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NEGÓCIOS. Comércio mantém-se otimista em SM, mas não nega os problemas que vieram com a Covid

Movimento caiu bastante, nos últimos sete meses  Mas os comerciantes (e prestadores de serviço) procuram manter o espírito otimista

Por ANDRIELE HOFFMANN DA CRUZ (com fotos de Reprodução e Arquivo Pessoal), Especial para o Site (*)

Desde março deste ano, a pandemia do coronavírus vem obrigando o comércio de todo o Brasil a enfrentar uma crise financeira que ainda está longe do fim. A pesquisa Pulso Empresa do IBGE – que estima os impactos da covid-19 nas empresas do país – mostra que a pandemia provocou uma queda nas vendas ou prestação de serviços em 36,1% das empresas em funcionamento no País na primeira quinzena de agosto. Entre os setores, 44,5% das empresas de comércio tiveram redução nas vendas, com ênfase para o segmento de comércio varejista, que teve queda de 48,9% na primeira quinzena de agosto.

Completando sete meses de pandemia, o comércio não essencial de Santa Maria continua sendo afetado financeiramente pela queda gradual nas vendas e no faturamento que, entre os mais prejudicados, são os setores que trabalham com eventos, beleza, vestuário e turismo.

Conforme o economista Mateus Frozza, professor da UFN e também secretário de Finanças do município, esse cenário se justifica e em parte pelo expressivo índice de desempregados e a alta na informalidade. Além disso, o auxílio emergencial, oferecido pelo governo federal, concentra o consumo nas necessidades básicas, como farmácias e supermercados.

De acordo com o gerente de loja de móveis e eletrodomésticos em Santa Maria, Ariel Portes, as vendas no início da pandemia – sem contar os períodos em que a loja esteve fechada –  as metas diárias eram alcançadas. Porém, com o passar dos meses, as vendas foram caindo gradativamente. “Mesmo o comércio com o horário reduzido a gente conseguia ter bons números no dia. Conforme o tempo foi passando foi ficando cada vez mais difícil”, relata o gerente.

A possível explicação para esse cenário entre as empresas é que em março – início da pandemia -, houve muitas demissões e as rescisões de contrato acabaram injetando dinheiro no comércio. “Muitas pessoas aproveitaram para renovar uma cozinha, um quarto, comprar alguma coisa que precisava há tempos”, explica o gerente.

Teve quem arriscou iniciar um negócio nos últimos meses, mas os relatos confirmam a insatisfação com as vendas neste período pandêmico. Janete Degrandi Gazzola, proprietária de loja de confecções plus size no centro de Santa Maria, relata que assumiu a loja há 3 meses e que as vendas têm diminuído de forma gradual. “Nós trabalhamos com um público muito específico, que são também pertencentes ao grupo de risco”, explica a proprietária.

Na busca por uma reversão dessa realidade, empresas têm recorrido a alternativas que atendam ao novo formato de consumo imposto pela pandemia, que visa à praticidade, conforto e principalmente a segurança do consumidor: vendas online (site ou direcionada pelo whatsapp), tele-entrega, atendimento à domicílio, pagamento por boleto, entre outros.

A presidente do CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Santa Maria, Marli Rigo, afirma que a economia local vêm enfrentando um momento frágil, mas que é preciso se reinventar para atender as necessidades do novo consumidor, pois os produtos não essenciais não são prioridade, mas continuam fazendo parte do cotidiano das pessoas. A proprietária de um studio de beleza em Santa Maria, Thaís Ribeiro, relata que, além de todas medidas de prevenção ao coronavírus, passou a fazer atendimentos domiciliares para preservar a segurança de suas clientes.

A expectativa dos comerciantes para os próximos meses são otimistas, pois as próximas datas comemorativas estimulam o consumo: Dia das Crianças, Black Friday e o Natal. No entanto, os empresários estão conscientes que não haverá um consumo desenfreado. “Dezembro é a grande ʽsafraʼ, o horário é outro, o espírito de trabalho é outro, mas preciso ser franco que este ano vai ser diferente”, salienta Portes, gerente de loja. O economista Mateus Frozza alerta que compras em datas comemorativas vão ocorrer, mas em menor escala. “O consumidor vai agir com prudência pensando no próximo mês”, finaliza o economista. De acordo com Frozza, a retomada está atrelada a volta da confiança na economia, política e saúde.

Link dos dados retirados do IBGE: AQUI

(*) Andriele Hoffmann da Cruz é acadêmica de Jornalismo da Universidade Franciscana e faz seu “estágio supervisionado” no site

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