ARTIGO. Michael Almeida Di Giacomo, a Covid-19 e perguntas desconfortáveis que o poder não responde

ARTIGO. Michael Almeida Di Giacomo, a Covid-19 e perguntas desconfortáveis que o poder não responde

ARTIGO. Michael Almeida Di Giacomo, a Covid-19 e perguntas desconfortáveis que o poder não responde - af38da27-michael-artigoCovid-19 e as inquietações da população

Por MICHAEL ALMEIDA DI GIACOMO (*)

O isolamento social deve ser vertical ou horizontal? É melhor a imunidade de rebanho? Os governos estaduais iniciaram o isolamento muito cedo? O plano de distanciamento controlado de Eduardo Leite é só um quadro para colorir? O vírus é transmitido pelo ar? E o uso da máscara, protege? O “kit Covid” previne ou é mera pirotecnia messiânica?

Há quem diga que até agora as autoridades ainda não sabem o que estão fazendo. No âmbito federal, a assertiva deve ser tida como uma certeza, quase que absoluta.

Embora soubéssemos ser uma doença de grande letalidade, a par das notícias que vinham da China, a verdade é que nossa geração ainda não havia enfrentado uma crise sanitária tão perversa e nociva ao nosso meio social. O ineditismo do vírus aponta a dificuldade em sabermos como lidar com essa situação.

Porém, essas e outras perguntas de ordem sanitária, na minha opinião, devem ser respondidas por quem tem a expertise científica para tanto. Muitas ainda serão respondidas após o término da pandemia, a partir da própria experiência que ora vivemos.

A população esperava respostas assertivas a um problema de difícil resolução, uma vez que trata diretamente da saúde de todos. Na verdade, as pessoas não estão de todo erradas, pois os governantes têm por função principal implantar políticas públicas que visem a justamente o bem-estar de seus governados.

Não bastasse a necessária proteção à saúde das pessoas, a pandemia causa uma hecatombe na combalida economia brasileira. Em um país com enormes desigualdades sociais, a classe trabalhadora é quem mais sofre os efeitos econômicos.

Uns dizem, “mas os ricos também estão tendo perdas”. Sim, concordo. Porém, os ricos somente ficam menos ricos, já os pobres acabam por ficar miseráveis. E desse modo estamos nos deparando com um contingente de milhões de desempregados que, por um longo tempo, terão enormes dificuldades de reingressar no mercado formal de trabalho.

Ao nos aproximarmos do quinto mês de distanciamento ou isolamento social, as ações no combate à disseminação do vírus começam a causar um efeito no estado anímico das pessoas. Todo esse contexto de incertezas e perdas tem sido percebido no dia a dia das cidades.

Assim, a necessidade de sobrevivência leva uns a buscar o convívio social na busca de colocação de trabalho, ou meios alternativos a fim de aplacar as dificuldades de sua família. E não tem como ser diferente.

No entanto, é difícil compreender o contingente de negacionistas a demonstrar tamanha falta de empatia com a grave crise que enfrentamos. Buscam minimizar os efeitos da pandemia e deixam perceber um grau preocupante de sociopatia nas suas ações.

E isso pode ser visto nas atitudes de pessoas que não seguem as orientações das autoridades públicas em relação às medidas de prevenção, tais como: o uso da máscara e o evitar aglomerações e, mesmo com a possibilidade de se manter em distanciamento, essas pessoas optam por promover festas, seja em ambientes familiares, seja em ambientes públicos.

Esse modo de se colocar reverbera um senso comum de irresponsabilidade e hedonismo próprios de uma sociedade ainda muito individualista. E, à medida que não se tem o cuidado adequado na proteção à sua saúde, a pessoa está prejudicando o coletivo expondo toda uma falta de consciência social.

Todo esse contexto nos mostra que não há soluções fáceis.

O ideal é que a racionalidade humana pudesse tornar o momento menos difícil. Porém, o grande número de vítimas fatais da pandemia só fará sentido quando esses dados passarem a tornar-se nomes conhecidos daqueles que acreditam que ao promover uma “desobediência civil” irão vencer o vírus.

(*) Michael Almeida Di Giacomo é advogado, especialista em Direito Constitucional e Mestre em Direito na Fundação Escola Superior do Ministério Público. O autor também está no twitter: @giacomo15.

Observação do editor: A imagem que ilustra este artigo, sem autoria determinada, é uma reprodução da internet.



1 comentário

  1. O Brando

    Se ‘O ineditismo do vírus aponta a dificuldade em sabermos como lidar com essa situação’ quem tem ‘a expertise científica’?
    Economia brasileira não é a única atingida. Uniao Europeia aprovou um pacote de 826 bilhões de dólares. São 27 países. É apenas 44% do PIB brasileiro em 2019. Deve ser captado com divida, apesar de falarem em aumento de impostos. Numa economia que emitiu moeda como nunca para ativar a economia. O que vai dar disto não se sabe.
    Argentina quebrou. De novo. Chance de virar uma Venezuela é grande. Falam no Libano, também estaria em dificuldades.
    O normal no Brasil é não seguir as orientações das autoridades públicas. Aqui não é o Japao e nem a Alemanha.
    Aqui cabe uma cunha filosófica. A natureza humana foi varrida para debaixo do tapete. As pessoas têm que se comportar 100% do tempo de forma racional como se fossem robôs. Esqueceram da frase (paráfrase) ‘o ser humano é uma corda sobre o precipício, estendida entre o animal e o que está além do ser humano’.
    O nível de stress na sociedade está nas alturas. Desobediência civil não é um movimento , é uma reação natural.

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