ESPAÇO ALVIRRUBRO. Enfim, o Inter-SM vence um jogo longe de casa, festeja Leonardo da Rocha Botega

ESPAÇO ALVIRRUBRO. Enfim, o Inter-SM vence um jogo longe de casa, festeja Leonardo da Rocha Botega

ESPAÇO ALVIRRUBRO. Enfim, o Inter-SM vence um jogo longe de casa, festeja Leonardo da Rocha Botega - ESPACO_ALVIRRUBRO-3Vitória dos princípios

Falar em princípios hoje pode parecer algo banal, com pouca importância, algo a não ser levado a sério, coisa de pessoa irrealista. Infelizmente, a ideologia do hiperindividualismo neoliberal tem feito mais estragos do que muitas tragédias. Essa ideologia, que chama tudo que não lhe aceita de “ideologia”, tem matado a própria condição humana. A propagação da morte do que é coletivo, a transformação da sociedade em selva de concorrência e da política em um espaço onde (como disse o sociólogo Francisco de Oliveira) “tudo que é sólido se desmancha em cargo”, têm destruído os princípios.

O futebol (que é parte da sociedade) não tem sido imune a essa destruição. Vivemos o predomínio da lógica do vencer a qualquer custo, do feio com resultado, da negação de um trabalho de longo prazo. O futebol tem se transformado em um espaço onde “o jogador é tratado como o objeto que entrega resultado” (frase do técnico Fernando Diniz) e o torcedor apenas como consumidor. Uma lógica que ao mesmo tempo em que expulsa os pobres dos estádios, aplaude quando eles lotam o treino. E a lógica do pragmatismo irresponsável, onde mesmo com o excesso de jogos sendo televisionados, cada vez menos meninos e meninas brincam de futebol nos parques e nas praças. Porém, como tudo na vida, há aqueles que resistem a isso.

Resistir significa esticar o tempo para além do hoje, nadar muitas vezes contra a corrente do imediato para dar passos mais sólidos rumos ao futuro, ou seja, manter princípios. A comissão técnica liderada por Vinicius Munhoz tem feito isso. Para eles, futebol é uma relação humana, portanto, uma ação coletiva. A proposta de jogo reflete este princípio. Trocar passes, jogar pelo outro, proteger quem tem a tarefa de estar com a bola, ter paciência e arriscar no momento certo, são princípios que vão além da lógica do time de um craque só. São princípios que refletem na alegria de ser substituído sorrindo e de ficar no banco de reserva sabendo que o companheiro que esta em campo também joga por ti. Com princípios, muitas vezes o resultado demora e pode nem chegar, mas a vida é mais humana e mais digna.

São estes princípios, presentes no time do Inter-SM (e que deveriam estar presente em todo o clube), que estão fazendo com que um início ruim de campeonato comece a ser superado. Esses princípios nos fizeram sonhar no ano passado e nos fizeram quebrar um tabu ontem. Ganhamos pela primeira vez fora de casa este ano. Deixamos para trás a nossa fama de bons visitantes.  Que esta fama fique lá no Estádio Edmundo Feix, como o ronco final do chimarrão, e o esforçado time do Guarani de Venâncio Aires bem que tentou fazer com que ela permanecesse.

A primeira chance do jogo foi do time da Terra do Chimarrão através de Henrique. aos 9 minutos, o atacante adversário sozinho acabou cabeceando para fora. Mas logo em seguida, Jackson, o menino que até a pouco tempo trabalhava como pedreiro em Alagoas e que por não desistir de seus sonhos hoje é o artilheiro alvirrubro na Divisão de Acesso, fez 1 x 0. Eram 11 minutos do primeiro tempo, eram 491 minutos (sem contar os acréscimos) sem marcar um gol fora da Baixada Melancólica. Era um Tabu que se estava deixando para trás. Eram 4 jogos, onde mesmo com o time tendo mais volume de jogo, o gol ousava em não sair. O “operário do gol” (assim nomeado pelos meninos da UniFM) ainda teve a chance de ampliar aos 22 minutos, mas a bola passou perto da trave. Em um conforto que historicamente sempre é difícil para o Inter-SM, o Guarani demonstrava que não iria deixar de fazer valer esse fato. Esqueceram que no nosso gol estava o João Paulo.

Para alguns o goleiro é a antítese do futebol, para outros é aquele que evita a alegria do outro. Eu prefiro dizer que é aquele que transforma a alegria do gol em consagração com as mãos. Aos 44 minutos, nosso goleiro ensaiou a consagração defendendo uma cobrança de falta de Rafael. Mas a consagração mesmo veio no segundo tempo com uma defesa que lembrou a sua época de futsal no São Paulo. Aos 22 minutos, João Paulo, com o pé, defendeu uma cabeçada de Alagoano de dentro da pequena área. Essa defesa premiou o excelente trabalho coordenado pelo preparador de goleiros Edi Palmieri, afinal até mesmo as consagrações da posição mais solitária do futebol são coletivas.

No segundo tempo, o alvirrubro teve ainda duas chances de ampliar o placar, com Pablo aos 31 minutos e mais uma vez com Jackson aos 39 minutos. O Guarani, por sua vez, também teve duas chances de empatar: com um gol anulado devido a posição irregular do atacante Alagoano e, aos 47 minutos, com um chute perigoso de Willian. Mas esse era o jogo onde os princípios começam a nos fazer sonhar novamente e o apito final representou isso.

Mantendo princípios, abrimos quatro pontos em relação ao primeiro time fora da zona de classificação e ficamos três pontos atrás do líder do grupo. Se vencermos domingo podemos chegar a segunda colocação. Por isso, domingo será um dia em que o apoio da torcida alvirrubra será fundamental. Domingo será dia de clássico! Que os princípios da comissão técnica do Vinicius Munhoz sigam nos dando alegrias! Que venha o São Gabriel! Domingo, lugar de alvirrubro é na Baixada Melancólica!



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