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PÓS-PARTO. Após os nove meses, como é a vida da mulher? Para iniciar, é preciso passar pelo puerpério

Indicação é que as mães mantenham contato com profissionais especializados

O indicado para as recém-mães é que mantenham contato com os profissionais especializados: pediatras e obstetras (foto Reprodução)

Por Alam Carrion / Especial para o Site (*)

Talvez o sonho de muitas mulheres seja o de gerar uma vida, gestar por nove meses uma criança no ventre, ter o primeiro contato após o nascimento e se emocionar com cada um desses momentos. São incontáveis as emoções envolvidas com a chegada de um filho, no entanto outras emoções imprevisíveis chegam após este período de espera, o período dos primeiros meses do bebê: o puerpério.

É chamado puerpério o período inicial da vida pós-gestacional, que tem início com o nascimento da criança e dura, aproximadamente, 42 dias. São muitas modificações corporais na mulher, desde a espera pela volta do corpo ao seu estado pré-gestacional, a diminuição dos hormônios, o aumento da produção de leite e, claro, os primeiros dias do bebê que marcam as mães, principalmente as de primeira viagem.

Há uma diversidade de literaturas entre os especialistas para definir os períodos do puerpério, mas a maioria deles trabalha com três fases: o puerpério imediato a partir do nascimento do bebê até o décimo dia pós-parto, o puerpério tardio que vai do 10º ao 42º dia e o puerpério remoto após o 42º dia.

E neste período o evento mais importante é a produção de ocitocina. “É o ‘hormônio do amor’, ele é liberado quando estamos felizes, quando estamos perto de quem amamos, durante a relação sexual etc. No parto, a ocitocina faz a contração do útero e no puerpério é responsável pela saída do leite na amamentação” explica a enfermeira obstetra, Ticyane Silva.

O leite dos primeiros cinco dias é conhecido como colostro, ele vem em menor quantidade e é mais fino, no entanto continua nutritivo. Posteriormente chega o leite encorpado e gorduroso. A produção se avoluma, podendo alcançar 600m por dial. O aleitamento é fundamental para o bebê, pois aumenta as defesas do bebê contra infecções.

E a mãe também é beneficiada pela amamentação, pois se protege contra o câncer de mama. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), uma mulher que amamenta durante um ano tem 4,3% menos chances de desenvolver tumores na região mamária, o que diminui o risco de câncer de mama.

O puerpério, para muitas mulheres, é o período em que o sonho da maternidade fica um pouco menos doce, por conta de toda mudança na rotina e em tudo que ocasiona o cuidado a uma nova vida dentro do lar.  “Uma coisa comum no puerpério é passar pelo baby blues, que é um tempo de melancolia causado pela queda brusca dos hormônios e com isso a mulher fica mais chorosa, triste etc. Esse período dura até 15 dias, se ultrapassar este tempo é importante verificar se não se trata de um quadro de depressão pós-parto.” conta Ticyane.

Além disso, existe toda exaustão e privação do sono no cuidado do bebê. “A mulher deixa de ser vista como a mulher e é só a mãe. Quem visita vem ver o bebê e quase nunca a mulher e, por conta disso, muitas se sentem apenas como um peito que alimenta o bebê, mas que está sendo privada de ser mulher” explica a enfermeira.

A amamentação é essencial para o bebê, porém muitas vezes causa diversas dores e machucados na mulher, feridas no mamilo, causadas, em geral, pela má pega do bebê (quando ele não consegue pegar corretamente o bico do seio para sugar). Essas fissuras podem causar infecções (mastite), devido a entrada de bactérias.

Ticyane Silva, além de enfermeira obstetra, é consultora de aleitamento materno e explica alguns perigos durante a amamentação. “Um dos principais perigos está vestido de ‘bom moço’, que são as conchas de amamentação”, segundo a enfermeira existem dois tipos de conchas de amamentação: a rígida e a flexível. A rígida é vendida como uma forma de “preparar o mamilo”. O problema, segundo enfermeira, é que é algo que pode produzir um edema, inchando a ponta do mamilo e depois passa e volta na anatomia natural da mama, além de produzir umidade.

Já a concha flexível é indicada para o pós-parto, porque o leite que vaza fica parado e não suja o sutiã, no entanto o problema é que protege o sutiã, mas mama está na “colônia de férias das bactérias e fungos e logo se transformará em uma candidíase mamária. “Essa concha também faz um edema mamilar e muitas vezes dificulta a pega do bebê, além disso pode causar fissuras terríveis na divisão onde fica a concha e o mamilo que entra nela”, explica Ticyane.

O indicado para as mulheres que passam pelo puerpério é que mantenham contato com os profissionais especializados: pediatras e obstetras. Há também a opção de recorrer aos consultores de amamentação que auxiliarão no processo. O apoio familiar é fundamental neste momento tão bonito, mas delicado para a mulher.

(*) Alam Carrion é acadêmico de Jornalismo da Universidade Franciscana e faz seu “estágio supervisionado” no site

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