ANÁLISE. Jorge Pozzobom terá que compor com adversários, para ter um 2º mandato mais tranquilo
Também precisará enquadrar o vereador eleito do PSL, que apoiou Cechin
Por Claudemir Pereira
A política é, também, a arte de engolir sapos. E, sim, para ter um novo mandato mais tranquilo, depois da vitória inconteste e de goleada no segundo turno, neste domingo, Jorge Pozzobom (PSDB) e seu vice Rodrigo Decimo (PSL), necessariamente precisará de um mínimo de tranquilidade política no âmbito da Câmara de Vereadores. Isso, é possível afiançar, levará a concessões, inclusive com cargos no primeiro escalão do governo – leia-se Secretariado.
Se considerar-se que o tucano só contou com apoio crítico do PC do B e as restrições institucionais de todos os demais concorrentes do prmeiro turno, só tem um jeito: conciliar. E buscar apoio entre os adversários, para uma travessia menos turbulenta no próximo período.
Agora, inclusive pelo que se notou na campanha, não será com todo mundo. É improvável que o prefeito reeleito busque PP e MDB, pelo menos para começar o governo. Da mesma forma, os comunistas do B e o PT ficam fora dessa articulação, ainda que se possa imaginar alguma condescendência inicial, em nome dos interesses maiores do município.
Vai daí que a composição inevitável terá de ser feita com as outras agremiações – para além do próprio PSDB, do DEM e do PSL, que compuseram a aliança majoritária. Mas há uma preliminar. Antes de qualquer coisa, o governo eleito terá de enquadrar um dos “seus”. Afinal, o vereador Tony Oliveira, do PSL, apoiou Sérgio Cechin, do PP, nos dois turnos da eleição. E terá de ser, de alguma maneira, chamado às falas.
Ao que tudo indica, o parecer do Conselho de Ética municipal dos pesselistas, que recomendou (a decisão terá de vir dos escalões superiores da sigla) a suspensão do futuro parlamentar, acabou por se tornar um aviso. É ver como ele irá reagir – ao repórter do site, Maiquel Rosauro, semana passada, preferiu “nada declarar”.
Resolvida essa preliminar, que ninguém duvide: Pozzobom e Decimo vão, sim, conversar. Se não com os partidos, institucionalmente, com os vereadores diretamente. O que já ocorreu, diga-se, no primeiro mandato. É onde o PSB, o Republicanos (cujo presidente, o vereador reeleito Alexandre Vargas, visitou Pozzobom e o cumprimentou ainda na noite deste domingo) e o próprio PDT entram. Isso, mais a possível neutralidade (administrativa, não política) de PC do B e PT, pode ajudar a encaminhar o início de um mandato mais tranquilo. Encaminhar, não necessariamente garantir.
Nada surpreende na aldeia, mas vamos ver o nível de vergonha na cara dos edis e dos partidos. Vamos ver quem se vende por cabides.