ESPAÇO ALVIRRUBRO. Leonardo da Rocha Botega e um clube que nasceu da amizade e cria muitas outras

ESPAÇO ALVIRRUBRO. Leonardo da Rocha Botega e um clube que nasceu da amizade e cria muitas outras

ESPAÇO ALVIRRUBRO. Leonardo da Rocha Botega e um clube que nasceu da amizade e cria muitas outras - ESPACO_ALVIRRUBRO-2Noventa anos de afeto!

16 de maio de 1928, um grupo de amigos se reúne no Café Guarany. A ideia do encontro era a criação de um novo clube de futebol na cidade de Santa Maria. Um clube que tivesse um significado que fosse além do município ou da região. Dessa ideia surgiu o Esporte Clube Internacional, com o objetivo de congregar as mais diversas origens étnicas que compõem a sociedade. Aqueles jovens que escolheram as cores da bandeira da Alemanha como as que seriam utilizadas pelo clube (que acabaram sendo trocadas durante a Segunda Grande Guerra) talvez não tivessem a dimensão do que estavam fazendo. Eles não estavam apenas criando um clube para se contrapor ao outro clube da cidade ou para poderem se divertir entre dribles e chutes ao gol. Eles estavam criando um símbolo que une gerações inteiras em torno de uma bandeira.

ESPAÇO ALVIRRUBRO. Leonardo da Rocha Botega e um clube que nasceu da amizade e cria muitas outras - inter-smAlgumas vezes me perguntei sobre a função do futebol. Como pode um esporte despertar tantas paixões entre as pessoas? Demorei para chegar a uma conclusão, e não tenho nenhuma certeza sobre a resposta, mas ouso afirmar que a função do futebol é despertar o sentimento de amizade. Foi esse sentimento que unificou, na década de 1960, os jogadores Arno e Tigaray, que entre um sorriso e outro empolgavam o Bairro do Rosário contando as epopeias vividas vestindo a camisa alvirrubra. Um sentimento que prevalece na amizade dos seus filhos, Marcelo Moraes e Mauro França. Algumas amizades são eternizadas, pois, assim como a escolha do time de futebol, são passadas (conforme o título do belo curta-metragem do Daniel Pillar) “De pai para filho”.

Muitas vezes pai e filho dividem a mesma amizade na tela que separa o gramado da arquibancada geral, como o Nelson Leal de Souza e o William Souza, que já protagonizaram algumas das cenas mais belas que vi na torcida alvirrubra. Como o ex-zagueiro Roberto, que juntamente com seu filho viajou muitos quilômetros para assistirem ao Inter-SM em Ijuí no ano passado, revelando que para a amizade despertada pelo alvirrubro não existe distância e nem tempo que apague.

Entre o sorriso da vitória e o consolo da derrota, na Baixada Melancólica se forjam amizades. Por isso, pouco importa, o adversário, a Divisão que o time joga, nos noventa minutos somos capazes de esquecer até mesmo as absurdas mazelas de um sistema que mesmo tendo capacidade de produzir o suficiente para todos, faz com que muitos não tenham o básico para viver. Tudo porque ao olharmos para o lado vemos alguém que sequer sabemos o nome, a profissão, a opção sexual, etc., mas que chamamos de amigo pelo simples fato de estarmos usando as mesmas cores alvirrubras.

Há 90 anos tem sido assim. Há 90 anos o clube que nasceu de uma amizade, tem sido um criador de amizades. Foi o Inter-SM que unificou Odinei, André, Ricardo, Nico, Carlos, Agnaldo, Leandro, Gabriel, Mauricio, Elias, Erickson, Jader, Thalles, Lima, Márcio, Ian, Renata, Roana, Isa e tantos outros torcedores e torcedoras que não olham o estádio da Rua Ana Neri apenas como um espaço de lazer, mas como uma fábrica de afetos. Afetos que vão além dos mais que noventa minutos. Que passam de geração para geração ecoando o “sempre avante unidos iremos”. Afetos que carregam noventa anos de história! Afetos que nos fazem ecoar que para nós, Esporte Clube Internacional, tu és e sempre serás o maior! Vida longa ao Alvirrubro!

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: a foto que ilustra esta nota é de William Souza



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