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Perguntas que a imprensa ainda não fez aos candidatos a Presidente – por Carlos Wagner

Questões: desemprego, medo da Covid e devastação da floresta amazônica

A eleição presidencial de 2022 vai ser uma das mais interessantes da história do Brasil (Fogo Reprodução)

Em 2022, se não for a primeira será uma das raras vezes na história do Brasil que a disputa eleitoral pela Presidência da República acontecerá em um cenário desenhado por três problemas concretos e urgentes que precisam ser resolvidos.

O desemprego, que já atinge mais de 15 milhões de trabalhadores. O medo de ser a próxima vítima da Covid-19, que é representada pela vacinação a conta-gotas contra um vírus que já matou 600 mil brasileiros. E a devastação da Floresta Amazônica, que se não for combatida com urgência poderá resultar em sanções econômicas dos Estados Unidos e de países europeus ao Brasil.

Nós jornalistas precisamos refletir que vivemos tempos especiais que foram moldados, não só no Brasil, mas ao redor do mundo, pela pandemia da Covid, que colocou as principais economias de joelhos e já soma mais de 219 milhões de pessoas contaminadas nos quatro cantos do planeta, com mais de 4,55 milhões de mortos.

Portanto, precisamos informar ao nosso leitor qual é a proposta dos candidatos para arrancar o país desse atoleiro. Em quem o leitor votará é problema dele. O nosso é fazer as perguntas exigidas pelo atual momento. É sobre isso que vamos conversar.

Seja lá quem for eleito presidente do Brasil em 2022, incluindo o atual, Jair Bolsonaro (sem partido), vai herdar um país bagunçado até os seus alicerces pela atual administração que é exercida por ministros sem competência para o cargo que ocupam e por burocratas, a maioria militares, que não entendem o que estão fazendo.

Dentro desse cenário é importante informar ao nosso leitor qual equipe econômica que o candidato pretende montar para resolver a questão do desemprego. E qual é a proposta da equipe para descascar o abacaxi. Na criação de empregos precisamos vasculhar a história para recuperarmos as informações sobre como agiram para criar empregos as equipes econômicas dos ex-presidentes que governaram o país de 1995 a 2018: Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), Dilma Rousseff (PT-MG) e Michel Temer (MDB-SP).

A equipe econômica do atual governo, dirigida pelo economista Paulo Guedes, concentrou nas suas mãos um poder imenso com a extinção de vários ministérios da área. No primeiro ano de governo, em 2019, não conseguiu encaminhar uma solução concreta para lidar com os 12 milhões de desempregados herdados do governo Temer.

Em 2020, aconteceu a pandemia e mudou tudo no Brasil e no mundo. O ministro da Saúde passou a ser a figura central do governo. E aqui a política negacionista em relação ao poder de contágio e letalidade do vírus do presidente Bolsonaro atirou o país em uma tragédia sanitária imensa. A dimensão dessa tragédia será mostrada para os brasileiros nas próximas semanas pelo relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado, a CPI da Covid.

Pelas previsões dos cientistas, os problemas criados na saúde pública pelo vírus ainda estarão por aí pelos próximos anos. Daí a importância de se saber como o futuro governo pretende lidar com o assunto. Por ser um tema de grande interesse para o nosso leitor.

Antes de seguir conversando quero citar uns fatos que considero importantes, em especial para os jovens repórteres. Antes dessa pandemia, os assuntos relacionados com a saúde pública tratados com os candidatos a presidente da República giravam em torno de recursos econômicos para equipar os hospitais públicos e fortalecer as equipes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Pela primeira vez na nossa história precisamos indagar os candidatos sobre a sua posição em relação a pandemias. Por quê? Não podemos jogar no lixo os ensinamentos deixados pela Covid-19, porque o tamanho do estrago que fará a próxima pandemia dependerá do que aprendemos com o vírus.

Voltando à nossa conversa. Vamos falar sobre a questão da devastação da Floresta Amazônica, uma das maiores dos últimos anos. A importância da Amazônia para o clima mundial é matéria que lemos nos jornais ao redor do mundo todos os dias.

Portanto, os governos dos Estados Unidos e dos países europeus não vão assistir de braços cruzados os brasileiros detonarem tudo. Aliás, o atual presidente americano, Joe Biden (democrata), já advertiu o atual governo do Brasil que o país pode sofrer retaliação econômica se não fizer nada para deter a devastação. Aqui, meus colegas, é o seguinte: se americanos e europeus pararem de comprar produtos brasileiros em protesto contra a destruição da Amazônica o Brasil voltará à idade da pedra.

Para arrematar a nossa conversa. A democracia brasileira é jovem, mas é musculosa, como tem demonstrado, defendendo-se dos ataques que vem sofrendo. A Justiça tem problemas. Mas funciona e pode lidar com os casos de corrupção e outros crimes. O nosso sistema eleitoral é um dos melhores do mundo. A soma disso tudo significa que vamos ter uma disputa eleitoral limpa e quem sair dos eixos vai se ver com as autoridades.

Por que escolhi os problemas do desemprego, da pandemia e da destruição da Floresta Amazônica? Simples. Como sempre digo, sou um velho repórter estradeiro de 71 anos que se especializou em reportagens de conflitos agrários, migrações e crime organizado nas fronteiras. Aprendi que as melhores pautas são aquelas que recolhemos na rua, no cotidiano das pessoas, e não as criadas nas redações, que chamamos de maneira pejorativa de “teses”.

Citei esses três problemas porque considero fundamental sabermos o que os candidatos a presidente da República pensam sobre eles e como propõem resolvê-los baseado em conversas que tive com pessoas comuns. Lembro que quando comecei na profissão tinha um velho e rabugento pauteiro que me dizia: “Wagner, para de inventar pauta. Vai lá na rua conversar com as pessoas para saber onde o sapato está apertando e depois vem aqui falar comigo”.

Uma explicação para quem não é jornalista. Nas redações antigas, o pauteiro era o jornalista que entrevistava os repórteres, lia tudo o que havia sido publicado no dia e ligava para as suas fontes para organizar uma lista de assuntos que virariam reportagens na próxima edição.

Geralmente era o cara mais velho e rabugento da redação. A maioria deles fumava e tomava café preto o tempo todo. Nunca pensei que sentiria saudades desses chatos. Eles estão fazendo falta no atual momento da imprensa brasileira.

PARA LER A ÍNTEGRA, NO ORIGINAL, CLIQUE AQUI.

(*) O texto acima, reproduzido com autorização do autor, foi publicado originalmente no blog “Histórias Mal Contadas”, do jornalista Carlos Wagner.

SOBRE O AUTOR:  Carlos Wagner é repórter, graduado em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela UFRGS. Trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora de 1983 a 2014. Recebeu 38 prêmios de Jornalismo, entre eles, sete Prêmios Esso regionais. Tem 17 livros publicados, como “País Bandido”. Aos 67 anos, foi homenageado no 12º encontro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em 2017, SP.

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