Docentes da UFSM propõem a radicalização da greve para reabrir negociações
Mais que simplesmente manter a greve iniciada em 5 de setembro, os quase 100 professores presentes à assembléia geral realizada na manhã desta quarta-feira, no Campus da UFSM, deram a entender sua disposição de radicalizar o movimento paredista como forma de persuadir o governo a voltar à negociação interrompida, unilateralmente, na semana passada.
É muito difícil saber como será possível, por exemplo, adiar o vestibular do início de 2006 a menos que a Administração Central tome posição nesse sentido. Também, sem a aprovação do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, como fazer para cancelar o semestre? São questões a serem encaminhadas pelas lideranças da greve, a partir das decisões tomadas na assembléia.
Para saber mais, eis, a seguir, o material informativo, com o relato do encontro, enviado aos veículos de comunicação pela Assessoria de Imprensa da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm):
Docentes da UFSM mantêm greve como forma de pressionar governo a reabrir negociações
Inconformados com a decisão anunciada na semana passada pelo Ministério da Educação de encerrar a negociação salarial, os 95 professores que estiveram na assembléia desta manhã, no Auditório Loi Trindade Berneira, no campus da UFSM, definiram com apenas um voto contrário manter a greve como forma de pressão a que o governo reabra o diálogo. Conforme o presidente da SEDUFSM, professor Carlos Pires, mesmo considerando que a postura do MEC de enviar um projeto de lei ao Congresso com uma proposta que não atende aos grevistas ser um golpe, a expectativa é de que se possa reverter o quadro em outras áreas do governo. Ainda segundo o presidente, que esteve durante 10 dias em Brasília, apesar de os representantes do Ministério terem falado que iriam encaminhar o projeto até a última sexta-feira ao Legislativo, isso não aconteceu. O que se espera é uma margem de negociação junto ao Ministério do Planejamento (MPOG) e à Casa Civil, da ministra Dilma Roussef, responsável legal pelo encaminhamento dos projetos ao Congresso.
RADICALIZAÇÃO– Enquanto o governo federal afirma que as negociações salariais com os professores estão encerradas, na assembléia desta quarta a ampla maioria aprovou a discussão sobre a necessidade de radicalizar o movimento e assim fazer com que a sociedade se sensibilize e ajuda a pressionar o governo. A proposta, que teve cinco votos contrários, leva em conta aspectos como a possibilidade de cancelamento do semestre letivo de 2005 e o adiamento do vestibular do início de 2006.
Os professores também aprovaram uma iniciativa diferente numa assembléia docente. Serão convidados a comparecer em futuras assembléias os senadores do Rio Grande do Sul (que são três) e mais os deputados federais que tiveram votação expressiva na região de Santa Maria. O principal objetivo é poder questionar esses parlamentares em relação às ações destes no que se refere a pressionar o governo para que atenda às reivindicações da categoria.
CONFLITOS – A pauta de reivindicações dos docentes das IFES trabalha entre seus itens principais com: um reajuste no vencimento básico de 18% e, mais, a incorporação de gratificações como a GAE e a GED, bem como a estruturação de um novo Plano de Carreira. Já o governo, além de jogar para 2006 qualquer benefício a ser concedido, não trabalha com reajuste linear, mas sim com aumento nas gratificações (por titulação e na GED). O nó principal está no fato de que um reajuste na titulação acaba distorcendo ainda mais a carreira, beneficiando quem está no topo e prejudicando quem possui apenas graduação e, mais ainda, quem já está aposentado. O professor Diorge Konrad, do departamento de História e que também é diretor da SEDUFSM, afirma que a isonomia (igualdade de tratamento) e a paridade (entre ativos e aposentados) é bandeira histórica do Movimento Docente e que não pode ser esquecida. Roberto Bisogno, professor do departamento de Odontologia da UFSM, avaliou que não é momento de encerrar a greve, pois se a categoria fizesse isso seria como admitir uma derrota para o governo e voltar com o rabo entre as pernas.
Após a assembléia, integrantes do Comando de Greve dos Docentes da UFSM se dirigiram ao Gabinete do reitor da UFSM, Paulo Sarkis, para a entrega de documento semelhante ao que foi entregue na reunião dos Coredes na última segunda, 21, aludindo as motivações da paralisação. Em virtude de viagem do Reitor, o documento foi recebido pelo chefe de gabinete, professor Isaias Salim Farret.
OBSERVAÇÃO: Se você quiser conhecer a íntegra do documento entregue ao reitor, releia, mais abaixo, a nota Docentes da UFSM querem apoio da comunidade ao movimento paredista, postada no dia 21, às 20:50:23.





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