POLÍTICA. Oposição tira proveito do “Não” técnico à adesão gaúcha para o Regime de Recuperação Fiscal

Por TIAGO MACHADO (texto) e CHRISTIANO ERCOLANI (foto), da Assessoria do Deputado

POLÍTICA. Oposição tira proveito do “Não” técnico à adesão gaúcha para o Regime de Recuperação Fiscal - valdeci-3

Valdeci: “se a União já disse que o Estado não está apto, como é que o governo vai aprovar um Plano que não vai servir para nada?”

O “Não” da Secretaria do Tesouro Nacional à tentativa do governo Sartori de fechar a adesão do Rio Grande do Sul ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) da União põe em xeque à agenda do Palácio Piratini de emplacar privatizações e de ampliar o sucateamento da estrutura pública gaúcha e o ataque aos servidores. Essa é a opinião do deputado estadual Valdeci Oliveira (PT), que reforçou a posição de que a manifestação do órgão federal, assinada, na última quarta (22), pelo secretário do Tesouro Nacional substituto, Olavo de Medeiros, fortalece a postura das bancadas de oposição ao governo Sartori.

“A oposição sempre vacinou à sociedade gaúcha contra o discurso alarmista e oportunista que patrocinava a visão de que só as privatizações e o sucateamento do serviço público salvariam o Rio Grande da crise financeira. Agora, coube ao Tesouro Nacional, que é um órgão técnico, afirmar que as despesas com a dívida do Estado com a União e com servidores não ultrapassam 70% da Receita Corrente Líquida, pré-requisito para o ingresso no Regime de Recuperação. Se faltava alguma coisa para o convencimento coletivo, agora não falta mais”, afirmou o deputado.

Para Valdeci, o ofício do Tesouro, que foi encaminhada diretamente ao secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes, é “acachapante” para a estratégia montada pelo Palácio Piratini de tentar aprovar, na Assembleia Legislativa, ainda no final desse ano, o pacote de projetos que integram o chamado Plano de Recuperação Fiscal do Estado. “Se a União já disse que o Rio Grande do Sul não está apto ao Regime de Recuperação Fiscal, como é que o governo vai aprovar um Plano de Recuperação Fiscal que não vai servir para nada, que não tem o aval do Tesouro? Urge que o governo retire da Assembleia esse pacote draconiano de iniciativas”, acrescentou.

Conforme Valdeci, as bancadas de oposição na Assembleia vão, a partir de agora, intensificar a mobilização para aprovar a CPI do Parcelamento de Salário. “Repito o que sempre afirmei: o governo Sartori procurou, desde o início, difundir a imagem do caos financeiro absoluto para, em seguida, vender, sob aplausos, o patrimônio do Rio Grande. O exagero monumental nessa estratégia está flagrado, e o Palácio Piratini vai ter que tentar arrumar discurso novo para justificar as velhas e nocivas medidas que apresenta para os gaúchos e gaúchas. A oposição continuará vigilante e mobilizada”, explicou Valdeci.



10 comentários

  1. O Brando

    Valdeci foi, é e sempre vai ser um coitado. Logo, ignora-se as abobrinhas que fala. Interesse dele não são os problemas do RS, são as próximas eleições.
    Governo federal através do burocrata afirma que o RS está ferrado, mas não o suficiente para aderir ao Regime de Recuperação Fiscal. Ou seja, quer que a grana continue a sair daqui, mesmo com atrasos nos pagamentos a fornecedores, atraso no pagamento dos salários, saúde indo para o ralo, etc.
    É bom colocar informação vinda de fontes diferentes para mostrar qual o verdadeiro problema.

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=682

    https://jornalggn.com.br/fora-pauta/a-divisao-dos-recursos-federais-e-a-sua-injusta-distribuicao

  2. Jorge

    Um empresário apresenta no banco uma proposta para negociar suas dívidas de grande montante. Tem uma rotina de contas mensais no vermelho há muitos anos, paga os salários atrasados todo mês, sem sobra financeira nem para pagar o plano de saúde dos seus funcionários. Funcionários têm pedido a abertura de um hospital, afinal, tem seus salários descontados todo mês para ter esse retorno, mas o empresário lidando com um caixa único não têm grana nem para comprar um bandaid. Seus dois outros sócios não ajudam, são meio “fora da realidade”, pois no orçamento do ano que vem colocaram despesas sem sentido. Todo ano é assim. Um colocou as previsões para o auxilio moradia dele (mesmo tendo ótima casa) e as férias de dois meses e o outro uns 250 mil reais para fazer uma “mudanças no espaço” num dos prédios que trabalha.

