CRÔNICA. Santa Maria (a confeitaria Copacabana, e Camobi...) por quem se foi daqui mas não a esqueceu

CRÔNICA. Santa Maria (a confeitaria Copacabana, e Camobi…) por quem se foi daqui mas não a esqueceu

Saudosismo  –  o crescimento de Camobi me surpreendeu  

Por FRANCISCO ROBERTO DE AVELAR BASTOS (*)

Durante longos anos o acesso ao ensino superior era cheio de dificuldades, em muito pela pouca oferta de vagas e a centralização dos cursos em grandes centros. Isto fazia com que as nossas gerações, ao finalizarem o que hoje chamamos de ensino médio, dependendo de onde moravam, tinham obrigatoriamente que mudarem de cidade.

Neste contexto, Santa Maria se colocou como um centro universitário dos mais concorridos. A excelência do ensino da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) fazia com que os jovens optassem em prestar o disputadíssimo concurso vestibular para ingressarem num mundo de pesquisa, conhecimento e formação profissional.

CRÔNICA. Santa Maria (a confeitaria Copacabana, e Camobi...) por quem se foi daqui mas não a esqueceu - bastosFosse no moderno campus de Camobi ou ainda na antiga reitoria, milhares de alunos circulavam da manhã à noite, num clima coerente com as belezas que a juventude proporciona. E aí a dicotomia estudo/lazer, aprovação/reprovação, encontros/desencontros compunha este quadro cuja saudade e a lembrança toma conta eternamente de cada um que vivenciou este tempo.

Num dia desses, voltei a Santa Maria em função de compromissos profissionais e me surpreendi com o crescimento urbano, que completou aqueles espaços vazios com grandes prédios. Mas também percebi ainda aberta a chaga da Boate Kiss, uma tristeza que contamina o ar pelas vidas ceifadas precocemente, que estavam fazendo o que fazíamos quando tínhamos a idade dos 242 jovens que partiram para a eternidade.

Então, entre um compromisso e outro, na tentativa de voltar no tempo, fui ao agora chamado calçadão, que era a 1ª Quadra, entrei na Confeitaria Copacabana e pedi uma bomba de chocolate, saboreando aquela delícia e achando falta da cyrillinha de laranja, que não estava disponível.

Retornando para a minha Cachoeira, que me abrigou, fiquei com vontade de voltar não para a Santa Maria de agora, mas para a Santa Maria do meu passado.

(*) Francisco Roberto de Avelar Bastos é Cirurgião Dentista, nascido em Rio Pardo e formado pela UFSM em 1982. O texto foi originalmente publicado na edição desta quinta-feira, dia 14, no Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, onde Bastos está radicado há muito tempo.

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: a imagem que ilustra este texto, uma parcial do interior da Confeitaria Copacabana, é do Trip Adviser



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