Cinema

É CINEMA. Bianca Zasso e o corpo na Sétima Arte

“Esta que vos escreve, apesar de já ter vivido três décadas neste planeta, ainda deve conservar alguma inocência, já que ainda me surpreendo com coisas que, como diz minha mamãezinha querida, “existem desde sempre”. Visualize a cena: sala de cinema quase lotada, última sessão da noite, platéia formada majoritariamente por adultos. As luzes se apagam, começam os trailers e junto com eles um papo cerrado em alto e bom som. Acredito que os conversadores confundiram o conforto da poltrona da sala de exibição com o sofá da sala de casa.

Mudemos de cenários: museu, exposição onde, logo na entrada, fica especificado que a obra apresentada contém nudez. A tradicional família brasileira adentra no recinto, com a filharada pela mão. Mamãe indignada, papai aos berros acusando o local de fazer apologia ao sexo.

Minhas considerações: tanto o espectador de língua inquieta do cinema quanto o pai e a mãe do museu não podem exigir bons modos de seus filhos em nenhuma situação. Isto porque, está mais que comprovado que é a atitude e não o discurso que ensina a gurizada. Quase sempre, quem conversa sem preocupação durante um filme também costuma soltar risinhos nervosos durante cenas de sexo. É daqueles momentos em que eu penso seriamente em olhar para o sujeito e perguntar o que é tão engraçado em duas pessoas (ou mais) transando. Talvez sejam os mesmos que ao se depararem com um corpo nu já pensam em sexo. Um corpo é um corpo. Eu tenho, você tem. Maiores ou menores, com peculiaridades, de todas as cores, de todos os formatos. Uma pessoa que só consegue associar um corpo nu a sexo e nada mais é que precisa que gritem por socorro por ela. Algo está errado…”

CLIQUE AQUI para ler a íntegra de “Um corpo é um corpo”, de Bianca Zasso. Nascida em 1987, em Santa Maria, Bianca é jornalista e especialista em cinema pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). Cinéfila desde a infância, começou a atuar na pesquisa em 2009. Suas opiniões e críticas exclusivas estão disponíveis todas as quintas-feiras.

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3 Comentários

  1. Fechando o círculo, frequentadores de museus são poucos. O que vai acontecer agora quando uma criança chegar em casa e pedir para os pais assinarem a autorização da excursão para o museu? Vão assinar na boa? Bastava ter colocado algumas obras numa sala separada…

  2. Outra falsa polêmica. Sujeito fica pelado e finge que é um boneco articulado. Baseia-se na obra de outra pessoa (“artista” é outra coisa). Nem para isto teve criatividade. Ficar pelado no museu é moda, até na aldeia já teve um caso. Uma mulher leva a filha e a mesma toca o peladão (por mim, problema delas, no futuro que acertem as contas; ou não). Escândalo. As outras pessoas têm direito a ter outros valores e tem o direito de ficarem escandalizadas. Ficar pelado não equivale a esculpir a estátua de David. Para um basta tirar a roupa, para o outro é necessário habilidade e talento. Tem mais, Pátrio poder não é absoluto. Submeter criança a constrangimento é crime. Como é fornecer bebida alcoolica a menor ou adolescente. Em nenhum dos dois casos existe um “mas se os pais quiserem”.

  3. Colunista está com sorte. Não viu ainda tocar um celular durante o filme (não no trailer) e a criatura atender a ligação e falar baixinho “para não atrapalhar nnguém”.
    Falsa polêmica no museu. Sim, porque os frequentadores são minoria. Levaram excursões de colégios para uma exposição (não “a familia brasileira”) e havia cenas de zoofilia e de sexo em algum dos quadros (não só nudez), assim como algumas bobagens. Falha na organização, em outros países isto não aconteceria. Não, as porcarias (Adriana Varejão tem bons trabalhos) não são a mesma coisa que a obra de um Mestre da Renascença.

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