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Ensina-me a viver – por Bianca Zasso

E a Feira do Livro de Santa Maria ainda rende para esta colunista. Ao circular por algumas bancas à procura de publicações sobre cinema, fui apresentada a alguns exemplares um tanto quanto curiosos. Livros, em sua maioria escritos por pedagogos e psicólogos, analisavam e/ou sugeriam filmes para todos os fins, desde educar os filhos até melhorar o diálogo nos relacionamentos. A pergunta que não quer calar é: é preciso um livro para explicar a “ajuda” que a Sétima Arte pode dar aos espectadores?

A maioria dos livros que utiliza produções cinematográficas para exemplificar modos de comportamento e educação parte do pressuposto que todo filme tem uma lição. Ora, meus caros, a vida já é muito cheia de pessoas que gostam de dar exemplo em alto e bom som, como se suas experiências fossem perfeitas para ensinar algo àqueles que os rodeiam.

Um filme, por mais hermético que seja, pode ter milhares de significados. Isso porque não é só o que a tela mostra que é absorvido. Somos tocados pelas imagens porque elas apertam o botão que aciona nossas lembranças, nossos desejos, nossos arrependimentos. É este o verdadeiro responsável pelas lágrimas que derramamos na sala escura, somado, é claro, a boa interpretação e direção, que tocam fundo em nossas emoções.

Logo, um filme que parece romântico para uma pessoa, pode ser engraçado para outra. Depende de onde viemos e aonde queremos chegar. Uma linda mulher, para mim, é uma boa diversão de fim de tarde. Não acho nem um pouco romântico, não me comove, não corro para a frente da TV quando ele começa. Há quem me ache um ser de coração de pedra por isso. Porém, me desmancho em lágrimas em Hiroshima, mon amour como se não houvesse amanhã. Acho tão lindo aquele romance sofrido, dois povos, dois mundos, um grande amor.

Acho que antes de sairmos por aí procurando livros que nos “ensinem” a ver filmes, devemos correr atrás de romances, poemas, pessoas, conversas e, é claro, filmes. Só se aprende a entrar no ritmo do cinema frequentando-o com vigor. Isso não quer dizer que você precisa assistir dez filmes por dia. Um bem assistido basta.

Acho que a etiqueta do espectador devia ser obrigatória nas escolas e, mais que tudo, dentro de casa. Orientar os filhos de que cinema é um lugar sagrado e não uma lanchonete para devorar pipoca e conversar. É preciso encarar a ida ao cinema como um aprendizado. Nunca se sabe quando vamos encontrar o filme que vai mudar o nosso dia ou a nossa vida. Pode ser o estopim para encontrarmos o caminho que queremos seguir ou a solução para um problema que nos atormenta.

Ensinar alguém a ver cinema é uma disciplina complicada e que talvez não exista de verdade. Porém, não custa nada colocar a arte à disposição das pessoas para que elas descubram que, mais que um deslumbre aos olhos, cinema pode ser uma aula de vida.

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