ARTIGO. Paulo Pimenta e os 60 primeiros dias de Bolsonaro: ‘destruição de direitos e soberania perdida’

ARTIGO. Paulo Pimenta e os 60 primeiros dias de Bolsonaro: ‘destruição de direitos e soberania perdida’

ARTIGO. Paulo Pimenta e os 60 primeiros dias de Bolsonaro: ‘destruição de direitos e soberania perdida’ - pimenta-artigo60 dias de Bolsonaro: destruição de direitos e soberania perdida

Por PAULO PIMENTA (*)

Dois meses de destruição, submissão aos interesses americanos e ataques às conquistas pelas quais o povo brasileiro lutou décadas. Esta frase resume o primeiro bimestre do governo de Jair Bolsonaro, mas a lista de maldades e trapalhadas atingem todas as áreas da administração pública.

A proposta de reforma da previdência é, sem dúvidas, a maior crueldade apresentada até agora. Na prática, se o projeto de Bolsonaro for aprovado, a previdência social ficará inviabilizada e poderá ser extinta em pouco tempo.

Na economia, comprovou-se o que denunciávamos na campanha: Bolsonaro governa para os ricos, para o mercado financeiro e para as multinacionais que têm interesse em abocanhar o patrimônio e os recursos naturais do Brasil.

Um exemplo disso foi a retirada da tarifa antidumping para o leite da União Europeia e Nova Zelândia, considerada uma traição de Bolsonaro ao agronegócio. Mas o governo foi mais longe. Ao contrário dos países ricos que protegem suas empresas, Guedes esta eliminando a tarifa de importação de mais de 700 produtos industriais. Vamos quebrar os produtores de leite, eliminar empregos e fechar indústrias.

Na segurança pública, o ex-juiz Sergio Moro reafirma a sua inclinação pelo populismo penal ao apresentar um “pacote” com propostas cujo principal resultado será o aumento do número de mortes de jovens negros nas periferias das grandes cidades.

Por outro lado, Moro ignora completamente os escândalos que envolvem a família Bolsonaro. Apadrinhamento de milicianos, funcionários fantasmas, laranjas, caixa dois para bancar o disparo de mentiras via redes sociais, entre outros, são temas sobre os quais o ministro silencia ou se contradiz. Moro condena uns por convicção e, “absolve” outros por excesso de provas.

No meio ambiente, as notícias são as piores possíveis. Além de Bolsonaro ter escolhido para ministro da área um notório inimigo da luta ambientalista, o governo já aprovou, em menos de dois meses, 86 novos agrotóxicos. Vários destes produtos estão banidos em diversos países e são extremamente nocivos. Como se fosse pouco, porta-vozes do governo já declararam que reduzirão as áreas indígenas e de proteção.

O cenário da educação sob o governo Bolsonaro é de trevas. Com um ministro que defende explicitamente a doutrinação ideológica e o monitoramento de crianças, a pasta deverá privilegiar os grandes grupos empresariais do setor. A redução de vagas nas Universidades e a precarização das escolas públicas são o caminho e a consequência da gestão Bolsonaro, que acha que o país já gasta muito com educação.

A China também não gostou dos ataques ideológicos feitos pela família Bolsonaro e isso provavelmente facilitou o anúncio, por parte do governo Trump, de que os chineses vão aumentar a importação da soja americana, que hoje é comprada majoritariamente do Brasil. Mais prejuízo para a economia brasileira.

O que esperar de um presidente que é pego mentindo para o seu país?  Que publica, de forma furtiva, uma MP cujo único objetivo é inviabilizar a organização dos trabalhadores e destruir os sindicatos? Esse artigo traz apenas a ponta do iceberg que poderá afundar o Brasil. Por isso é tão fundamental a resistência – no Parlamento e nas ruas – para evitarmos a destruição completa do Estado de bem-estar social que a sociedade brasileira conseguiu erguer nos quase dois séculos de República.

(*) Paulo Pimenta é Deputado Federal, líder da Bancada do PT na Câmara dos Deputados

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: a imagem que ilustra este artigo é uma reprodução de internet.



1 comentário

  1. Ricardo Massu

    Alguma declaração do nobre deputado sobre a quebradeira na Petrobras e outras estatais durante os longos 13 anos dos (des)governos petistas?

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