ESPAÇO ALVIRRUBRO. Leonardo da Rocha Botega, o 1 x 1 e a convicção de que, sim, é preciso 'ousar e sonhar'

ESPAÇO ALVIRRUBRO. Leonardo da Rocha Botega, o 1 x 1 e a convicção de que, sim, é preciso ‘ousar e sonhar’

ESPAÇO ALVIRRUBRO. Leonardo da Rocha Botega, o 1 x 1 e a convicção de que, sim, é preciso 'ousar e sonhar' - ESPACO_ALVIRRUBRO-3O jogo do levanta e anda

Em uma de suas crônicas o grande Tostão, mestre da seleção brasileira de 1970 e mestre das letras, definiu o futebol como uma metáfora da vida. Essa é uma reflexão que sempre está presente quando penso o futebol. Na vida (e no futebol) muitas vezes somos testados e levados a desistir. As dificuldades financeiras, a solidão de uma luta que para muitos parece sem sentido e as durezas do cotidiano nos deixam sem motivos para seguir. Mas aos trancos e barrancos, nós seguimos. Tudo por um sonho, afinal, como diz o rapper Emicida na música Levanta e Anda: “o sonho te traz coisas que te faz prosseguir”.

A vida e o futebol são fábricas de sonhos. Só isso explica as tantas histórias de meninos que andam quilômetros e mais quilômetros para realizar um teste em um clube de futebol ou para buscar uma oportunidade de estudo em um país onde todos dizem defender a educação, mas poucos lutam pela educação. Não desistir é um ato de resistência que só compreende quem sonha apenas por uma oportunidade na vida. A história das vitórias do Inter-SM é marcada por esses atos de resistência.

O ano de 2007, nosso último acesso, foi assim. Todos tinha jogado a toalha, quando Chiquinho marcou, quase no final do jogo, o gol de empate contra o Santo Ângelo. Muitos (como o então presidente do clube na época) seguiram desistindo diante da necessidade de três vitórias em três jogos. E os resultados vieram: 1×0 no Sapucaiense, 1×0 no Ipiranga de Sarandi (ambos fora de casa) e o memorável 2×1 contra o Pelotas na Baixada Melancólica. Aquelas vitórias foram fruto de um grupo de jogadores que ousou resistir e seguir sonhando. A classificação para as fases eliminatórias neste ano não foi diferente. Desacreditados por terem perdidos os primeiros jogos, os meninos do técnico Vinicius Munhoz deram a volta por cima e conseguiram a classificação com uma rodada de antecedência.

ESPAÇO ALVIRRUBRO. Leonardo da Rocha Botega, o 1 x 1 e a convicção de que, sim, é preciso 'ousar e sonhar' - inter-1Os jogos contra o Glória também são atos de resistência. O primeiro jogo, realizado na Baixada Melancólica, demonstrou isso. Dois times de tradição que seguramente deveriam estar na divisão principal do futebol gaúcho. Dois times qualificados que, assim como no ao passado, promovem jogos que são verdadeiras batalhas de xadrez no campo. Assim foi o primeiro jogo.

No primeiro tempo, o Inter-SM com o volume de jogo característico tentava o gol, enquanto que o time de Vacaria lutava contra o relógio e buscava uma única escapada de contra-ataque. Uma luta que muitas vezes beirou a deslealdade e fazia com que o time cometesse muitas faltas. Em uma delas, aos 7 minutos, Chiquinho cobrou no canto esquerdo e o goleiro Vandré fez uma grande defesa. Dois minutos depois, quase que a única escapada atingiu o objetivo. Edi sozinho cabeceou para fora um cruzamento da esquerda. O Inter-SM ainda teve algumas chances com Jackson e Jardisson, mas a etapa inicial foi bastante trucada, favorecendo a postura defensiva do adversário.

O segundo tempo começou com o sonho se tornando um pesadelo. Após cobrança de escanteio, o experiente volante Nunes pegou o rebote e num chute forte fez Glória 1×0. Eram 6 minutos de jogo e o alvirrubro ameaçou baixa a cabeça. Aos 16 minutos, o Glória quase ampliou com o atacante Lima que tocou para fora um cruzamento rasteiro de Wagner. Foi aí que a magia de uma torcida que nunca abandona o time fez emergir a postura do Levanta e Anda cantado pelo rapper paulistano.

Aos 21 minutos, Paulo Henrique, que substituiu Jackson, lançado pela direita, apostou corrida com a zaga e por pouco não conseguiu chegar na bola antes da antecipação do goleiro Vandré. Aos 27 minutos, Théo, um dos símbolos do time, fez uma bela jogada na linha de fundo. O menino carismático que carrega o coração na chuteira, passou a bola por entre as pernas do marcador e foi derrubado a um passo da área. Na cobrança de falta, Paulo Henrique Borges, após um toque de cabeça do outro Paulo Henrique, acabou cabeceando para fora. O alvirrubro insistia, mas também dava o contra-ataque para o adversário. Em um destes, Giancarlo, aos 34 minutos, quase ampliou o placar chutando por cima do gol.

Um minuto depois, em jogada trabalhada, Chiquinho passa para Pablo dentro da área. “El Mago” dribla e chuta cruzado, a zaga afasta, mas a bola encontrou Paulo Henrique que fez o gol de empate. A Baixada Melancólica explodiu aliviada como quem diz: “O sonho não acabou! O sonho nunca acaba para quem luta!” E o time seguiu lutando. Nos acréscimos, Pablo fez uma grande jogada e chutou cruzado, a bola passou a poucos centímetros do gol. No último lance da partida, a bola é levantada para a área, Paulo Henrique raspa de cabeça e Jeorge acabou perdendo o gol.

Tudo igual! Tudo aberto (com uma pequena vantagem para o Glória que pode empatar em 0x0 devido ao gol qualificado)! Tudo a ser decidido na próxima partida em Vacaria! Que o grito de resistência de quem sonha um sonho coletivo, de um time que entrou em campo com titulares e reservas juntos, ecoe no Altos da Glória! Seguimos levantando e andando!



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