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CÂMARA. Em clima de tristeza, vereadores avaliam os motivos da não vinda da ESA para Santa Maria

Na noite de quinta-feira (21), Recife foi anunciada como a futura sede da ESA

Tanto oposição quanto governo lamentaram a perda da ESA para Recife, a capital pernambucana (Foto Gabriela Neto/Câmara)

Por Maiquel Rosauro

Só faltou o choro e sobraram lamentações, críticas e hipóteses. Assim se desencadeou a sessão plenária do Legislativo de Santa Maria, na terça-feira (26), o primeiro encontro oficial dos parlamentares após o anúncio de que a Escola de Sargentos do Exército (ESA) não virá para o município.

Vereadores da oposição escolheram o governador Eduardo Leite (PSDB) como vilão, por não ter entrado em contato com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para reivindicar à ESA. Com exceção do sempre polêmico Tony Oliveira (PSL), os demais parlamentares evitaram críticas diretas ao prefeito Jorge Pozzobom (PSDB).

A base de Pozzobom também lamentou, buscou fazer uma reflexão e tentou passar uma mensagem de que a vida segue. O líder do governo, Alexandre Vargas (Republicanos), disse não entender se a decisão pelo Recife foi técnica ou política.

As análises mais interessantes vieram no final da sessão. Werner Rempel (PCdoB) lembrou as escolhas do Exército que, no passado, beneficiaram o município. Já Roberta Pereira Leitão (PP) fez um questionamento oportuno: o que Santa Maria tem para oferecer além de um campo de instrução já construído?

Abaixo, confira trechos dos discursos dos parlamentares que trataram sobre a ESA:

“Não foi possível, não deu certo. Quero acreditar e não posso duvidar da seriedade do processo. Acredito que a cidade de Recife tenha apresentado as melhores condições. Mas não podemos ficar chorando o leite derramado. Temos que tirar lições e fazer as reflexões. E identificar onde erramos, se porventura erramos. Não podemos ficar se culpando e procurando culpados”.

Getulio de Vargas (Republicanos)

“Por que isso não respingou no prefeito de Santa Maria, apesar de ter tido algumas falhas? Não respingou porque ele se esforçou, tentou buscar, fez campanhas, mesmo que não buscando um contingente maior de apoiadores. O prefeito Jorge se empenhou nessa questão e temos que reconhecer isso. E pergunto para vocês: O que fez o governador Eduardo Leite? Nada. As pretensões políticas que ele tem falaram mais alto”.

Tubias Calil (MDB)

“Santa Maria, uma das maiores cidades do Rio Grande do Sul, perdeu a oportunidade de ter ESA por incompetência de tantos políticos. E mais, agora sim acendeu o alerta do povo santa-mariense e da região Central de que aqui não tem força política. Estamos largados às traças porque o nosso atual prefeito nem sequer tem uma relação com o governador do Estado, que é do mesmo partido seu. A gente perdeu a ESA por quê? Porque o prefeito da cidade quis fazer tudo sozinho. O governador do Estado, Eduardo Leite, foi a São Paulo, no programa do Pedro Bial, falar de sua sexualidade, nada contra, mas perdeu a oportunidade de pedir a ESA em Santa Maria. Depois foi para o Rio de Janeiro dizer que estava namorando há mais de um ano, que estava apaixonado e perdeu mais oportunidade de falar da ESA. Quando o presidente veio a Porto Alegre, na Expointer, ele foi para o outro lado pedir o impeachment do presidente”.

Tony Oliveira (PSL)

“Alguém viu algum deputado estadual ou federal fazer mais do que o pouco que fizeram pela ESA? Ou seja, algumas viagens, alguns discursos, mas não entraram em campo. Precisamos rever essa postura para Santa Maria e região Central do Estado, ter representantes que falem a língua do povo daqui”.

Paulo Ricardo Pedroso (PSB)

“Temos que perceber é que cada um de nós também seria responsável, caso tivéssemos vencido essa batalha. Com certeza, todos aqui iriam exaltar seu empenho, suas tratativas com seus senadores, deputados, enfim, para dizer que fez parte da construção dessa vinda. Como não aconteceu, eu também acredito que podemos fazer essa reflexão e o que nós deixamos de fazer neste sentido político”.

Givago Ribeiro (PSDB)

“Essa Casa fez o seu papel. Não entendi se foi técnico ou se foi político, sinceramente, espero que Recife receba a ESA como Santa Maria, com certeza iria receber. Acho que a ESA que perdeu a cidade de Santa Maria por tudo o que estávamos fazendo aqui”.

Alexandre Vargas (Republicanos)

“O governador do Estado de Pernambuco, Paulo Câmara, mesmo com divergências políticas com o presidente, foi pessoalmente apresentar o projeto para o presidente da República. O Estado do Paraná, com pouquíssima infraestrutura, ainda assim com grande força política, foi apresentar”.

Pablo Pacheco (PP)

“Precisamos perceber que Santa Maria tem, pelo menos, dois centros de adestramentos que são únicos no país e têm reconhecimento internacional, que é o Centro de Adestramento Sul, que é de guerra eletrônica, que fica no costado do centro instrução do CISM, e o Centro de Instrução de Blindados. Nenhuma outra cidade brasileira tem essas duas unidades. Nós fomos escolhidos, em outro momento, em outro tempo, para receber esse contingente. Não deixamos de ser privilegiados em outros tempos pelo Exército Brasileiro”.

Werner Rempel (PCdoB)

“Também foi uma questão política, mas foi muito uma questão técnica. Pensemos senhores, o que Santa Maria tem para oferecer além de um campo de instrução já construído? Nós não temos aeroporto, minimamente nacional, sequer internacional. As nossas ligações rodoviárias são precárias, não temos ligação de ônibus direto para Gramado e Canela, por exemplo”.

Roberta Pereira Leitão (PP)

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Um Comentário

  1. Mais de 5500 municipios no Brasil, terceiro lugar não é ruim. Porém falta diagnostico. Muitos confundem a necessidade de um novo ciclo de crescimento da aldeia com oportunidades para gente de fora. Irrealista. Ficam elegiando o que não chega a ser uma porcaria mas não é a oitava maravilha do mundo. Olhando o mapa da densidade demografica do RS, se for considerado somente o mercado gaúcho, observa-se que é maior no eixo POA-Caxias. Depois vem o eixo POA-Celeiro. Finalmente o eixo POA-Vale do Jaguari. Nova Santa Rita tem parque logistitico. Acesso a Região Metropolitana. Perto de uma via fluvial que pode ser modernizada no futuro. Acesso a BR-116 que vai a Caxias. Acesso a BR-386 que vai a Região da Produção. E a RSC-287 que vem para a aldeia. Tem muito ‘penso’ nesta história. Segundo palpite. Preço é pago adiantado. Dinheiro atrai dinheiro, sucesso atrai sucesso. Por isto que a prefeita de Ponta Grossa não se abalou. Temas de casa feito e marketing positivo por conta do Exercito. Para atrair alguma coisa a urb vai ter que mostrar serviço. E ‘penso’. Menos ufanismo, menos drama e mais racionalidade.

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