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O sextou, as mudanças e o que move as montanhas – por João Luiz Vargas

Sobre pandemia, juventude e muita esperança, nas palavras do articulista

Hoje é sexta-feira, chega de canseira e nada de tristeza, já diria aquela velha dupla sertaneja que cantava um sertanejo que nem existe mais. Até isso mudou, de uns tempos para cá. Chego aqui, a convite do brilhante Claudemir Pereira, referência do jornalismo político da Região Central, para escrever ideias que habitam minha alma e escorregam pelas teclas apagadas do notebook da minha neta, que faz às vezes da velha máquina datilográfica que aposentei na última porta do armário.

Antes de mais nada, tenho que agradecer: ao Claudemir, pela acolhida, mas principalmente a você, que tira um tempo para ler as mal traçadas linhas deste vetusto articulista. Em 2022, completo 70 anos. Pouco tempo, para quem ainda quer viver muita coisa.

E começo pelo início, porque sexta-feira é o dia que abre o final de semana, e esta é a primeira sexta-feira de um ano que tende a ser de muita reflexão. Nos jornais do Brasil e do mundo, a notícia óbvia de que a pandemia não acabou.

Pior. Pelas informações que vem do estrangeiro, a Covid-19 – que já matou quase 5,5 milhões de pessoas – voltou depois do Natal com força total, agora revigorada por esta tal nova cepa, que consegue conciliar no corpo do sujeito não só o coronavírus, como se isso fosse pouco, mas outros vírus das gripes comuns que têm derrubado, matado e preocupado gentes mundo afora.

Estamos caminhando para uma nova subida nas estatísticas de contaminações, possivelmente com mais mortes, além de novos picos de desemprego, fome e miséria. Os gráficos da pandemia, altos e baixos, são montanhas que teremos que atravessar. Chegar vivo até a outra ponta exigirá mudanças.

Aqui em São Sepé, este ano, um grupo de jovens motivou a Prefeitura a participar de movimentos internacionais na defesa da causa ambiental. O pano de fundo era a tentativa, que teve êxito, de barrar a instalação de uma mineradora em área linda do município, quem vai pela BR-392 rumo a Porto Alegre.

Só que o debate da preservação no Meio Ambiente tem oportunizado conhecer que pandemias, crises hídricas, calorões e outras febres do mundo são, na verdade, um Planeta e uma Humanidade que gritam pela destruição. Tudo por questões comportamentais: nunca fomos tão egoístas, exploradores e violentos, como de algumas décadas para cá.

Há, porém, uma esperança. E essa fé que me faz otimista demais. Se por um lado a Terra grita e nos agride, nasceu pouco tempo atrás uma geração que entende que esta estrada vai nos levar ao extermínio. Respeitando a gigante dor das mortes, esse cenário de catástrofe trouxe momentos de reflexão. Sem dúvida, machucados, os Seres Humanos mudarão seus comportamentos.

Inaugurou-se um novo momento de cuidado com a vida, da pandemia para cá. A prova de que somos insignificantes nunca fez tanto sentido. Tenho fé de que isso mudará pessoas, principalmente da geração mais moça, e estas pessoas serão aquelas que mudarão o mundo.

Como prefeito, assumi um compromisso de colocar a juventude nos principais postos de comando da Administração. Fiz isso para aprender com eles. Está dando certo. A juventude passa ser um estado de espírito. Foi com eles que descobri que defender o Planeta Terra é preservar a Humanidade de crises e que nunca se pode chegar na sexta-feira com tristeza.

De mim, talvez a única coisa que aprendam é que existe algo dentro da gente que move montanhas, derruba gráficos e vence obstáculos. E por acreditar nisso que sempre garanto que os próximo anos serão melhores dos que os 70 que eu já vivi.

(*) João Luiz Vargas, prefeito de São Sepé (ex-deputado, presidente da Assembleia Legislativa, e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, escreve no site às sextas-feiras.

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