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Cada um com seus heróis – João Luiz Vargas

Amanhã, dia 22 de janeiro, completa 100 anos do nascimento de Leonel Brizola, junto com Getúlio Vargas, o mais importante político que o Rio Grande do Sul pariu. Aperfeiçoando o trabalhismo do velho PTB, Brizola criou um movimento político objetivando a independência do povo dos “interesses” econômicos internacionais. No exílio, depois da perseguição pelo Governo Militar, o gaúcho de Carazinho que escolheu o próprio nome teve capacidade de manter acesa seu fã clube no País, mesmo tendo que andar escondido elas embaixadas dos países que solidarizavam-se com sua luta, uma vez que os milicos da Ditadura haviam manifestado o interesse em envenená-lo, pelo que representava para jovens que, como eu, queriam melhorar o Brasil pela via do trabalho e do investimento na educação.

Amante da democracia e defensor da conciliação, Brizola foi deputado e governador em dois estados e traçou um plano para chegar à presidência. Assistiu e foi protagonista dos principais eventos políticos da América Latina no último século. Por estes acasos da vida, não conseguiu governar o País. As principais armas que usava era o diálogo com todos os setores da sociedade e a busca de entendimentos entre os patrões e os empregados, além da luta por investimentos em Educação e geração de emprego. Foi um político que entendeu o tanto que representava, mostrando sua força sem fazer ameaças e priorizando nas suas propostas e seus governos as crianças e as comunidades menos favorecidas.

Mas esta semana, não foi o aniversário de meu líder que estampou manchete nos jornais. Recebi com tristeza a informação de que o Presidente da República fez outra manifestação pública lembrando com orgulho os feitos da Ditadura Militar. Não imaginemos nós que ele, vinculado ao que de mais triste existe na política brasileira, teria um pensamento diferente desse período político.

Fiquei triste por imaginar que ofende profundamente a alma de tantos que foram perseguidos, presos, torturados e mortos por não concordarem com as políticas do governo. Só pela violência com amigos sepeenses que tive como o Afif, o Odilon, o Natalício, o Cilon, o Índio e o Peixoto já justificariam um voto de repúdio àquele momento sombrio de nossa História.Vejamos o exemplo atual.Seria possível fazer as manifestações públicas contra os políticos caso estivéssemos em um ambiente de perseguição? Já disse Churchill que a Democracia é o pior dos regimes, mas não inventaram nenhum outro sistema melhor. Não há benefícios que justifiquem a utilização dos métodos de um regime ditatorial.

Brizola acompanhou parte da minha vida política e muitos ensinamentos de gestão pública, de valores, de princípios, acabei absorvendo dele. Procuro pôr em prática o pensamento deste homem que foi meu herói e amanhã estaria de aniversário. Até digo: isso não é por conveniência. Por exemplo: o grupo político que pertenço perde há anos eleições para presidente e governador em tudo que é lugar, dentro do jogo democrático. Mesmo perdendo, sempre estamos defendendo a Democracia pois temos convicção de que ela é a que melhor expressa a vontade da maioria.

Talvez sem saber, observo que o Presidente que defende a ditadura tem algo em comum comigo: nunca abandonamos nossos ideais. Da minha parte, sigo defendendo os princípios de Leonel Brizola, que lutou por um País melhor para todos nós. Hoje, graças a Deus – e à Democracia –, cada um pode escolher os seus heróis.

*João Luiz Vargas, prefeito de São Sepé (ex-deputado, presidente da Assembleia Legislativa, e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado), escreve no site às sextas-feiras.

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