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SAÚDE. As doenças silenciosas que emergem na pandemia da covid e o que fazer para neutralizá-las

Um inimigo mais cruel do que a Covid-19 ataca silenciosamente a população durante a quarentena provocada pela pandemia

Por JOEDISON DA SILVA DORNELLES (com imagem Pixabay), da CentralSul Agência de Notícias (*)

O novo coronavírus também chamado de Covid-19 já atingiu o planeta inteiro. São mais de 1 milhão de pessoas mortas  e mais de 35 milhões de casos confirmados ao redor do mundo. Milhares de famílias atingidas por um vírus para o qual ainda não se tem cura, e que não se sabe de onde surgiu. E o pior, não se sabe se algum dia irá acabar.

Aqui no Brasil já são 5 milhões de casos confirmados e 150 mil vidas perdidas para o novo vírus. Tanto o país quanto o restante do mundo adortaram medidas de prevenção contra o novo coronavírus, tais como o uso de máscaras, luvas, álcool em gel, afastamento social, fechamentos do comércio, escolas, ou redução no número de pessoas em um mesmo ambiente.

Certa parcela da população mundial  não obedeceu as regras de afastamento. Preferiram sair e correr os riscos de contrair a covid, seja pela necessidade de ir trabalhar, ir ao médico ou  de comprar alimentos. Há ainda, aqueles que optaram por fazer de conta que o vírus não existe ou, simplesmente acreditar que está tudo normal.

Vale ressaltar que há uma enorme quantidade de pessoas que optou por fazer a quarentena. Optou por se proteger, proteger os seus familiares, amigos e também tentar aniquilar o vírus.  E se ficar em casa ajudou muito na proteção contra o Covid-19,  ao mesmo tempo acabou abrindo espaços para novos inimigos. Isoladas em casa, muitas pessoas, cansadas por não terem o quê fazer e não poderem circular, acabaram apresentando novas doenças.

A saudade dos amigos, familiares, empregos, escolas, faculdades, entre tantas outras coisas, fizeram o psicológico de muitos ficar tão abalado que inúmeros casos de depressão, ansiedade, tonturas e pressão alta estão sendo diagnosticados.

A procura por especialistas da área  da saúde mental aumentou significativamente.

Aqui em Santa Maria, Larissa Goulart, 23 anos, estudante de Terapia Ocupacional do 8° semestre da Universidade Franciscana e estagiária na Clínica Escola de Terapia Ocupacional da UFN e também na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), afirma que: “nesse momento atípico no qual nos encontramos devido à pandemia, a procura por auxílio psicológico e de demais profissionais da saúde aumentou acentuadamente. Esse aumento da demanda, ocorreu devido ao isolamento social que foi o momento no qual as pessoas passaram a sentir-se só e sem ter com quem contar, vinculado ao grande volume de notícias trazidas pela mídia. Com isso, o sentimento de solidão, acabou gerando nas pessoas um grande número doenças como depressão e ansiedade”.

As demandas para atendimentos Terapêuticos Ocupacionais aumentaram consideravelmente, não apenas a partir de declínios cognitivos, pacientes de saúde mental, como também para reorganizar e adequar rotinas devido ao prolongamento do isolamento social.  Essa reorganização da rotina, se deu em todas as faixas de desenvolvimento visto que, as crianças e adolescentes não estão mais indo a escolas e nem aos tratamentos, os pais estão trabalhando em regime de home office e isso gerou uma grande mudança, interferindo significativamente no desempenho ocupacional dessas pessoas, assegura a estagiária em terapia ocupacional.

A estudante declara que o prolongamento da pandemia fez com que os profissionais da saúde, a partir do segundo mês, iniciassem o protocolo de atendimentos online, ou seja, tele-consultas, teleatendimentos e tele-monitoramentos, desenvolvidos para organizar os atendimentos às pessoas que necessitam. “Após a flexibilização, iniciou-se novamente os atendimentos individualizados, com todos os EPIs de segurança necessários para prevenção do profissional. como também do paciente”, informa Larissa.

A psicóloga Regina Stock, que trabalha na Unimed, diz que aumentou muito o número de pessoas que procuram o atendimento psicológico. No entanto, ela não atribui essa tendência ao Covid, mas sim ao  isolamento decorrente dele. ” O fato das pessoas ficarem mais tempo em casa, conviverem mais com os familiares e o ócio também decorrente de não estarem exercendo suas funções, já que quem estuda tinha uma rotina, quem trabalhava e reduziu o horário tinha outra rotina”, diz  a psicóloga.

Segundo ela, as incertezas do futuro, o medo da contaminação pelo vírus são coisas que geram ansiedade. “As pessoas pararam para pensar nos seus problemas que, às vezes, estão arrastando por tempos e esses podem ser um dos motivos que fez com que aumentasse a demanda (por atendimento) durante a quarentena”, comenta Regina ao afirmar também que neste momento as pessoas estão muito estressadas.

“A própria situação vivida causa ansiedade, vários distúrbios e as doenças mentais tem aumentado muito. Os procedimentos que temos adotados é de acordo com cada situação. Há pessoas que buscam o atendimento com ansiedade, tem pessoas com depressão, síndrome do pânico, esquizofrenia… então, não é uma atitude padrão para todos”, relata a psicóloga.

Regina conta que trabalha com sistemas,  quando busca ver onde aquela pessoa está inserida, as situações que ela vivencia e o que se pode fazer nesse contexto. “O paciente às vezes está se boicotando. Muitas vezes o problema que ela apresenta é gerado por ele próprio, por pensamentos distorcidos da realidade ou pensamentos disfuncionais que ocasionam algum sentimento, afirma a psicóloga.

Ela fala também que na maioria dos casos são problemas emocionais, alguns patológicos. São patologias crônicas que perduram a uma vida toda e outros adquiridos recentemente. “Acredito que tudo é tratável, o principal para esta questão é o empenho que a pessoa possa fazer para que faça mudanças na própria vida”. “Precisamos ser autor das nossas mudanças, do nosso livro que a gente escreve a vida toda, não podemos ser coadjuvantes temos que fazer o papel principal”, assegura a psicóloga.

Os atendimentos atualmente são de forma online, por áudio ou vídeo, devido ao fato de haver pacientes que não querem ser vistos, apenas ouvidos. As sessões são semanais.

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(*) Matéria produzida para a disciplina de Jornalismo Científico, do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana.

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