisa precisa ser comemorada.
Uma delas é extraída exatamente do levantamento do Congresso em Foco. Dos 143 edis federais encrencados, apenas quatro são do Rio Grande do Sul. São eles os deputados federais Cezar Schirmer (investigado sob a acusação de boca de urna, um crime eleitoral) e Eliseu Padilha, ambos do PMDB; Pompeo de Mattos, do PDT; e Sérgio Moraes, do PTB.
SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a íntegra da reportagem Um quarto do Congresso sob investigação, de Lúcio Lambranho e Edson Sardinha, no Congresso em Foco.





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