  3. Jorge

    Esse empresário, um pouco mais lúcido que os sócios, a responsabilidade de pagar as contas é dele, faz uma proposta de oferecer bens do negócio como forma de compensar parte da dívida. São os chamados bens “banda podre”. São bens deficitários, outros um cabide de emprego e outros não valem quase nada, mas geram despesas, precisam de uma estrutura de controle, tomam tempo e recursos para analisarem os relatórios das contas e tomarem decisões. Ele não tem recursos para fazer investimentos nos serviços que esses bens dizem prestar. Precisaria fazer mais dívidas para uma delas fazer toda a rede de esgotos de uma cidade, por exemplo.

  4. Jorge

    Sorte que não vai precisar, pois um prefeito amador não fez um planejamento estratégico que exigiria, no contrato, investimentos por 30 anos na rede à altura da necessidade da cidade. Foi sorte. Soltou foguetes. k k k..

  5. Jorge

    Esse empresário tem salários e encargos trabalhaistas para manter os bens da “banda podre” operacionais, mas não à altura da qualidade e da dimensão do que deveriam retornar aos seus funcionários. Não fazem parte da missão do principal negócio principal em si, são bens “agregados”, que foram incorporados no negócio nas gestões dos tempos das lamparinas.. Ele sabe que nos tempos ágeis e modernos, não pode controlar e ter posse de “paquidermes”, é uma boa hora de enxugar, abater a dívida e cuidar só do negócio essencial. Patrimônio que não gera retorno à altura não é patrimônio, é saco de pancada.

  6. Jorge

    O banco, que tem o poder maior na negociação, estuda o caso e estuda as cláusulas restritivas, pois elas é que definem a própria sobrevivência dele … Uma delas faz o banco negar a negociação porque …. a situação tinha de ser pior. .. k k k k.. Mas não “esquece” a dívida, não a diminui, não propõe nada em troca do plano original. Só diz que não dá para o empresário entrar no plano de recuperação fiscal porque a soma de um certo índice tem de ser maior de 70%. Na real fica subentendido que não quer negociar a “banda podre”, pois vem junto até complicação legal, uma vez que muitos dos bens precisam do voto de milhões para uma maioria aprovar as vendas da “banda podre”. O banco presume que o caso vai para o STF. Vai se complicar com a “banda podre” por mais 20 anos, e obviamente não vale a pena negociar nesses termos.

  7. Jorge

    Aí um vermelho ouve a notícia da decisão do banco e CONCLUI, POR CONTA (pelo viés ideológico de sempre, tentando ganho político), que o banco não aceitou porque só confirma o que sempre “soube”, é mais um plano dos Illuminatis para vender os bens da “banda podre”. E que com essa decisão, o vermelho também constata o que sempre “sabia”, o banco “prova” que negociar a “banda podre” está errado.

    k k k …

    Quando se precisa ser professoral para mostrar como a realidade funciona, haja paciência para provar, mais uma vez, que ter uma ideologia é um “mundo do avesso”. Realmente está bem complicado de viver nessa querência quebrada.

  8. Jorge

    O mundo civilizado, onde funciona um Estado moderno, depois de 200 anos de várias tentativas frustradas de todo tipo, umas mais fracassadas que outras, principalmente as nacionalistas (tanto de esquerda como de direita), aprendeu na marra que para ser eficiente e fazer bem o que tem de fazer não operacionaliza por conta indústrias de petróleo, gás, bancos comerciais, carvão, água, telefonia, energia elétrica, não vende leite, Que absurdo aqueles dias que esse Estado até leite vendia. Que atraso.

    Um Estado moderno deve, sim, fazer regulamentação, planejamento, colocar metas e fiscalização via agências, que não pode ser um cabide de emprego de comissionados.

  9. Jorge

    Um Estado moderno só faz GESTÃO de serviços públicos como agente regularizador, regulamentador e fiscalizador, repito.

    Se o Estado brasileiro fizesse isso BEM já seria um milagre. Mas não tem competência para fazer BEM nenhuma das duas coisas, nem como agência nem como agente operacional. Como agente operacional é um fracasso. A direita impôs há uns 30 anos a reserva de informática, lembram? Só por ideologia burra. Um fracasso. Ficamos 15 anos atrás do mundo civilizado. A esquerda recentemente quebrou todas as estatais que colocou as mãos. Demora 15 dias para vir um PAC de São Paulo até aqui, isso se não perderem a encomenda, mesmo com automação. Não é problema só de gestão, é incompetência mesmo, Estado não é para isso Então por que ainda tem ideologia e todas têm tanta dificuldade de aceitarem essa realidade? Que dói nos nossos bolsos!!

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