Do Rogério Ferraz. A Corsan, o péssimo serviço prestado e a responsabilidade de uns e outros
O Rogério Ferraz é um funcionário da Companhia Rio-grandense de Saneamento, a notória Corsan. É, também, líder sindical do sindicato que reúne os trabalhadores da organização – no caso, o Sindiágua. Não esconde isso – nem este sítio. Sua crítica, não raro muito forte, até agora não foi contestada por ninguém. Seja por opção dos criticados ou por falta do que dizer, diante da argumentação apresentada. O espaço, de resto, está sempre disponível para o contraditório.
O que você lerá abaixo, da lavra do Ferraz, é uma contundente observação sobre o trabalho da companhia mas, sobretudo, trata das (ir)responsabilidades de cada político com vinculação santa-mariense. Inclusive um ex-servidor da corporação, que milita politicamente no campo situacionista. Enfim, sobra pra muita gente – e pouquíssimos são citados positivamente. Repetindo que quem desejar responder terá esse direito resguardado, confira o que escreve Rogério Ferraz:
Corsan
O debate é salutar. Sem dúvidas, há muito a se melhorar na prestação de serviço desta importante estatal
Ao me deparar com a primeira matéria do jornal onde a reportagem deu voz ao ex-superintendente Elias Pacheco, fiquei perplexo. A pergunta que fica é: com que autoridade este senhor vai à imprensa questionar o serviço da Corsan? A qualquer outro cidadão de Santa Maria é dado este direito, mas não a ele.
Explico: Elias Pacheco se aposentou recentemente na Corsan. Durante toda a sua vida funcional de engenheiro não elaborou um projeto sequer para a Companhia, ou seja, ganhava como tal mas não exercia. Desempenhou durante quase a totalidade de sua vida ativa na Corsan, cargos de chefia. Então, se ele tinha a obrigação como chefe de fazer as coisas acontecerem e não o fez, como que agora ele vem a público questionar o serviço da estatal? Com que direito ele diz que os contratos devem ser revistos? Fala inclusive de contratos com empreiteiras que, aliás, é o câncer da nossa empresa. Mas, justo ele falar em empreiteiras?
Por que ele não disse ao jornal que enquanto foi superintendente, a empreiteira do seu genro tinha trânsito livre dentro da Corsan e que para favorecer o genro, a tomada de preço ou licitação era algo ignorado? Poderia citar também que o dono desta empreiteira está sendo investigado pela Polícia Federal que inclusive já encaminhou à chefia da Corsan local pedido de informações sobre o genro do ex-superintendente.
Entendemos que nosso ex-colega está magoado, pois não conseguiu reaver seu cargo de Chefe de Unidade após ter se licenciado para concorrer a vereador e sabemos inclusive o motivo de ele hoje ser a favor da municipalização. Como ele não conseguiu ser mais chefe na Corsan e, por isto se aposentou, a esperança dele é que o prefeito o chame para comandar uma possível autarquia municipal, para ele usar como usou a Corsan a vida inteira, apenas para interesses pessoais e eleitoreiros.
Outra crítica que deve ser analisada é a do prefeito Schirmer ou de vereadores de partidos que façam parte da base do governo Yeda. Ao prefeito seria fácil fazer a Corsan melhorar seus serviços. Pega o telefone e liga para o seu companheiro de partido e amigo Secretário Marco Alba, responsável pela Corsan. Poderia dizer o seguinte: Marco, eu não aceito este descaso da Corsan aqui
O prefeito deveria fazer isto. Mas não fará, e por um motivo simples: ele sabe o que o seu partido e o governo Yeda querem fazer com a Corsan ou com qualquer outra empresa do estado. Portanto, quanto pior melhor. Menos mal que o novo secretário do município Cezar Busatto não se manifestou sobre o tema. Seria perigoso, pois já conhecemos a sua opinião sobre estatais e a maneira como ele e seus amigos utilizam o dinheiro destas empresas, pelo menos foi o que ele disse ao Vice Governador.
Parabéns aos vereadores Jorjão, Werner, Admar Pozzobom e Cláudio Rosa pela lucidez. A Corsan é uma empresa do estado, gerida pelo governo de plantão. Se há o que corrigir, devemos cobrar da gestão e não da empresa.
Sugiro que todos os interessados no assunto leiam a nova lei do saneamento 11.445/07.
Sou funcionário da Corsan há quase 27 anos e nesta condição escrevo este texto.





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