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Vida e Esperança em Dia de Vacinação – Por Leonardo da Rocha Botega

O relato de um momento de emoção, para além da imunização contra a Covid

Desde o último dia 17 de janeiro, quando a enfermeira Mônica Calazans se tornou a primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 no Brasil, vivemos um misto de sensações opostas. O temor e as angustias geradas nesse que, até agora, tem sido o pior momento da Pandemia no país, a cada semana tem aberto brechas de esperança nos dias de vacinação. Cada imagem de pessoas próximas ou não sendo vacinadas tem tido o mesmo sentido da frase pronunciada pelo grupo O Teatro Mágico em sua música Perdoando o Adeus: “A vida anuncia que renuncia a morte”.

Os Dias de Vacinação tem sido um pulsar de vida e esperança em um país destroçado e mergulhado em um luto profundo. Um pulsar de vida que se torna ainda mais forte, quando sabemos as histórias que estão por trás de alguns momentos de vacinação. Histórias que nos remetem a outras histórias e que conduzem a uma teia de surpresas que, acima de tudo, reafirmam o quanto a vida é bela. A história da vacinação de minha mãe é uma delas.

Minha mãe foi vacinada na última terça-feira, 30 de março. Assim como muitas outras pessoas, acordou cedo e rumou ao Posto de Saúde. Após algum tempo de espera, veio a tão sonhada vacina. Junto com a “agulhada da esperança” o registro: uma foto histórica enviada instantaneamente para os filhos. Uma foto histórica que virou postagem em Rede Social como forma de incentivo em meio aos irracionalismos e negacionismos que ainda ousam aparecer. Uma foto histórica que ligou em uma única imagem o passado e o presente, esperançando o futuro.

No ano de 2000, minha mãe chegou em casa retornando do trabalho eufórica contando a seguinte história: estava no trabalho, quando uma colega grávida começou a sentir as contrações do parto. Em um momento de apreensão, juntamente com outras colegas, colocaram a colega grávida no carro e saíram apressadas rumo ao Hospital. Alguns instantes depois nascia a Joana. Minha mãe nunca esqueceu aqueles momentos, sobretudo o medo que sentia de não conseguir chegar a tempo no hospital. Naquele dia, a vida venceu o tempo! Coincidentemente, essa mesma vida cruzaria a vida de minha mãe duas décadas depois.

Dona Valnez da Rocha Botega, que venceu a Covid-19 em maio de 2020, foi vacinada pela estudante de enfermagem Joana! A mesma Joana que quase nasceu no banco traseiro de um Fiat Uno Vermelho 1.0 que naquele dia inesquecível foi quase transformado em um carro de Fórmula 1. No dia em que a esperança bateu à porta de nossa família, ela veio pelas mãos de uma vida que indiretamente minha mãe conduziu ao nascimento. Vinte anos depois de minha mãe ter feito parte da vida da Joana, Joana fez parte da vida da minha mãe! Obrigado Joana! Obrigado aos profissionais da saúde que estão na linha de frente da luta pela vida! Obrigado SUS!

(*) Leonardo da Rocha Botega, que escreve no site às quintas-feiras, é formado em História e mestre em Integração Latino-Americana pela UFSM, Doutor em História pela UFRGS e Professor do Colégio Politécnico da UFSM. É também autor do livro “Quando a independência faz a união: Brasil, Argentina e a Questão Cubana (1959-1964).

Observação do editor:  a foto de vacinação, que ilustra este texto, é de Guilherme Scapin Borges, da Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal.

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Um Comentário

  1. Se o futuro rei da Inglaterra nasce num hospital do NHS (que é o SUS deles), por que deputados e senadores brasileiros não podem, ao invés de plano de saúde de luxo com Albert Einstein e Sirio Libanes, ser atendidos no SUS? Já sei, já sei, ‘comunista!”, ‘inimigo da democracia!’.

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