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COVID. Em comissão da Assembleia, defesa de “mais restrições, ‘lockdown’ e renda emergencial”

Encontro proposto por Valdeci teve parlamentares, entidades e trabalhadores

Comissão de Saúde discutiu tema da superlotação hospitalar, a pedido do deputado santa-mariense Valdeci Oliveira (foto Reprodução)

Da Assessoria de Imprensa do Parlamentar / Por Tiago Machado

Para conter o colapso já confirmado na rede hospitalar e de saúde do Rio Grande do Sul em função do agravamento da situação da Covid-19, entidades, sindicatos e trabalhadores da saúde defenderam a adoção imediata de medidas que ampliem a restrição da circulação das pessoas e que garantam uma renda emergencial para as famílias vulneráveis socialmente. Essa posição foi defendida na reunião extraordinária da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, realizada a pedido do deputado estadual Valdeci Oliveira, nesta quarta-feira (17), por videoconferência.

O presidente da Federação dos Trabalhadores de Saúde do Rio Grande do Sul (FEESSERS), Milton Kempfer, cobrou a realização de um lockdown e a continuidade da suspensão da cogestão, instrumento que permite flexibilizar os protocolos de prevenção da Covid-19.  “Se ampliou número de leitos, mas não o de profissionais. O governador não pode abrir mão da gestão estadual da crise, não pode voltar à cogestão. Tem que haver mais restrições de circulação para reduzir as internações e uma renda mínima para a população. Nós apoiamos o lockdown para baixar a curva. Não vai ter medicamentos, oxigênio, respiradores e trabalhadores para todo mundo.

A posição foi reforçada pelo coordenador-geral da Rede Brasileira de Cooperação em Emergências (RBCE), Armando de Negri. “Nós passamos do ponto de colapso. Em Porto Alegre, há mais de 300 pessoas na fila de espera por leitos clínicos e mais de 400 pessoas na fila de espera por leitos de UTI. Caminhamos para uma situação desastrosa. Precisamos, sim, de um lockdown de quatro a seis semanas”, afirmou.

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Proponente do encontro, o deputado Valdeci cobrou a agilização da vacinação, a estruturação concreta de um gabinete de crise e a implementação de um programa de renda emergencial no Estado. “Os esforços feitos até aqui são importantes, mas ainda insuficientes. Os relatos são dramáticos de quem está na linha de frente. O Rio Grande do Sul tem que implementar a renda básica emergencial e nós já apresentamos uma proposta concreta para isso para o governador. Isso é urgente para barrar a fome e a precarização da saúde das pessoas mais pobres.”

Presente no encontro, o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigatto, também fortaleceu a defesa da aprovação do projeto de lei 74/2020, de autoria do deputado Valdeci, que estabelece a política estadual de renda emergencial. “As pessoas têm que ficar em casa, mas com renda básica. Não podemos iludir as pessoas com fórmulas ou remédios milagrosos que fazem as pessoas acharem que aglomerar não dá nada”, disse Pigatto.

A representante do Conselho Regional de Enfermagem, Sônia Coradini, também bateu na tecla do cerco às aglomerações. “Não se está tendo uma posição firme para evitar as aglomerações. O Estado tem responsabilidade sobre isso. Precisamos de uma atitude mais forte, porque o colapso está dado”.

Emoção na linha de frente

Diversos gestores de hospitais gaúchos também participaram da atividade da Comissão de Saúde e alertaram para o agravamento da falta de equipamentos, de leitos, de medicamentos, de abastecimento de oxigênio e de trabalhadores de saúde, itens fundamentais para o combate à Covid-19. Bastante emocionado, o diretor-geral do Grupo Divina Providência (que possui hospitais em Porto Alegre e no interior do RS), Clóvis Soares, expôs, de forma bastante emocionada, o drama enfrentado nas instituições de saúde hoje. “Estão morrendo pacientes, porque não chega o ventilador. Na semana passada, de cada quatro altas, três eram óbitos. Agora, os óbitos representam a metade das altas. Vivemos um caos, e a sensação é que estamos sozinhos. Como é que a sociedade está se movendo para as pessoas voltarem a circular? Nós perdemos ontem uma paciente de 32 anos, que não precisaria morrer se tivesse estrutura. Os hospitais estão dobrando a sua capacidade, profissionais estão dobrando a sua jornada, mas não vai dar conta. Essa conta não pode ser dos hospitais. Nós precisamos de ajuda na questão dos medicamentos. Se não tivermos ajuda, vamos parar sexta-feira.”

O administrador do Hospital de Encruzilhada do Sul, no Vale do Rio Pardo, Celso Teixeira, foi na mesma linha e anunciou que a instituição entrou em colapso: “A equipe está cansada, está fazendo muitas horas-extras, e nós estamos cancelando as férias. Nós não podemos fechar a emergência para outras coisas. Continuam ocorrendo cirurgias de fraturas, partos, etc. Hoje não temos mais como abrir leitos. Aqui, em Encruzilhada, caiu tudo no colo do hospital. Nos próximos dias vamos entrar em colapso”.

O gestor do Hospital de Caridade de Cachoeira do Sul, na Região Central, Luciano Morschel, está muito preocupado com a situação do abastecimento de oxigênio. “Estamos sendo abastecidos a cada 4 dias, mas a empresa não está dando tanta garantia mais.  Temos respiradores por mais uma semana no máximo”, afirmou ele.

Também participaram do encontro, outros deputados estaduais, representantes do Ministério Público e da Secretaria Estadual da Saúde. A secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, também esteve na videoconferência, fez uma exposição sobre as ações já tomadas e esclareceu providências para aquisição de medicamentos e abertura de vagas nos hospitais. Ela garantiu que há espaço ainda para a ampliação de leitos clínicos no Estado e pediu a união de todos os setores para o enfrentamento da crise sanitária. 

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