BASTIDORES. Feicoop e o trio de ferro, Pozzobom e Olívio, o petista e a Ford, CPERS e Sinprosm, Alídio...

BASTIDORES. Feicoop e o trio de ferro, Pozzobom e Olívio, o petista e a Ford, CPERS e Sinprosm, Alídio…

Por MAIQUEL ROSAURO (texto e foto), da Equipe do Site

A 26ª Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop) ocorreu entre quinta-feira (11) e domingo (14), em Santa Maria, reunindo milhares de visitantes. O evento, como de costume, agitou o cenário político tanto no Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter quanto nas redes sociais.

Trio de ferro

Poucos percebem, mas o motivo primordial da Feicoop ocorrer de forma ininterrupta há 26 anos está no fato de ser organizada pelas três maiores instituições de Santa Maria: Igreja Católica, Prefeitura e UFSM.

A primeira entidade – via Projeto Esperança/Cooesperança, Banco da Esperança e Cáritas – atua na organização de um modo geral; a segunda é responsável por todo o suporte na infraestrutura e arredores da Feira; e a terceira tem um papel fundamental na elaboração de projetos para captação de recursos para o evento.

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Assim que avistou Olívio Dutra na Feira, Jorge Pozzobom foi a sua direção. No palco, o tucano pediu uma salva de palmas ao ex-governador

Olívio

Quem marca presença todos os anos é o ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), sempre muito tietado a cada passo na Feira. Poucos antes da cerimônia de abertura, enquanto jornalistas conversavam em frente ao palco, o Galo Missioneiro se aproximou e perguntou se poderia se sentar em uma cadeira próxima. Logo após se acomodar puxou de sua bolsa um pacotinho de biscoito e ofereceu para todas as pessoas que estavam a sua volta.

Demorou apenas alguns segundos para o público perceber sua presença e solicitar selfies. Em certo momento, quem apareceu para cumprimentá-lo foi o prefeito de Santa Maria, Jorge Pozzobom (PSDB), que demonstrou um grande carinho pelo petista, inclusive em seu discurso no palco.

“Olívio Dutra, eu quero te dizer que independente de questões político-partidárias, o dia em que colocarmos nossos partidos acima das pessoas nós não temos mais razão de estar na política. Tu és uma grande referência. Peço para ele uma carinhosa salva palmas”, disse o tucano.

Pozzobom

Nos últimos oito anos consecutivos, o repórter signatário desta seção atuou como assessor de imprensa da Feicoop, acompanhando in loco os bastidores do evento. Analisando esse cenário em retrospectiva, o que mais chama atenção é a diferença de postura entre o ex-prefeito Cezar Schirmer (MDB) e o atual, Jorge Pozzobom.

Enquanto o emedebista participava da Feira por pura obrigação do cargo, o tucano não se limita a estar presente apenas na cerimônia de abertura. No sábado (13), lá estava Pozzobom de novo, andando com desenvoltura por uma feira ideologicamente identificada com a esquerda. E mesmo antes de assumir a Prefeitura, Pozzobom sempre visitava a Feicoop, circulando por todos os seus pavilhões.

Dois motivos ajudam a explicar a sintonia de Pozzobom com o evento. Primeiro: enquanto Schirmer era protocolar, o tucano sempre se mostra acessível tanto à direção do Projeto Esperança/Cooesperança quanto aos próprios feirantes. Segundo: Pozzobom, enquanto deputado estadual, foi o relator do projeto de lei do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf-RS), ferramenta que hoje impulsiona a venda de produtos de agroindústrias além dos limites municipais.

Ford

Um dos momentos mais interessantes desta edição da Feicoop foi a palestra proferida por Olívio Dutra na manhã de sábado, na 5ª Etapa da Escola Cristã de Educação Pública (ECEP), sob um lonão no Parque da Medianeira. O petista relatou, por exemplo, um dos momentos mais conturbados de sua gestão no Palácio Piratini, que foi a negociação com a Ford, que desistiu de instalar uma fábrica em Guaíba, em 1999.

“A GM aceitou negociar conosco. A Ford estava com as costas quentes, mantendo relação ainda com o governo anterior. Eles falavam mais com o ex-governador (Antônio Britto – MDB) e com FHC do que conosco. Para nós o contrato era leonino, não pode o Estado passar dinheiro para uma empresa enquanto passa por dificuldade. Eles também não estavam cumprindo com o que deveriam cumprir e romperam o contrato, mas ficou na mídia que mandamos a Ford embora”, relatou Olívio.

Em 1998, no governo Britto, foi assinado financiamento do Banrisul com a Ford para o aporte de R$ 210 milhões no projeto de instalação da empresa. O recurso seria liberado aos poucos, mediante prestação de contas de cada etapa da obra. Após o pagamento da primeira parcela, de R$ 42 milhões, em 1999, no governo Olívio, a Ford saiu do negócio alegando atraso do Estado no pagamento da segunda parcela e questões políticas com a nova Administração. Por consequência, o Piratini entrou na Justiça contra a empresa.

Ao não seguir repassando dinheiro para a Ford, Olívio relatou que conseguiu pagar o funcionalismo em dia e a investir na micro, pequena e média empresa descentralizada. Também relatou que a economia gaúcha cresceu melhor, pagando um salário mínimo acima da inflação.

Após 16 anos, no governo Sartori, a Ford aceitou pagar R$ 216 milhões de indenização ao Piratini, em acordo homologado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em valores corrigidos pela inflação, a empresa deveria ter pagado mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos gaúchos. Porém, por precisar de dinheiro em caixa, Sartori decidiu negociar diretamente com a montadora.

“Eles se ajeitam entre eles”, refletiu o Galo Missioneiro.

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O 2º Núcleo do CPERS/Sindicato e Sinprosm realizaram uma reunião (foto acima, de Divulgação), na Feicoop, com a deputada estadual Sofia Cavedon (PT), presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa. Os sindicalistas demonstraram preocupação em relação ao destino do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que hoje também é disputado com o setor privado.

Foi entregue à deputada uma pauta dos diretores das escolas de Santa Maria e região. Por sua vez, a petista demonstrou disposição em dar sequência aos pedidos.

Banner da discórdia

Um banner do deputado federal Paulo Pimenta (PT) foi instalado próximo à entrada da Feira, o que acabou gerando uma enxurrada de críticas nas redes sociais. A postagem de maior repercussão foi feita pelo empresário Norberto Da Cás, que no dia anterior havia assinado sua ficha de filiação no Progressistas, em evento realizado na Câmara de Vereadores.

Casa nova

Quem também realizou um evento no Legislativo foi o PT, que na sexta (12) promoveu uma reunião do movimento Resistência Socialista. Destaque do evento foi a filiação do ex-presidente municipal do PCdoB, Alidio da Luz.



2 comentários

  1. O Brando

    Olívio é uma espécie de Mujica missioneiro. Tem qualidades e defeitos, porém não é possível duvidar da honestidade e das boas intenções do sujeito. Caso Ford é algo que não tem desculpa, tenta terceirizar a responsabilidade (rever contrato assinado em outro governo). Existe a tentativa de reescrever a história, ao que se responde facilmente: o próprio partido vetou a candidatura do Galo à reeleição. Fizeram umas primárias e mandaram Tarso no lugar.
    Vermelhinhos juram de pé junto que a Feira não tem viés ideológico. Para quem acredita neles tenho uma universidade a venda no bairro Camobi, sai bem baratinho.

  2. raul silveira de carvalho

    Laranjinhas juram de pé junto que a Feisma e a Expofeira – quando essas existiam -, não tinham viés ideológico. Se você acredita em duendes e querubins, embarque nessa!

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