O caso Paula. Mídia grandona (e parte da sociedade) se estrepa. Agora, em nível planetário
Essa maldita mania da mídia grandona (e da que se acha, e até da pequena) de cair na esparrela de acreditar sempre na primeira versão, especialmente se ela for conveniente, um dia iria dar nisso: vexame planetário. Todos os dias a gente vê barrigas da mídia, e que nos tocam diretamente. Fazemos de conta (a sociedade assim é) de que não é conosco. Mas, quando o fiasco é internacional, como no caso da advogada Paula Oliveira (na foto do arquivo da família) e as autoridades suiças, com direito a manifestação (errada e precipitada, talvez) do Presidente da República, aí a coisa encrespa.
Sei que, às vezes, peco pela prudência eventualmente exagerada. Por exemplo: não tratei aqui, e tenho sido cobrado (o Fritz, amigo e colega, no seu legítimo direito, é um deles) por não ter dado espaço para o episódio PSOL-Yeda, para dar um caso concreto. Minha resposta (ao Fritz e aos demais, agora de público): acho melhor esperar um pouco, antes de botar a mão (ou o texto) nessa cumbuca.
Estou errado, no caso específico? Talvez. Ainda assim, prefiro desta forma, ao menos por enquanto. Na pior das hipóteses, não correrei o risco de ler, a respeito, o que escreve Carlos Brickmann, na seção Circo da Notícia, publicada no sítio especializado Observatório da Imprensa. Acompanhe você mesmo, e tire tua conclusão. A seguir:
CASO PAULA OLIVEIRA – Xingar é fácil, apurar é bem mais difícil
Tudo bem, suíço é chato mesmo. Se você entra num cinema, tem de ocupar a cadeira ao lado do último que se sentou, mesmo que a sala esteja vazia. Os italianos, no meio de toda aquela confusão que os caracteriza, geraram Michelangelo, Mascagni, da Vinci, Dante, Bernini, Verdi, Rossini, Rafael. Os suíços, no meio de toda aquela ordem, conseguiram criar o relógio-cuco e alguns queijos.
Pronto: já falamos mal dos suíços. Agora entremos no caso de Paula Oliveira. Nossos meios de comunicação repetiram todos os erros do caso Escola Base; e as consequências só não foram mais graves porque o caso ocorreu fora do Brasil. As informações foram aceitas sem contestação. A imprensa não fez o mínimo indispensável (por exemplo, falar com a mãe da moça, que estaria com ela ao telefone no momento do ataque, para saber o que teria ouvido; ou entrevistar um médico sobre a possibilidade de uma pessoa consciente ser cortada sem que houvesse sequer um tremor nos riscos. Seria possível que a moça não tivesse nem contraído os músculos de dor ao ser riscada por estilete?). E, já que não havia fatos a narrar, saiu batendo nos suíços, como se lá houvesse uma caça aos estrangeiros. E, dos países europeus, a Suíça é dos menos xenófobos.
O SVP, por exemplo, é um partido detestável. É ultranacionalista, é contra a imigração, essas coisas. Mas não é neonazista. O SVP integra um governo democrático, que trata os imigrantes melhor que os espanhóis, onde os guardinhas de aeroporto maltratam os brasileiros (e provavelmente outros visitantes) e não provocam, da parte de nossas autoridades, reação tão violenta…
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SUGESTÃO DE LEITURA – confira também aqui notas e artigos publicados pelo sítio especializado Observatório da Imprensa.





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