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O risco para as eleições brasileiras e a democracia – por Paulo Pimenta

“Direita perfumada” deixa Bolsonaro para “reconstituir o seu próprio perfil”

O delinquente nazifascista Steve Bannon está solto. Detido, em agosto de 2020, acusado de fraude e lavagem de dinheiro, numa arrecadação de recursos para a construção do muro que busca separar os Estados Unidos do México, bandeira dos supremacistas brancos anti-imigração, foi liberado em seguida sob uma fiança de 5 milhões de dólares.

Recebeu, como se sabe, o perdão de seu cúmplice Donald Trump, derrotado por Joe Biden em 20 de dezembro do ano passado. Trump concedeu a Bannon um indulto no apagar das luzes do governo, antes de deixar a Casa Branca. 

Desde então Bannon dedica-se a campanhas para desestabilizar processos eleitorais em diferentes países, em favor das candidaturas de extrema-direita que proliferam pelo mundo. São públicos os encontros entre ele e os filhos do presidente ultradireitista Jair Bolsonaro. Há referências de que teria sido contratado para a campanha presidencial do neofascista Bolsonaro em 2022.

*Bibelô de gringo * – Num recente conclave nos EUA em que exibiu Eduardo Bolsonaro como um animal exótico, domesticado, levado diretamente da colônia para divertir os espectadores, Steve Bannon declarou: “Cerca de trinta dias antes das grandes eleições intermediárias, Jair Bolsonaro enfrentará o esquerdista mais perigoso do mundo, Lula. Um criminoso e comunista apoiado por toda a mídia aqui nos Estados Unidos, toda a mídia de esquerda. Esta eleição é a segunda mais importante do mundo e a mais importante de todos os tempos na América do Sul”.

Os processos eleitorais, no mundo contemporâneo, são vistos como momentos propícios para a interferência de potências hegemônicas para proteger seus interesses, quando os cidadãos e cidadãs de determinada nação se mobilizam para conservar ou modificar os rumos do seu desenvolvimento. Em qualquer latitude do mundo, tornou-se corriqueira essa intromissão indevida nos assuntos internos de cada país.

Como vemos, não será diferente no Brasil de 2022, como não foi em 2018, quando, para eleger Bolsonaro, foi mantido preso seu principal adversário, o ex-presidente Lula, que liderava todas as pesquisas de opinião, para impedi-lo de concorrer.

Voto impresso – É necessário, portanto, a mobilização das instituições e da própria sociedade –  os partidos, as organizações civis comprometidas com a democracia e os movimentos sociais dos trabalhadores – para garantir a legítima expressão da vontade popular, a exemplo do que ocorreu no Peru, no pleito que elegeu Pedro Castillo, declarado presidente eleito em 19 de julho. Foram necessários quase dois meses de batalhas judiciais em torno de recursos impetrados pela candidata de extrema-direita derrotada nas urnas para reconhecer e formalizar a vitória.

A falácia do voto impresso, agitada aqui durante meses por Bolsonaro com o claro objetivo de sedimentar na sociedade um discurso contra o voto eletrônico inteiramente desprovido de provas, foi derrotada na Comissão Especial e no Plenário da Câmara dos Deputados.

Na ausência desse recurso retórico, o atual ocupante do Palácio do Planalto modula ameaças, arreganhos golpistas, recorre à fumaça dos tanques em desfile pela Esplanada alternados com acenos de conciliação logo interrompidos por novas ameaças… Assim mantêm as instituições sob permanente tensão e busca com esse expediente ocultar o flanco aberto pela CPI da Ccovid-19, que se encaminha para oferecer um alentado relatório com sólidas denúncias de prevaricação, crimes de responsabilidade, omissão e corrupção no Ministério da Saúde.

Outra hipótese é de que o presidente da República não está interessado nas eleições do ano que vem e aposta no caos institucional para agir “fora das quatro linhas da Constituição”. Em outras palavras, aposta numa solução de força com o apoio dos cem novos “marechais”…

Ataque aos trabalhadores – É útil lembrar que o ex-capitão sequer se encontra filiado a um partido. E, diga-se, não é por falta de tentativa.

A direita perfumada busca afastar-se de Bolsonaro para reconstituir seu próprio perfil para disputar 2022. O capitão cumpriu sua tarefa de destruir as conquistas sociais dos trabalhadores obtidas ao longo século XX, desmoralizar as instituições e deixar o campo aberto para uma experiência duradoura de hegemonia neoliberal no Brasil.

Não se trata de uma tarefa simples. Mesmo porque a imposição dessa agenda desde o golpe de 2016 já mostra seu caráter criminoso com a concentração de renda, o aprofundamento das desigualdades sociais, o retorno do desemprego e da fome, a destruição ambiental, a desnacionalização da economia com as privatizações e outros retrocessos.

Evidentemente, essa panela de pressão justificará cada vez mais autoritarismo e repressão. Ou seja, ironia da história, a imposição da agenda neoliberal é incompatível com a democracia liberal representativa…     

É hora de “equilíbrio”, defende e sonha a direita tradicional cúmplice de Bolsonaro, sem querer abrir mão dos resultados do saque que procedeu desde a traição de Temer e a deposição de Dilma Rousseff. Não entenderam esses senhores que pilhagem dos direitos e conquistas é diariamente posta em contraste com os anos em que o País foi governado pelo Partido dos Trabalhadores, liderado por Lula. 

Neste momento, Lula consolida sua liderança nas pesquisas de opinião sobre mais da metade dos eleitores e é recebido com entusiasmo pelo povo do Nordeste, sinalizando uma condição única para a vitória nas eleições de 2022, no primeiro turno, se elas vierem a ocorrer em plenas condições de funcionamento da democracia. As  instituições, particularmente o Tribunal Superior Eleitoral, devem exercer a necessária vigilância para frear as tentativas de golpe,  seja sob o impulso do tiranete de província que ocupa o Palácio do Planalto, seja pela interferência do Império com o nome de NSA, CIA, Steve Bannon ou o que for.

(*) Paulo Pimenta é jornalista e deputado federal, presidente estadual do PT/RS e escreve no site às quartas-feiras.

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